O Secretário de Estado da Administração Interna disse que não podemos esperar pelos bombeiros: “Têm de ser as próprias comunidades a ser proactivas e não ficarmos todos à espera que apareçam os nossos bombeiros e aviões para nos resolver os problemas. Temos de nos autoproteger”. Traduzindo para português corrente, amanhem-se.
Já a Ministra da Administração Interna foi mais uma vez uma cornucópia de inanidades sem freio. Avisou o país de que “as comunidades têm de ser tornar mais resilientes às catástrofes”. Portanto, poucas lamúrias. Aliás, nada como a própria para dar o exemplo: “Para mim seria mais fácil, pessoalmente, ir-me embora e ter as férias que não tive.”
O Primeiro-Ministro podia salvar a honra do convento – ou pelo menos tentar -, mas decidiu amarrar-se politicamente ao quadro de miséria. Logo de manhã, perante uma pergunta incómoda de uma jornalista, pediu que não lhe provocassem o riso. Lamentavelmente, o cenário não era propício à galhofa, mas António Costa parece que teve opinião diferente. Depois, partiu para um aviso à navegação do povo português: habituem-se porque isto vai acontecer novamente. E não há “soluções mágicas” – talvez existam soluções técnicas e políticas, embora sobre estas o Primeiro-Ministro nada tenha dito. Não satisfeito, o Primeiro-Ministro colocou a cereja no topo do bolo quando, “naturalmente”, garantiu que a sua Ministra da Administração Interna tem condições para se manter no lugar, e classificou como infantis aqueles que pedem a demissão de Constança Urbano de Sousa.
Entretanto, à medida que o dia avançava, a área ardida crescia e o número de mortos aumentava. O Primeiro-Ministro anuncia então ao país que falará às 20 horas. Criada a expectativa, a António Costa pediam-se mínimos olímpicos: (i) distanciar-se da sucessão de indecências ditas por ele e pelos seus colegas de Governo; (ii) pedir desculpa ao país porque, afinal, é missão inalienável do Estado garantir a segurança de pessoas e bens e já vamos em 100 mortos num espaço de 4 meses.
Mas não. Tudo como d’antes, quartel-general em Abrantes. Na sua comunicação ao país, o Primeiro-Ministro limitou-se a repetir o que tinha dito depois do incêndio em Pedrógão. Não há consequências, não há lições, não há pedidos de desculpas. Por outras palavras, é favor circular porque não há nada de novo ou de relevante para ver. Por vontade própria, António Costa fica irremediavelmente amarrado à tragédia dos incêndios de 2017 e à inépcia que o próprio escolheu para tutelar o Ministério da Administração Interna.
A autoridade do Governo em matéria de segurança interna acabou ontem à noite.

O outro também afirmava:
– ” Não sejam piegas” – portanto o mesmo discurso.
Um e outro são separados por diferenças de monta, uma delas está nos 100 mortos e na área ardida.
Cheio de razão, Diogo.
Aceito a crítica e absolutamente a lastimo, salientando que PPC se situa num patamar de maior dignidade face à postura desumana, antipática e fria de A. Costa aquando do seu discurso de ontem perante o infortúnio das mortes e do terror vivido por muitos.
Se a autodefesa fosse uma medida de política – definida, promovida, apoiada – por um Estado que sabe não haver meios de resolver grandes males, teria o meu apoio.
Agora, em cima de tanto desleixo e erro, com 100 mortos, não passa de uma cínica, odienta e miserável escapatória de um governo sem vergonha.
Se fosse na Galiza, onde houve quatro mortos, já Costa tinha multidões na rua a exigir-lhe que se demitisse. cg/galicia-volvio-entonar-nunca-mais/idE dicion-2017-10-17/idNoticia-1078578/
http://www.elcorreogallego.es/galicia/e
Não creio que o mercado eleitoral da geringonça tenha sido especialmente afectado pelo sucedido. Pequenos proprietários agrícolas, pequeno empresariado local, não engrossarão particularmente essa fileira. Será maior o potencial entre idosos e pensionistas, talvez, mas o total afectado será sempre baixo, perante os “grandes números”: não conta no universo de votantes em causa.
