Fintados pelo covid-19


Sérgio de Almeida Correia,

Desde que em Março passado o Presidente Xi visitou Wuhan, a máquina da propaganda não parava de assinalar os êxitos do PCC e a vitória do líder no combate ao COVID-19.   

Ainda não passou um mês desde que em 22 de Maio, na 13.ª sessão plenária da Assembleia Popular Nacional, o presidente da sua Comissão Permanente, Li Zhanshu, exultava o sucesso do combate ao COVID-19, chamando a atenção para a realização dessa reunião num momento em que no “estrangeiro a situação continuava sombria e complexa”, enquanto que ali na China, em Pequim, o novo farol do sucesso dos comunistas na Terra, tinham sido conseguidas “grandes conquistas estratégicas“.

As notícias deste fim-de-semana do reaparecimento de um surto epidémico na capital chinesa e em Liaoning, com dezenas de casos de transmissão doméstica, e obrigando a novas medidas de confinamento, vêm colocar em causa a rapidez com que se propagandearam os tão aclamados êxitos.

Para desgraça de todos nós, e dos bodes expiatórios do regime, o mal continua por aí, à solta, em todo o mundo, embora mais nalguns países do que noutros.

Fosse em razão da adopção de estratégias tardias ou erradas, como aconteceu na China e na Europa, fosse por manifesta ignorância e irresponsabilidade dos dirigentes, casos do Brasil e dos Estados Unidos da América, o que as notícias que chegam de Pequim realçam é a importância do combate global e da necessidade de não se baixar a guarda, ainda que não se possa levar o resto da vida confinado e com tudo parado.

E também há uma outra lição: a de que antes de se quererem retirar dividendos políticos do combate ao vírus, esquecendo o que se silenciou nas primeiras semanas, criticando-se os outros países para se enaltecerem êxitos próprios quando a situação ainda não está limpa, ignorando-se que elogio em boca própria é vitupério, também devia ter havido contenção na propaganda.

Como não houve, com o retrocesso que se verifica, o qual deverá ser também atribuído a quem reclamava as “grandes conquistas estratégicas” (“[t]he fundamental reason behind China’s solid progress in epidemic prevention and control as well as work and production resumption lies in the advantages of the CPC leadership and the socialist system“), os foguetes terão de ser engolidos, importando voltar à luta contra esse flagelo da pandemia.

10 comentários em “Fintados pelo covid-19”

  1. “Fosse em razão da adopção de estratégias tardias ou erradas, como aconteceu na China e na Europa, fosse por manifesta ignorância e irresponsabilidade dos dirigentes, casos do Brasil e dos Estados Unidos da América”

    Que pérola de propaganda. Qual é a irresponsabilidade dos dirigentes nos EUA. O Governador de Nova Iorque?

    Mas na Europa dos records foram “erros”…

    lucklucky

  2. Das duas três:
    -Ou o vírus é de origem natural e a natureza tem algumas na manga,
    -Ou o vírus foi fabricado em laboratório e é uma linda obra, sim senhor,
    -Ou algum extra-terrestre resolveu fazer umas experiências cá no aviário.
    De qualquer uma das formas estamos feito ó bife.

  3. Pois, já lá vai muito tempo que a culpa das pandemias seriam os judeus, as bruxas ou os espanhóis.
    Por acaso a gripe espanhola nada teve a ver com os espanhóis, mas dava jeito culpar os espanhóis naqueles anos.
    Agora dá jeito culpar os chineses. Não tarda muito, aliás já há padrinhos, para baptizarmos a covid19 para gripe chinesa.

  4. Dessa já sabia, assim como de muitas outras.

    “Coronavirus (COVID-19) deaths in Italy as of June 3, 2020, by age group”
    http://prntscr.com/t05asy (imagem colhida em https://www.statista.com/)

    “Death rates for COVID-19 in New York City as of June 14, 2020, by age group(per 100,000 people)”
    http://prntscr.com/t05dnw (imagem colhida em https://www.statista.com/)

    Que na generalidade dos países europeus, Portugal incluído, assim como na generalidade dos estados dos EUA, com particular ênfase no estado de Nova Iorque, se andaram a mandar doentes infectados para lares de idosos, resultando que 30% – 50% do total de óbitos tenha ocorrido no seio dessas instituições, também já sabia. Erro fortuito? Manifesta incompetência? Deliberação propositada e dolosa?

