Fim de semana (10)


Pedro Correia,

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O dia pode estar cheio de sol, as praias circundantes podem estar cheias de gente, mas aqui respira-se tranquilidade e silêncio. A entrada é gratuita, o acesso é fácil, mas quase não se encontra ninguém no Forte de Santo António da Barra, edificado no final do século XVI para reforçar o sistema defensivo da foz do Tejo. Chegou a albergar uma guarnição de 46 militares, que foi diminuindo com o correr do tempo, acompanhando a perda do poder de fogo das peças de artilharia aqui instaladas.

Danificado pelo terramoto de 1755, foi sendo alvo de sucessivas obras de recuperação. Em 1889 ficou ao serviço da Guarda Fiscal e a partir de 1915 – durante um século exacto – acolheu o campo de férias do Instituto Feminino de Educação e Trabalho de Odivelas. Já estava classificado como monumento de interesse público, desde 1977, quando ficou vago, há quase sete anos.

Visitaram-no pessoas célebres, não apenas nacionais como estrangeiras. Sobretudo desde 1950, quando o núcleo central destas instalações passou a ser escolhido por Salazar para residência temporária, durante parte do Verão. No início de Agosto de 1968, aqui ocorreu a queda da cadeira que em definitivo o impossibilitou de continuar no poder, a partir do mês seguinte.

É um cenário cinematográfico. De uma beleza ímpar pelo panorama que se desfruta – da barra do maior rio ibérico até ao extremo da baía de Cascais, com a margem sul a rasgar-se no horizonte. Os terraços estendem-se sobre o azul oceânico. Mas é tudo o que aqui existe: muralhas, paredes históricas, paisagem inesquecível. Tudo o resto – na posse do Ministério da Defesa – acabou destruído ou retirado sabe-se lá para onde. O forte foi pilhado, danificado, vandalizado antes de ser confiado à Câmara de Cascais, que o tem reabilitado desde 2018 – há muitas fotos que documentam o estado de destruição a que chegou.

Aqui poderia instalar-se um núcleo museológico, com visitas guiadas: mal ou bem, uma parte da História portuguesa teve estas paredes agora solitárias por testemunhas. Talvez venha a ocorrer. Para já, o esforço da recuperação continua. Já basta para recomendar uma visita. O forte fica junto à estrada marginal, em São João do Estoril. Lá dentro, parece que o tempo parou.

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11 comentários em “Fim de semana (10)”

  1. Belas fotos. Consolam e rejubilam a alma.
    O espírito dos lugares antigos, mesmo não monumentais, emocionam.

  2. Mais núcleos museológicos?! Isso costuma ser reivindicação de comunistas.

    Dava bem para um hotel de charme. Ou para uma pousada de juventude.

  3. E esta, hein?
    Às 01H50 do dia 15-11-2021 é que passei a saber, e apostava tudo, que o “queda da cadeira” passou-se no Forte de Santo António da Barra, que nem fazia a ideia que existia,
    Estava convencido ter sido no Forte de Julião da Barra, provavelmente por ligação a uma fotografia de Eduardo Gageiro.

  4. Vendiam aquilo a um promotor imobiliário para transformar em apartamentos de luxo, preservando os exteriores.
    Ganhava-se o dinheiro da venda e deixava-se de ter a despesa contínua de manter aquilo.
    Se os castelos do Reno são propriedade privada, não há razão para que estes fortes à volta de Lisboa não o sejam também.

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