Se houve funcionalismo público afectado, poderá ter perdido os instrumentos de trabalho, poderá até ter perdido a casa e o carro, mas, ainda que a “repartição” tenha ardido e sido destruído o tractor da câmara, sabe que não perdeu o emprego que, graças à geringonça, em breve até vai representar menos horas semanais e mais dinheiro por essas menos horas. Tudo visto, dará graças a Deus, talvez, e seguramente a um governo que até lhe deu notícias de esperança no futuro. Por aí, tudo bem quanto a votos.
Como vemos já anda aí fortalecida a Verdade de que a reforma da floresta era há anos heroicamente reclamada por A. Costa. O mesmo que há meses a mandou fazer e nos termos épicos em que um ministro a apresentou (e é claro que não se resolve em meses um problema de décadas!).
E quem o afirma terá sempre voz mais alta, no actual estado de coisas, do que quem, por exemplo, aponte a mera divisão da ocupação do poder nos últimos vinte anos (actual primeiro-ministro incluído). E depois há a frágil figurinha da senhora ministra, coitadinha, senhora tão delicada, tão compungida, tão preocupada e tão incompreendida (nem férias gozou!); felizmente o senhor secretário de estado engrossou a voz (vamos lá para as matas, com a mangueira da horta na mão!) e o senhor primeiro-ministro abriu-nos os olhos para a realidade com a frieza da rédea-curta (haja quem mande!).
E eles, lá em Lisboa, é que estudaram, eles é que “têm os livros”. E deles virá, mesmo que tarde e más horas, pouco e decerto taxado, o mendicado subsídiozinho que – na tragédia ou na felicidade – é o grande farol da existência do povinho.
O povo é o que é. Mesmo insultado por três governantes, no espaço de poucas horas e em momento de aflição extrema, vem aí a próxima “jornada” do campeonato. Em breve será isso e prioridades afins o que interessará.
As coisas estão para ficar.
Costa
Precisamente, caro Costa!
O que une governantes e governados não é o mandato politico que estes dão àqueles. É antes uma licença do desprezo.
Relembrando outros tempos de cores idênticas:
“Deixo um grande apelo às crianças e às famílias que, aproveitando a contenção que é preciso fazer, para fazerem sopa em casa”
Qual a admiração, meus caros?? O Rovisco Pais, creio que sem Rovisco no papo, não garanto, disse que a tarefa de custódia dos equipamentos e consumíveis das Forças Armadas era responsabilidade de todos os portugueses, não apenas ou só das Forças Armadas!! Com exemplos destes, meus caros, o céu é o limite! É maravilhoso quando a vida imita a arte!!
Será que esta gente já nasce assim?
Por falar na tropa….aqueles tipos dos Comandos já foram julgados? O Estado já indemininzou as famílias?
Por falar em Rovisco…está em promoção no Continente. Vale a pena. …sabor a chocolate, redondo de boca com final prolongado. ….é o que todos dizem , não é?
O Rovisco Pais, está uma maravilha. Já açambarquei para o Inverno!!
Quanto à tropa não sei, caro Vlad! Não estou a par, mas estou em crer que, se depender do governo, mais depressa receberão tais compensações as suas famílias que os de Pedrógão. É que os riscos, já se sabe, eram conhecidos para os silvicultores que, animados pela insana cupidez, acumulavam riqueza à base de pinheiros e eucaliptos, ao passo que os comandos querendo servir o Estado não estarão, certamente, sujeitos a riscos!!
O que mais me surpreende nas palavras do SE é a expressiva e desembraiada ignorância do comentário!! É, verdadeiramente, de quem não conhece nada de gente. Mas acaso, e em tempo algum, foi falha a fibra de instinto de dar combate espontâneo ao fogo na defesa de bens e propriedade!? Mas alguma vez se quedou um tipo inerme e especado à vista do fogo que lhe ameaça casa e sustento, em trégua à espera de bombeiros!!?? Saberá ele explicar a proactividade a comunidades que, com labor, esforço, sacrifício pessoal e de fazenda e interesse esclarecido, regra geral há mais de meio século, mantêm, precisamente, nas suas localidades, serviços de bombeiros voluntários!!!
O Costa revela na tragédia das crises a súcia de incompetentes que lidera com a vergonhosa altivez de um reles tiranete de outro regime falhado.
Quão pouca dignidade resta a este pequenino país…