    Que o uso de máscara (ou outra qualquer barreira a cobrir o rosto) se devia ter tornado obrigatório desde o início em todos os recintos fechados, públicos ou acessíveis ao público, também já sabia. Andei cerca de 2 meses a advogá-lo neste blogue, afirmações consubstanciadas em números e artigos científicos. Enquanto isso, indivíduos, organizações nacionais, internacionais e mundiais, defendiam que a medida não era eficaz. Erro fortuito? Manifesta incompetência? Deliberação propositada e dolosa?

    Hoje, numa reviravolta de 180º, até nas praias, locais bem ventilados e expostos ao maior germicida e virucida ambiental que a radiação ultra-violeta constitui, as usam. E com isso provam, é minha convicção, que tão tolos são hoje como eram antes.

    Que a hidroxicloroquina, particularmente quando em associação com zinco, promove a inibição do mecanismo de replicação intra-celular de coronavírus e outros, também já sabia. Artigos científicos como “Zn2+ Inhibits Coronavirus and Arterivirus RNA Polymerase Activity In Vitro and Zinc Ionophores Block the Replication of These Viruses in Cell Culture”, “Chloroquine Is a Zinc Ionophore”, “THE EFFICACY OF CHLOROQUINE DERIVATIVES IN COVID-19: A META-ANALYSIS BASED ON THE FIRST AVAILABLE REPORTS”, “Improving the efficacy of Chloroquine and Hydroxychloroquine against SARS-CoV-2 may require Zinc additives – A better synergy for future COVID-19 clinical trials”, “Hydroxychloroquine and azithromycin plus zinc vs hydroxychloroquine and azithromycin alone: outcomes in hospitalized COVID-19 patients”, etc., comprovam-no.

    Contudo, bastou um artigo publicado no The Lancet, com base em dados “fabricados”, onde a hidroxicloroquina era diabolizada, para se suspenderem todos os ensaios clínicos e se suprimir dos protocolos de tratamento a “malvada”. Entretanto, o The Lancet já procedeu à retratacção do referido artigo neste outro artigo “Retraction—Hydroxychloroquine or chloroquine with or without a macrolide for treatment of COVID-19: a multinational registry analysis”. Os ensaios clínicos foram retomados e a “malvada” voltou aos protocolos de tratamento. Mas não deixa de ser curioso que, dos mais de 170 ensaios clínicos em curso que a envolvem, apenas um par deles inclua também o zinco. Erro fortuito? Manifesta incompetência? Deliberação propositada e dolosa?

    E sobre o papel da vitamina D no desempenho do sistema imunitário, já nem vou escrever. Já o fiz neste blogue, já apresentei artigos científicos, estou cansado e a informação está toda ao alcance de uns clicks. Quem quiser que a procure.

    Sobre os danos colaterais da paragem forçada da economia e dos sistemas de saúde, traduzidos em excessos de mortalidade não atribuíveis ao vírus, idem.

    1. https://edition.cnn.com/2020/06/15/politics/fda-hydroxychloroquine-coronavirus/index.html

      FDA revokes authorization of drug Trump touted
      By Jacqueline Howard, Arman Azad and Maggie Fox, CNN
      Updated 2144 GMT (0544 HKT) June 15, 2020
      (CNN)The Food and Drug Administration has revoked its emergency use authorization for the drugs hydroxychloroquine and chloroquine for the treatment of Covid-19.

