Convencionou-se de tal maneira a “ponte” que liga os feriados mais convenientes ao fim-de-semana que, pelos vistos, ideias destas não fazem confusão a ninguém. Enfim, é uma medida para inglês ver – ou melhor, para alemão ver (alguém actualize o ditado, se faz favor). De uma penada, faz-se de conta que quando os feriados calham à terça ou à quinta o Governo é “obrigado” a dar a ponte de segunda ou de sexta, e coloca-se de lado a lógica subjacente ao próprio conceito de feriado. O que não deixa de ser interessante: por um lado, e com esta medida em prática, o Natal passa de facto a ser quando o Homem quiser (desde que queira entre 23 e 27 de Dezembro); por outro, vai ser divertido ver o velho slogan “25 de Abril, sempre!” quando o feriado for encostado a 24 ou a 26.
Feriados móveis
eventhorizon,

è um conceito que usa nos países mais civilizadados do MUNDO….
Portugal é sempre a mesma mer….esta porra parou no tempo!!!
Qual é o conceito que se usa nos países mais civilizados do mundo? O dos feriados celebrados nos dias certos, ou encostados aos fins-de-semana?
Por aqui, no Reino Unido, os feriados são encostados ao fim-de-semana, normalmente ás 2as-feiras. Concordo totalmente com esta mudança.
Certo. No entanto, continuo a achar que a ideia não faz qualquer sentido – independentemente de ser prática comum no Reino Unido e noutros países.
É certo que tal alteração implica uma mudança de paradigma. Mas não convém absolutizar.
Numa sociedade cada vez mais descristianizada, o apego a feriados religiosos torna-se absurdo. Por outro lado, grande parte deles são convenções (mesmo que milenares e universalizadas): Cristo não nasceu em 25 de Dezembro; os pais de Maria, mãe de Jesus, não fizeram a sua filha em 8 de Dezembro; etc. A própria Páscoa dos católicos obedece à “nova” lógica: é sempre num domingo, variável dentro de certo período. E não vai há muito tempo (cerca de 50 anos) que se desclassificaram algumas festas religiosas, como a de S. José, ou a da Ascenção (transferida para o domingo).
Quanto aos feriados civis, também não vem muito mal ao mundo que, por exemplo, a Festa da Independência seja celebrada, não necessariamente no 1 de Dezembro, mas por ocasião desse dia; ou que a Festa da República o seja por ocasião do 5 de Outubro. Ou mesmo que sejam anulados os feriados e se aproveite o domingo próximo para alguma comemoração neste contexto.
Mesmo relativamente ao 25 de Abril, não haverá grandes problemas na alteração. Aliás, qualquer português honesto que queira celebrar o Dia da Democracia se vê sempre na necessidade de repartir os festejos entre o 25 de Abril e o 25 de Novembro. Se se encontrar uma data intermédia, seria o ideal…
O que diz é curioso, sampy. Na primeira versão que fiz deste post, tinha mencionado precisamente a questão das datas religiosas imprecisas – como irrelevante, pretendia apenas ilustrar um ponto. Nesta versão, optei por omitir essa parte 🙂
Mas o que diz quanto aos feriados religiosos parece-me a mim bastante pertinente. Sobretudo porque nas várias “polémicas” religiosas a que fomos assistindo ao longo dos anos – crucifixos nas salas de aula, etc – não me lembro de ver (ler) ateus/quem exigia o fim dos crucifixos nas salas exigir também (e consequentemente) o fim dos feriados religiosos – e do subsídio de Natal, já agora. Enfim, isto é só um apontamento. Note que não sendo religioso, não dou particular importância à celebração em si, e é-me mais ou menos indiferente que eles se mantenham ou que sejam eliminados.
Quanto aos feriados em si, mantenho a opinião de que devem ser celebrados na sua data exacta. Se poderíamos eliminar feriados civis, ou substituir alguns? Certamente. Mas não vejo como pode fazer sentido celebrar-se o 25 de Abril noutra data que não o 25 de Abril. A lógica é a mesma dos aniversários – não os celebramos (quem os celebra) num dia qualquer, nem sequer num dia próximo, pois não?
“A lógica é a mesma dos aniversários – não os celebramos (quem os celebra) num dia qualquer, nem sequer num dia próximo, pois não?”
Por acaso, na minha família, somos cinco a fazer anos no mesmo mês. Pelo que chegamos a acordo em festejar os aniversários num mesmo dia, a combinar segundo as conveniências dos aniversariantes.
E no dia do meu aniversário, apesar de poder fazer gazeta ao trabalho, a verdade é que não me lembro da última vez que o fiz. Mas também é certo que encaro o meu trabalho como uma vocação; e, nesse dia, estar com os colegas torna-se uma verdadeira festa…
João,
Sei que não está relacionado com este seu post, mas a destruição de 800Kms de linhas férreas nacionais (claro que por imposição da Troika) não lhe merece nenhum comentário?
O seu azedume era apenas dedicado a António Mendonça (“Giro e Talentoso”)?
Merecerá, certamente. Logo lá irei (e agradeço a lembrança).