Fim de semana (3)


Pedro Correia,

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Há praias da minha infância a que regresso sempre com gosto. Umas mais longe de Lisboa, outras bastante mais perto. Entre estas, nunca desperdiço uma oportunidade de rumar à Praia das Maçãs. Mesmo no auge do Verão, o sol aqui não nos agride com calor excessivo. Também não costumo encontrar nestas paragens as tradicionais enchentes que contaminam outras rotas balneares.

Mergulho, por aqui, não apenas no mar. Mas também à mesa, no acolhedor Neptuno que jamais nos desilude. Almoço tardio com a praia a nossos pés e as vagas oceânicas lá mais adiante. Almoço sem pressas nem relógio nem testes nem certificados nem notícias do desgoverno. 

Depois há que regressar a Sintra. Mas não por asfalto: vamos no velho eléctrico, inaugurado em 1904. Quarenta e cinco minutos de deslumbrante trajecto entre o Atlântico e a histórica vila imortalizada por Eça e Byron. Banzão, Colares, Galamares, serra acima até à Estefânia. Outra maneira – mais calma, mais pausada – de contemplar estas paisagens. Que bem merecem ser visitadas: são um bálsamo para a vista e para o espírito.

13 comentários em “Fim de semana (3)”

  1. Tenho as mesmas memórias, ainda que cronologicamente diferentes, por certo. Tempos em que se fazia férias em Sintra e íamos todos, mais a cadela, de eléctrico até à praia das Maçãs. O cheiro da maresia que recordo, é esse, não é o do Monte Estoril, onde vivi. Imagino que a diferença está no detalhe das “férias” e do eléctrico e de parecer “uma viagem”.

    1. O Tobias era músico e um castiço. Grande amigo do meu pai, tinha uma casa no Funil Gordo.
      Éramos aos 20 de cada vez ! Ao lado da casa do canto, havia uma propriedade em ruínas que nos entretínhamos a explorar, com azulejos espectaculares e um dédalo de divisões, escadas e escadinhas. A praia era um gelo, por isso ia toda a malta para as piscinas da Praia das Maçãs, não sem antes nos atafulharmos com os melhores suspiros do mundo!
      Todos os anos vou de passeio no eléctrico que sai de Sintra até à Praia das Maçãs e depois vou a pé, até às Azenhas do Mar, passando pela casa dos fins de semana mágicos, já com novos donos e sem o fascínio da Art Nouveau.

      1. Nas Azenhas, lá em cima no Pôr-do-Sol e cá em baixo no restaurante das piscinas, partilhei alguns dos melhores repastos da minha vida. Há um belo romance de Vergílio Ferreira, Até ao Fim, que associo sempre às Azenhas.
        A casa dele era lá perto, em Fontanelas.

      1. Meta aí mais uma. Praia do Magoito. Eu sou suspeito porque é onde moro, mas vale a visita, para quem gosta de uma natureza mais selvagem.

      2. Sim, a maresia de que me recordo é a da Praia das Maçãs, de manhã cedo e indo de eléctrico. Na altura era uma brincadeira pegada e recordo-me da família Lamas Pimentel que acompanhava sempre essa viagem.
        Ainda foram restos de infância
        A pré-adolescência aconteceu na piscina da Praia Grande, com o meu avô que tinha acabo de ficar viúvo da minha avó.
        Acho que era uma “lolita” sem me dar conta… ehehe Já devia ser passagem de Zazie para Sally Mara 😉

        1. A Praia Grande – e a sua incomparável piscina oceânica – merece tratamento autónomo nesta minha série, que depende muito daquilo que o desgoverno for providenciando para prosseguir no atentado aos empresários hoteleiros e da restauração do País.
          Há-de passar por cá, seguramente.

  2. Certamente o Pedro Correia foi até Sintra dançar o malhão na festa ilegal de ontem de 300 pessoas e agora veio para aqui fazer uma penitência moral.

    Lena Coelho

  3. Sim, com o calor que estava ontem a praia das Maçãs era um local muito aconselhável. Na maior parte dos outros dias do ano, incluindo do verão, é muito fria e húmida, porventura desagradável. Ontem esteve mesmo um dia ideal para rumar para lá.

  4. É uma zona muito bonita com a serra mesmo ali ao lado. O Parque de Monserrate é óptimo para levar as crianças, passámos lá um domingo inteiro durante o Verão de 2019, calmo, pois mesmo então não havia demasiada gente. Em Lisboa estavam uns 30 graus, em Sintra uns 20, no topo onde o vento imperava e a costa se estendia ante os nossos olhos sentíamos praí uns 16. Uma maravilha. Gosto muito de todo esse troço de costa até à Ericeira, esta última infelizmente já foi parcialmente descaracterizada pela invasão imobiliária.

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