Falta memória nos jornais portugueses


Teresa Ribeiro,

 

Há três dias o jornal Público noticiou a morte do historiador e ex-ministro da Educação Vitorino Magalhães Godinho publicando a toda a largura da capa a fotografia do seu irmão, José, ex-Provedor de Justiça, falecido há vários anos. Ninguém neste jornal, dito de referência, detectou a troca. Nem quem  escreveu a notícia, nem o editor que a leu, nem os jornalistas que visaram a primeira página na hora do fecho. Todos distraídos? A hipótese não se coloca. O processo passa por mãos e olhos suficientes para se perceber que o que faltou a esta gente foi memória. Há cada vez menos nos nossos jornais.

À medida que se foram afastando das redacções os jornalistas seniores, a memória começou a falhar. Num jornal é grave. Num sector tão ameaçado pelas novas tecnologias como a Imprensa é contribuir ainda mais para a sua precariedade. Pena os gestores continuarem sem perceber que não é a cortar no seu principal activo – o capital humano – que defendem o futuro do seu negócio. Pena não perceberem que neste sector só a qualidade terá possibilidade de sobreviver.

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