Finalmente


Sérgio de Almeida Correia,

Numa discussão política que tem estado ao nível mais rasteiro que se podia imaginar, e enquanto o primeiro-ministro, aproveitando a sua oferta que afinal não era bem uma oferta para liderar uma subscrição pública a favor dos lesados do BES, não promove uma petição pública para levar o assunto à Assembleia da República e desfazer as dúvidas, parece que finalmente há alguém que assume a responsabilidade pela vinda da troika. Ainda há gente responsável.

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      1. Culpas? A Troika é que permitiu pagar 1/4 dos ordenados e as pensões.
        A Troika salvou o regime do 25 de Abril e o seu socialismo=populismo.

        O défice no ultimo ano do Governo Sócrates-PS foi de mais de 12% do PIB.
        Como o Orçamento é cerca de 50% do PIB isto quer dizer que o Estado teve de pedir emprestado 1/4 dos seus gastos….25%
        25% dos gastos são mais de 3 meses de ordenados de um Funcionário Publico.

        Que PS e PSD se tenham engalfinhado a acusar o outro da vinda da Troika só demonstra o populismo do regime.

        Depois de mais esta lição de bancarrota – já vão 3 em 40 anos – e mais uma vez salvos pelo exterior demonstra-se outra vez que tudo se vai repetir daqui a uma ou duas décadas. A lição não serviu.

        Não aprenderam nada. Porque não querem que ninguém aprenda nada.
        Querem continuar a fazer o jogo do passado a comprar votos com dinheiro emprestado.

  1. Eu também quis a troika e qualquer pessoa de bom senso no principio de 2011 também quereria a troika. Mais uma vez a discussão está descentrada: interessa menos saber quem a chamou, parece inequívoco que foi o governo do PS, do que saber porque é que tiveram de a chamar.
    Não li o artigo do Santos Guerreiro porque não tenho acesso ao Expresso online, mas duvido muito que ele fale nos porquês da vinda da troika, porque está muito mais interessado nessa conversa de esplanada de saber quem é que chamou os credores internacionais.
    E porque é que o Expresso não está interessado em discutir as razões da vinda da troika? na minha modesta opinião porque o programa do PS nas suas linhas mais importantes, é decalcado das politicas que o Sócrates seguiu em 2009, 2010 e 2011, com o desfecho que conhecemos, e o mano Ricardo já entrou de cabeça no apoio ao mano António. Basta ver a 1ª página do último Expresso.
    Quanto aos defensores do PEC4, aconselho uma leitura atenta do mesmo. O que lá está no que diz respeito às metas do defice e da redução da despesa do estado, se fosse cumprido, o que eu duvido, seria muito mais gravoso para os portugueses do que foi o PAEF.
    Os portugueses, depois do que têm passado nos últimos anos merecem um bocadinho mais de respeito pelas suas inteligências e pelo bem estar que vão recuperando.

    1. Parte 1

      Fui eu que chamei a troika – Pedro Santos Guerreiro
      É preciso ter nascido ontem para engolir que o PSD não quis a troika em 2011. E é preciso ter passado por morte cerebral para aceitar que não foi o PS a chamá-la. Claro que foi, forçado por vários grupos, incluindo o PSD e a banca, mas sobretudo forçado pelas circunstâncias que a sua própria incompetência e negacionismo criaram. Adaptando uma famosa frase de Napoleão*, vemos agora a história do “quem chamou a troika” transformar-se num conjunto de mentiras sobre as quais jamais estaremos de acordo. Mas é simples: o PSD quis mas não chamou; o PS não quis mas chamou. Basta ler o livro “Resgatados”, de David Dinis e Hugo Filipe Coelho, está lá tudo exatamente como foi. A única polémica que permanece é a história do PEC IV: o PSD mentiu quando se disse surpreendido pelo plano que Sócrates negociava em Bruxelas, assim justificando o seu estúpido chumbo. José Sócrates arruinou as contas públicas durante anos. Não errou em tudo, e nem sequer errou em tudo que então parecia errado. Um exemplo: o complemento solidário para idosos foi então altamente criticado por ser uma esmola eleitoralista que alargaria a despesa pública quando a derrapagem já se pronunciava. No “altamente criticado” estou a incluir-me: critiquei-a então por esses motivos. Em retrospetiva, reconheço que a medida foi boa. A pobreza entre os mais velhos decresceu precisamente por causa dessa medida, dirigida a um grupo etário com poucas possibilidades de ter rendimento adicional. Sócrates só chamou a troika quando não pôde mais não chamar e quando o fez já não havia alternativa É uma exceção à regra. As contas públicas estavam descontroladas, com défices sucessivos, endividamento galopante e crescimento fraco. As obras públicas, sobretudo nas estradas, foram cimento sobre o caixão que já existia, o dos custos das PPP. Foi tudo empurrado para o futuro. Empurrado e agravado. Empurrado, agravado e escondido. A dívida desorçamentada das empresas públicas, os negócios fictícios com imobiliário do Estado, o custo adiado das SCUT… Dizer que foi a Europa que nos mandou arruinar-nos é chamarmo-nos de estúpidos. É claro que foi a crise do euro que nos derrubou, mas só apressou o derrube: estávamos vulneráveis, sobre-endividados e dependentes de financiamento externo. Foi assim que, de PEC em PEC, chegámos a 2011.

