Se quisesse, o ambiente entre os dois mudava – pensou entre o apático e o divertido. Bastaria puxar outro tema de conversa para passarem do clima mais agreste à harmonia. Com a ponta do seu gume de três sílabas seria até possível restaurar a paixão e fazer o carrocel girar de novo, por entre abraços e suspiros. Mas no momento seguinte um arrepio de silêncio poderia instalar o desconforto outra vez e o elan desabaria à medida que fosse esfriando a sua voz, desfocando o olhar, para depois, in extremis, se desejasse, recuperá-lo com um beijo inesperado, uma promessa ou uma piada. Ah, o amor. Tão poderoso e tão plástico. Bastaria uma palavra sua, um instante de dúvida e o clima entre os dois mudaria.
Fast feelings
Teresa Ribeiro,

O amor precisa sempre de uma Sherazade, de preferência com um gume de três sílabas (que imagem espantosa, Teresa, tão poética!). Porque é frágil e caprichoso, e porque os sultões são (quase) sempre muito mais preguiçosos…
🙂
Eis como em duas sílabas cabe tanta generosidade e simpatia 🙂
É verdade que , às vezes, uma palavra pode mesmo fazer a diferença.
Estaremos a atribuir demasiada responsabilidade às palavras, Cristina?
A responsabilidade é de quem as diz.