Fast feelings


Teresa Ribeiro,

Não sabia determinar o momento exacto em que começou a desinteressar-se. Teria sido no dia em que ele confundiu Montaigne com Montesquieu, ou quando se descalçou e lhe viu as meias rotas? A verdade é que eram sempre esses excessos de humanidade que acabavam por condenar ao fracasso todas as suas relações.

27 comentários em “Fast feelings”

      1. É verdade tem toda a razão, de facto ao concentrar-me na ” visão ” desse quadro aterrador das meias rotas, fiquei de raciocínio toldado.

  1. Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser: «Os homens que têm a mania das mulheres dividem-se facilmente em duas categorias. Uns procuram em todas as mulheres a ideia que eles próprios têm da mulher tal como ela lhes aparece em sonhos, o que é algo de subjectivo e sempre igual. Aos outros, move-os o desejo de se apoderarem da infinita diversidade do mundo feminino objectivo.

    A obsessão dos primeiros é uma obsessão lírica; o que procuram nas mulheres não é senão eles próprios, não é senão o seu próprio ideal, mas, ao fim e ao cabo, apanham sempre uma grande desilusão, porque, como sabemos, o ideal é precisamente o que nunca se encontra. Como a desilusão que os fez andas de mulher em mulher dá, ao mesmo tempo, uma espécie de desculpa melodramática à sua inconstância, não poucos corações sensíveis acham comovente a sua perseverante poligamia.

    A outra obsessão é uma obsessão épica e as mulheres não vêem nela nada de comovente: como o homem não projecta nas mulheres um ideal subjectivo, tudo tem interesse e nada pode desiludi-lo. E esta impossibilidade de desilusão encerra em si algo de escandaloso. Aos olhos do mundo, a obsessão do femeeiro épico não tem remissão (porque não é resgatada pela ilusão).»

  2. Montaigne com Monstesquieu ninguém confunde.
    Se fosse Monstesquieu e Monstesquiou… (não tanto confundir autores, mas as famílias), isso já vi, mas como sou curto de vistas e me ensinaram que não se examina as pessoas, não verifiquei se tinha alguma «malha caída» (é assim não é?) que se viesse juntar à falta de noção do mundo.

  3. Pois é, a fábula do princípe encantado continua a fazer as suas vítimas. Oh gentinha exigente, hã… Grave, grave era se a confusão fosse com Montparnasse.

      1. looooool. Helena, sinto-me responsável por ter-te arrastado para este antro de sem-vergonhas. Ou melhor… como eu pensava, estás em casa. Boa! 🙂
        (com mil perdões à família, mas o que interessa é que te divirtas…)

  4. Teresa, talvez ele quisesse dizer Montecchio, numa tentativa frustrada de a comover pelo romantismo… mas essa das meias é um deslize fatal. Não pela pobreza – coisa absolutamente perdoável e até um tanto sexy – mas pelo desleixo. Um homem que nos aparece de meias rotas é porque não nos tem em grande conta. Pior para ele: Maomé deixa de ir à Montaigne e o caso fica arrumado num instante.

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