      Hydroxychloroquine was frequently touted by President Donald Trump, and he has claimed to have used it himself.
      After reviewing the current research available on the drugs, the FDA determined that the drugs do not meet “the statutory criteria” for emergency use authorization as they are unlikely to be effective in treating Covid-19 based on the latest scientific evidence, the agency noted on its website on Monday.
      “FDA has concluded that, based on this new information and other information discussed in the attached memorandum, it is no longer reasonable to believe that oral formulations of HCQ and CQ may be effective in treating COVID-19, nor is it reasonable to believe that the known and potential benefits of these products outweigh their known and potential risks,” FDA chief scientist Denise Hinton wrote in a letter to Gary Disbrow of the Biomedical Advanced Research and Development Authority (BARDA) on Monday. Hydroxychloroquine and chloroquine have been tied to serious cardiac events as well as other side effects among Covid-19 patients.
      “Accordingly, FDA revokes the EUA for emergency use of HCQ and CQ to treat COVID-19,” Hinton wrote in the letter, using abbreviations for hydroxychloroquine and chloroquine. “As of the date of this letter, the oral formulations of HCQ and CQ are no longer authorized by FDA to treat COVID-19.”
      Doctors can continue to legally prescribe the drugs off-label, as they can with any drug that’s approved for other conditions. The FDA’s emergency use authorization for hydroxychloroquine and chloroquine was narrow in scope, applying only to hospitalized Covid-19 patients and only to drugs donated to the Strategic National Stockpile.
      The FDA on Monday also warned against giving chloroquine or hydroxychloroquine to patients who are also getting remdesivir, the one drug that has any authorization for use in treating coronavirus.
      Mixing remdesivir, an infused antiviral drug made by Gilead Sciences Inc., and either controversial drug could reduce the effectiveness of remdesivir, the FDA warned.
      “The agency is not aware of instances of this reduced activity occurring in the clinical setting but is continuing to evaluate all data related to remdesivir,” the FDA said.
      In an open letter published late last month, FDA commissioner Dr. Stephen Hahn appeared to defend the agency’s decision to issue the authorization.
      LISTEN: The Coronavirus: Fact vs. Fiction Podcast
      “This decision was based on evaluation of the EUA criteria and the scientific evidence available at that time. We continue to look at the data on hydroxychloroquine and chloroquine and we will make future determinations on these products based on available evidence including ongoing clinical studies,” Hahn said in the letter last month.
      The emergency use authorization, or EUA, made it easier for pills donated to the national stockpile to be distributed to coronavirus patients.
      Hahn added in the letter that “we also knew it was important to help ensure a stable supply of the drugs for patients with lupus and rheumatoid arthritis given the increased demand.”
      In an interview with CNN last month, Hahn also defended his agency’s handling of hydroxychloroquine. He acknowledged the political climate surrounding the drug, but said, “I stand by our decisions because I think they are rooted in science and data, and we’ll continue to reevaluate.”
      The World Health Organization said on Monday that it is still reviewing the use of hydroxychloroquine in its Solidarity Trial, a multi-country clinical study of Covid-19 treatment options. The organization had temporarily paused the trial in May due to concerns surrounding the drug’s safety and in order to review its own data, but resumed the program earlier this month.
      Trump has been a frequent cheerleader for a combination of hydroxychloroquine and the antibiotic azithromycin as a Covid-19 treatment.

      1. He promoted the drugs dozens of times, despite pleas from scientists to let studies decide if the treatment worked or not, and has said he took hydroxychloroquine to prevent being infected with coronavirus.

        Despite the warnings from health experts, retail sales of the decades-old drug soared in recent weeks amid the growing public attention on the medication.
        This story has been updated to include additional background information.
        CNN’s Devan Cole contributed to this report.

      2. Afinal, o número de ensaios clínicos em curso que envolvem a hidroxicloroquina é agora 272, como pode verificar-se nesta imagem http://prntscr.com/t0nq6d cuja confirmação de autenticidade fica à distância de uns clicks.

        Contudo, como “Zn2+ Inhibits Coronavirus and Arterivirus RNA Polymerase Activity In Vitro and Zinc Ionophores Block the Replication of These Viruses in Cell Culture” e “Chloroquine Is a Zinc Ionophore”, artigos científicos anteriores a 2019, muito me espanta que apenas haja um número diminuto de ensaios em que se teste a associação hidroxicloroquina + zinco. Erro fortuito? Manifesta incompetência? Deliberação propositada e dolosa?

        Até porque “Improving the efficacy of Chloroquine and Hydroxychloroquine against SARS-CoV-2 may require Zinc additives – A better synergy for future COVID-19 clinical trials”, “Does zinc supplementation enhance the clinical efficacy of chloroquine/hydroxychloroquine to win today’s battle against COVID-19?”, “The Role of Zinc in Antiviral Immunity” e “Hydroxychloroquine and azithromycin plus zinc vs hydroxychloroquine and azithromycin alone: outcomes in hospitalized COVID-19 patients” apontam, entre outros artigos científicos, para a importância do zinco. Erro fortuito? Manifesta incompetência? Deliberação propositada e dolosa?

        É neste contexto e fruto da carta que aquele médico do estado de Nova Iorque lhe enviou, que o presidente dos EUA afirmou em conferência de imprensa que estava a tomar hidroxicloroquina associada a zinco. Dessa conferência de imprensa desconheço aquilo que a CNN terá apresentado, mas a BBC omitiu a parte onde é referido o zinco. Erro fortuito? Manifesta incompetência? Deliberação propositada e dolosa?

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