Mandou que não fosse ninguém de máscara no 25/4 e apressou-se a forçar todos a usar máscara logo depois disso. Possuído de excesso de zelo, como se competisse ao presidente da AR impor códigos de indumentária facial aos deputados. Antes e depois. Simplesmente ridículo.
Ontem mesmo, no parlamento espanhol, a homóloga de FR presidiu sem máscara alguma ‘a longa sessão em que foi debatido e aprovado o prolongamento do estado de emergência. Nem ela nem os membros do governo nem quase nenhum deputado tinham máscaras. O que se compreende: o parlamento lá, tal como o daqui, é um dos locais mais desinfectados do país. É desinfectado por funcionários devidamente protegidos quase de minuto a minuto.
Este viracasaquismo de FR sobre a máscara é bem o espelho de uma certa classe política, capaz de defender tudo e o seu contrário com poucos dias de intervalo. Não admira que haja cada vez mais cidadãos divorciados da política e dos políticos.
Hmmm… portanto, o Pedro acha bem que os deputados possam não usar máscaras, à custa de uns pobres funcionários que, “devidamente protegidos” (o que na prática quer dizer, todos vestidos como se estivessem a combater a ébola em África, com todo o trabalho e despesa que dá usar aqueles fatos), passam a vida a desinfetar o parlamento?
Eu diria que sempre é preferível exigir que os deputados não conspurquem o parlamento, para que os funcionários inferiores não tenham que estar constantemente a limpá-lo.
Ontem mesmo, no parlamento espanhol, a homóloga de FR presidiu sem máscara alguma ‘a longa sessão em que foi debatido e aprovado o prolongamento do estado de emergência. Nem ela nem os membros do governo nem quase nenhum deputado tinham máscaras.
Eu diria que os deputados e os membros do governo espanhol não deram nada bom exemplo. Então no país que impôs o mais ditatorial confinamento da Europa, em que nem as crianças eram autorizadas a sair à rua, os deputados permitem-se agora passear pelo parlamento sem ao menos usar uma máscara? Então esses deputados e esse governo impõem aos outros uma feroz ditadura, e não são capazes de suportar eles mesmos o ligeiro incómodo de uma máscara?
Parece-me muito mal, senhores deputados e governantes de Espanha!
Não consta que a presidente da Câmara dos Deputados espanhola, a socialista catalã Meritxell Batet, andasse a fazer proselitismo anti-máscara, como fez o seu correligionário e homólogo português. Limita-se a não usá-la no hemiciclo, que se encontra hiper “higienizado”.
Mal – ou melhor, péssimo – é fazer como Ferro Rodrigues. Que numa semana bateu no peito à Tarzan, mandando às malvas as máscaras e desprezando-as até ao utilizar a expressão “mascarado”; e na semana seguinte apareceu no hemiciclo como a foto demonstra.
Passando assim, em poucos dias, de Tarzan a Tarzoon.
Ferro disse que não seria obrigatório usar máscara nas cerimónias do 25 de Abril, não disse que seria proibido.
Na altura não era obrigatório usar a máscara em ambientes fechados, hoje é.
Ferro Rodrigues provavelmente não gosta de usar máscara mas é obrigado pela lei.
Não me parece que não gostar de usar máscaras seja crime – se fosse assim o mundo dividia-se entre criminosos e doidos. Crime seria o presidente da AR não cumprir a lei.
Não há nenhuma lei que estipule isso. Aliás, se houvesse, seria uma lei que chamaria incompetente (no mínimo) ao FR que disse não querer ver máscaras no plenário da AR no 25/4. Não foi há dois anos nem há dois meses. Foi só há duas semanas.
Não foi isso que Ferro disse, vá lá ver. Disse que não era obrigatório usar máscara, o que são coisas diferentes.
Quanto a si não sei mas nunca tomei Ferro Rodrigues por especialista em saúde pública. Mal estávamos se para presidente da AR só pudesse ir um tipo que soubesse tudo. Além disso é um assunto bastante controverso já que várias organizações que têm o dever de saber de saúde pública já apresentaram opiniões diferentes, por exemplo a OMS a DGS a OE.
Rodrigues disse, taxativamente, que não queria “mascarados” (linda expressão) na sessão do 25/4. Os desejos dele funcionaram como ordem: de facto, não houve mascarados. Menos de duas semanas depois, a mesma personagem torna obrigatório o uso de máscara por toda a gente no plenário. Como se São Bento fosse uma casa de doidos, à mercê dos caprichos da segunda figura do Estado: tira-a-máscara, põe-a-máscara…
O assunto é controverso, sim. Isto não invalida – antes reforça – que FR tenha agido mal antes e depois. Defendendo tudo e o seu contrário, a ver se alguma vez acerta.
Os desejos de um deputado do PS são ordens para toda a AR? Mal andam os deputados.
Penso que a AR não funciona como uma empresa em que o CEO manda e os outros obedecem.
Não é “um deputado”. É o presidente da AR, segunda figura do Estado e até substituto do PR nos impedimentos deste.
Bom dia Pedro Correia Que esteja tudo o melhor possível consigo Permita-se uma interpretação, “férrea”, mas com muita ferrugem…… António Cabral
Tenho andado mesmo distraído, não sabia que ele tinha afinal acabado por ir de máscara para a cerimónia do 25 de Abril, ganda nóia.
Mandou que não fosse ninguém de máscara no 25/4 e apressou-se a forçar todos a usar máscara logo depois disso.
Possuído de excesso de zelo, como se competisse ao presidente da AR impor códigos de indumentária facial aos deputados. Antes e depois.
