Fernando Seara anunciou a sua candidatura à Liga de Clubes. Ainda não fez um ano que foi eleito para exercer o lugar de vereador da Câmara de Lisboa para um mandato de quatro anos e já está a preparar-se para dar o salto, uma vez mais deixando enganados os eleitores que o elegeram para cumprir o mandato, depois de ter jurado a pés juntos que iria ficar na autarquia.
O homem que desde há anos é especialista em todas as áreas, nunca dando o dito por não dito, do comentário televisivo futebolístico à presença assídua em jornais, sem esquecer a militância política, primeiro no CDS, depois no PSD, passando pelo exercício de cargos partidários, parlamentares e autárquicos, a advocacia, gabinetes ministeriais, o exercício da docência e o conselho de opinião da RTP; e que ficou ultimamente conhecido por liderar o “comboios dos parolos” no Copacabana Palace, predispôs-se agora a ocupar a presidência da Liga de Clubes.
Os benfiquistas até podiam ter razões para estarem satisfeitos. Eu desconfiaria. O candidato é a imagem acabada da demagogia populista e um espelho da proximidade entre a política, a bola, a construção civil e a comunicação social. Por mais sério que seja, e consta que nesse aspecto é irrepreensível, é um daqueles casos em que a personalidade pública e o currículo académico, profissional e político acabam por falar contra si. Não por ser irrelevante, mas pela polivalência. Pela facilidade com que num estilo moluscóide salta de um lugar para outro e a tudo se adapta com um sorriso e uma palavra simpática. Se a tudo isso juntarmos uma passagem por um colégio universitário ligado aos franciscanos e uma escola militar, está encontrado o homem ideal para nadar no pântano do futebol nacional, fazendo acordos com o mesmo à-vontade a norte e a sul, no interior e no litoral.
Pelo menos desta vez não corre o risco de voltar a ser humilhado nas urnas com a camisola do PSD. Basta-lhe fazer as habituais promessas e negociar apoios, coisa que já começou a fazer prometendo um rendimento mínimo para os clubes e um pacote fiscal, tanto mais que a troika já fez as malas. Para quem diz que vai unir e credibilizar parece-me um mau começo. Ou bom, dependendo da perspectiva. Unir é capaz de conseguir, nem que seja pela distribuição de euros em tempo de vacas magras. Credibilizar, com o seu currículo e exemplos recentes, é que será outra conversa. Se no fim faltarem os euros para distribuir a culpa será do Governo, dos clubes, de alguém lá mais para a frente. E assim se vai perdendo o talento e o que ainda restava de simpatia pela personagem.

Nunca consegui perceber como é que um presidente de CM do terceiro maior município do país podia aparecer semanalmente (ou mesmo mais vezes) a comentar todas as irrelevâncias do futebol. A que horas é que lá pela CMS (e pelas restantes actividades) teria tempo e disponibilidade para se inteirar de todos os mexericos, todas as arbitragens, todas as faltas, todos os penaltis, todos os livres, todos os fora-de-jogo, todas as transferências, tudo o que tinha dito este e aquele dirigente ou treinador, etc, etc? E quanto a isto tanto me faz que possa ser do SLB como de outro clube qualquer.
E quanto ao que agora faz na CML estamos conversados. O mesmo que Santana Lopes, que passou lá um mandato (2009-2013) sem por ele se dar nem se saber o que achava sobre todo e qualquer assunto relativo a Lisboa.
Excelente, saboroso post.
Resta saber como é que o PSD e o CDS, partidos que apadrinharam a candidatura do senhor à Câmara de Lisboa, encaram esta situação. Porque não é só Seara quem deve ficar mal visto neste episódio. Quem o apoiou também deve.
Perguntem a António Costa, que quer fazer o mesmo. Ou a Sampaio, que já há muito usou Lisboa para promoção pessoal e dar o salto.
Torpedo!
Grande tiro, em cheio Homem !!!
porta aviões ao fundo 🙂
Não tenho opinião formada sobre esta candidatura, mas dizer que um vereador da oposição não se pode candidatar a um mandato na liga de clubes é não saber nada do papel inútil de um autarca naquele órgão como membro da oposição.
O problema é na lei existirem vereadores eleitos a fazerem oposição num órgão executivo… era como se um governo sombra da oposição tivesse assento num conselho de ministros… mas não, se forem deputados estão no parlamento e numa autarquia deveriam estar na Assembleia Municipal.
Carlos Faria,
Poder pode. E tanto pode que se candidatou. Escusavam era prometer quando sabem que não vão cumprir.
Não é caso virgem. Em Faro passou-se o mesmo na anterior vereação e com outro partido.
Como do Benfica já ele é acho que só lhe falta ser Beirão para o retrato ficar acabado.