Não sabia determinar o momento exacto em que começou a desinteressar-se. Teria sido no dia em que ele confundiu Montaigne com Montesquieu, ou quando se descalçou e lhe viu as meias rotas? A verdade é que eram sempre esses excessos de humanidade que acabavam por condenar ao fracasso todas as suas relações.
Fast feelings
Teresa Ribeiro,

Qualquer das hipóteses, fatal!
Pior só um sleep azul bébé…
Há situações a que um amor só resiste com humor.
O célebre azul cueca não tem remissão!
Ó Leonor, não tem remissão, mas tem pecado…
:))
Sleep? Slip! I think that sleep was a slip (a freudian one).
Está certo: um slip azul-cueca é bocejo garantido.
Ó Francisco tem razão. Mas eu sou pudica…e o meu inglês escrito anda pelas ruas da amargura.
Depois dá-me um sleep sempre que falam de slips!
Teresa, my dear, como é que tu, rapariga tão nova, já sabes tamanhas verdades?
( Eu, com Montesquieu, já nem quereria ver as meias)
Ó Ivone, qual meias, qual carapuça. Ficavas logo vidrada na cabeleira, aos caracóis, do “nosso” Montesquieu.
Hum, põe rapariga nisso, Ivone.
as meias estavam as duas rotas?
Acho que “meias rotas” exige uma certa assimetria, cr.
É verdade tem toda a razão, de facto ao concentrar-me na ” visão ” desse quadro aterrador das meias rotas, fiquei de raciocínio toldado.
Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser: «Os homens que têm a mania das mulheres dividem-se facilmente em duas categorias. Uns procuram em todas as mulheres a ideia que eles próprios têm da mulher tal como ela lhes aparece em sonhos, o que é algo de subjectivo e sempre igual. Aos outros, move-os o desejo de se apoderarem da infinita diversidade do mundo feminino objectivo.
A obsessão dos primeiros é uma obsessão lírica; o que procuram nas mulheres não é senão eles próprios, não é senão o seu próprio ideal, mas, ao fim e ao cabo, apanham sempre uma grande desilusão, porque, como sabemos, o ideal é precisamente o que nunca se encontra. Como a desilusão que os fez andas de mulher em mulher dá, ao mesmo tempo, uma espécie de desculpa melodramática à sua inconstância, não poucos corações sensíveis acham comovente a sua perseverante poligamia.
A outra obsessão é uma obsessão épica e as mulheres não vêem nela nada de comovente: como o homem não projecta nas mulheres um ideal subjectivo, tudo tem interesse e nada pode desiludi-lo. E esta impossibilidade de desilusão encerra em si algo de escandaloso. Aos olhos do mundo, a obsessão do femeeiro épico não tem remissão (porque não é resgatada pela ilusão).»
Palavras sábias, que adorei recordar. Fiquei com vontade de voltar a esse livro 🙂
Montaigne com Monstesquieu ninguém confunde.
Se fosse Monstesquieu e Monstesquiou… (não tanto confundir autores, mas as famílias), isso já vi, mas como sou curto de vistas e me ensinaram que não se examina as pessoas, não verifiquei se tinha alguma «malha caída» (é assim não é?) que se viesse juntar à falta de noção do mundo.
Pois é, a fábula do princípe encantado continua a fazer as suas vítimas. Oh gentinha exigente, hã… Grave, grave era se a confusão fosse com Montparnasse.
Rui és um libidinoso.
Mas não há gente séria neste blogue?
Como é que uma mãe da nação foi para aqui arrastada?!
Já perdi metade dos meus amigos…
Tenho a certeza de que ficaram os únicos que valiam a pena, Helena.
Sei não. Ando muito sabida desde que entrei para aqui. É o que dizem na família…
Gente séria? Mas gente séria não tem graça nenhuma!
Ai Teresa, nem sabes como estou contigo…
😉
looooool. Helena, sinto-me responsável por ter-te arrastado para este antro de sem-vergonhas. Ou melhor… como eu pensava, estás em casa. Boa! 🙂
(com mil perdões à família, mas o que interessa é que te divirtas…)
Depois disto vou substituir a Marta Crawford!
:))
Boa sorte! 🙂
Teresa, talvez ele quisesse dizer Montecchio, numa tentativa frustrada de a comover pelo romantismo… mas essa das meias é um deslize fatal. Não pela pobreza – coisa absolutamente perdoável e até um tanto sexy – mas pelo desleixo. Um homem que nos aparece de meias rotas é porque não nos tem em grande conta. Pior para ele: Maomé deixa de ir à Montaigne e o caso fica arrumado num instante.