Simplesmente ridículo.
Ontem mesmo, no parlamento espanhol, a homóloga de FR presidiu sem máscara alguma ‘a longa sessão em que foi debatido e aprovado o prolongamento do estado de emergência. Nem ela nem os membros do governo nem quase nenhum deputado tinham máscaras.
O que se compreende: o parlamento lá, tal como o daqui, é um dos locais mais desinfectados do país. É desinfectado por funcionários devidamente protegidos quase de minuto a minuto.
Este viracasaquismo de FR sobre a máscara é bem o espelho de uma certa classe política, capaz de defender tudo e o seu contrário com poucos dias de intervalo. Não admira que haja cada vez mais cidadãos divorciados da política e dos políticos.
Hmmm… portanto, o Pedro acha bem que os deputados possam não usar máscaras, à custa de uns pobres funcionários que, “devidamente protegidos” (o que na prática quer dizer, todos vestidos como se estivessem a combater a ébola em África, com todo o trabalho e despesa que dá usar aqueles fatos), passam a vida a desinfetar o parlamento?
Eu diria que sempre é preferível exigir que os deputados não conspurquem o parlamento, para que os funcionários inferiores não tenham que estar constantemente a limpá-lo.
Não acho nada.
Se achasse alguma coisa, era detective.
Ontem mesmo, no parlamento espanhol, a homóloga de FR presidiu sem máscara alguma ‘a longa sessão em que foi debatido e aprovado o prolongamento do estado de emergência. Nem ela nem os membros do governo nem quase nenhum deputado tinham máscaras.
Eu diria que os deputados e os membros do governo espanhol não deram nada bom exemplo. Então no país que impôs o mais ditatorial confinamento da Europa, em que nem as crianças eram autorizadas a sair à rua, os deputados permitem-se agora passear pelo parlamento sem ao menos usar uma máscara? Então esses deputados e esse governo impõem aos outros uma feroz ditadura, e não são capazes de suportar eles mesmos o ligeiro incómodo de uma máscara?
Parece-me muito mal, senhores deputados e governantes de Espanha!
Não consta que a presidente da Câmara dos Deputados espanhola, a socialista catalã Meritxell Batet, andasse a fazer proselitismo anti-máscara, como fez o seu correligionário e homólogo português. Limita-se a não usá-la no hemiciclo, que se encontra hiper “higienizado”.
Mal – ou melhor, péssimo – é fazer como Ferro Rodrigues. Que numa semana bateu no peito à Tarzan, mandando às malvas as máscaras e desprezando-as até ao utilizar a expressão “mascarado”; e na semana seguinte apareceu no hemiciclo como a foto demonstra.
Passando assim, em poucos dias, de Tarzan a Tarzoon.
Ferro disse que não seria obrigatório usar máscara nas cerimónias do 25 de Abril, não disse que seria proibido.
Na altura não era obrigatório usar a máscara em ambientes fechados, hoje é.
Ferro Rodrigues provavelmente não gosta de usar máscara mas é obrigado pela lei.
Não me parece que não gostar de usar máscaras seja crime – se fosse assim o mundo dividia-se entre criminosos e doidos. Crime seria o presidente da AR não cumprir a lei.
Não há nenhuma lei que estipule isso. Aliás, se houvesse, seria uma lei que chamaria incompetente (no mínimo) ao FR que disse não querer ver máscaras no plenário da AR no 25/4.
Não foi há dois anos nem há dois meses. Foi só há duas semanas.
Não foi isso que Ferro disse, vá lá ver. Disse que não era obrigatório usar máscara, o que são coisas diferentes.
Quanto a si não sei mas nunca tomei Ferro Rodrigues por especialista em saúde pública. Mal estávamos se para presidente da AR só pudesse ir um tipo que soubesse tudo.
Além disso é um assunto bastante controverso já que várias organizações que têm o dever de saber de saúde pública já apresentaram opiniões diferentes, por exemplo a OMS a DGS a OE.
Rodrigues disse, taxativamente, que não queria “mascarados” (linda expressão) na sessão do 25/4. Os desejos dele funcionaram como ordem: de facto, não houve mascarados.
Menos de duas semanas depois, a mesma personagem torna obrigatório o uso de máscara por toda a gente no plenário. Como se São Bento fosse uma casa de doidos, à mercê dos caprichos da segunda figura do Estado: tira-a-máscara, põe-a-máscara…
O assunto é controverso, sim. Isto não invalida – antes reforça – que FR tenha agido mal antes e depois. Defendendo tudo e o seu contrário, a ver se alguma vez acerta.
Os desejos de um deputado do PS são ordens para toda a AR? Mal andam os deputados.
Penso que a AR não funciona como uma empresa em que o CEO manda e os outros obedecem.
Não é “um deputado”. É o presidente da AR, segunda figura do Estado e até substituto do PR nos impedimentos deste.
Bom dia Pedro Correia
Que esteja tudo o melhor possível consigo
Permita-se uma interpretação, “férrea”, mas com muita ferrugem……
António Cabral
Bom dia, caro António Cabral. Daqui vai a minha chapelada. Não ao Ferro mas a si.
O homem da máscara do Ferro.
O novo romance de cordel do Alexandre Dámumas.
Ele baniu a palavra “vergonha” do léxico parlamentar para evitar escutá-la em momentos como este.
Não era Eça que dizia que “os políticos são como as fraldas”?
E não era também Eça que dizia que “os partidos elegem-nos e nós votamos neles”?
“Se bem me lembro”, era.
Se bem me lembro, esse era do Nemésio. Já nessa altura havia mau tempo no canal…