    2. Parte 2

      Barroso e Sócrates negociaram em Bruxelas um plano para evitar o resgate e esse plano deveria ter sido adotado, não porque garantisse uma solução mas porque comprava tempo para que a própria Europa conseguisse desenhar um modelo de intervenção diferente daquele que, um ano antes, iniciara um desastre na Grécia. Foi aí que o PSD fez o que fez: disse que desconhecia aquilo a que tinha dado acordo prévio e criou uma crise que acabaria nas eleições. Sim, o PSD quis a troika, porque viu nela não só uma oportunidade para eleições antecipadas mas também porque legitimava um programa com que o liberal Passos Coelho concordava. E concordou. Como muitos concordaram, fosse pela falta de alternativa, fosse pela esperança de que, ao menos, a troika servisse para libertar a economia (e a sociedade) das redes de poder político-empresariais que a consumiam em proveito próprio. O pedido está assinado num papel, com os nomes do PS e do PSD, e sem a assinatura do Presidente da República: Bruxelas quis que Cavaco o assinasse para reforçar o apoio político, Cavaco não se comprometeu. Sócrates só chamou a troika quando não pôde mais não chamar e quando o fez já não havia alternativa. Teixeira dos Santos assumiu o ónus do pedido e acabou cobardemente ostracizado no PS. E só depois de os banqueiros desfilarem um cortejo do “tem de ser”, porque, sabemos agora, a banca também precisava desesperadamente da troika. A elite empresarial, o PSD, os bancos e grande parte da opinião publicada assumiram então que não havia alternativa à troika. Naquela altura, naquele mês de maio, já não havia. Portugal já não tinha tempo para mais e a Europa ainda não tinha tido tempo para outro modelo de intervenção, como mais tarde teve para Espanha. O dia do pedido de intervenção foi um dia muito triste para Portugal, mas não havia nesse dia alternativa, mesmo sabendo da destruição que aí viria. Disse esta mesma frase nesse dia. Por isso, se quiserem, digam que fui eu. Mas preocupassem-se mais em evitar uma discussão daqui a meia dúzia de anos sobre quem chamou a troika outra vez. * “A história é um conjunto de mentiras sobre as quais estamos de acordo”, Napoleão Bonaparte.

      1. Agradeço a sua atenção. PSGuerreiro expõe neste artigo o seu ponto de vista que é respeitável, mas há duas ou três coisas que me parecem incontornáveis: não foi o complemento dos idosos que levou a divida para níveis estratosféricos, foram as politicas levadas a cabo ao longo de seis anos pelo PS; o PSD apoiou três PECs apresentados em menos de um ano e nunca cumpridos; quem é que garantia que o governo socialista cumpriria o PEC4, o plano Barroso, ou o que quer que seja? o que seria deste país se Sócrates tivesse continuado no governo por mais um ano?
        Perante tudo o que Sócrates disse que ia fazer e não fez em 2010 e 2011, exigir ao maior partido da oposição que se mantivesse mansinho à espera da próxima jogada do 1º ministro de então, como parece sugerir PSG, parece-me que já era pedir demais. Passos Coelho viu uma oportunidade de por um lado livrar o país do Sócrates e do seu governo minoritário e por outro ganhar as inevitáveis eleições que se seguiriam e aproveitou-a. A isto chama-se fazer politica.
        Pensar que Portugal e os portugueses poderiam sair do buraco onde os socialistas os meteram sem passar por algo parecido com o que passaram, parece-me uma enorme falácia em que PSGuerreiro acredita. Para além do mais, os problemas da Espanha não eram de excesso de divida nem de despesa publica, tinham mais a ver com o sistema bancário.
        Portanto o pecado que PSGuerreiro aponta a Passos Coelho é não ter continuado a apoiar as politicas suicidárias do governo socialista à espera que viesse a mulher da fava rica. Em boa hora o fez, e pese embora os inevitáveis sacrificios que todos tivemos de fazer, e relevando alguns erros que foram sendo cometidos ao longo deste quatro anos, por mim está absolvido. E também pela maior parte dos portugueses, espero eu.

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