Para os portugueses, é totalmente indiferente que José Sócrates tenha trocado mais uma deslocação a Bruxelas pelo encerramento do congresso do seu partido a três meses de eleições. Percebe-se mal, por isso, a insistência do PSD no tema. Pretender que a presença do primeiro-ministro na sede da União Europeia era decisiva constitui, aliás, um argumento que só joga a favor de Sócrates. Dá a impressão que nenhuma decisão relevante em Bruxelas é tomada sem o chefe do Governo português…


Caro Pedro, creio que a presença do nosso primeiro-ministro nas reuniões europeias raramente é decisiva, mas isso não é argumento para que ele não esteja presente. Se fosse raramente teria que ir a Bruxelas.
Joana
Precisamente, Joana. A insistência do PSL no tema acaba por atribuir a Sócrates uma relevância em Bruxelas que ele manifestamente não tem.
O que está em causa não é capacidade de influência. O que está em causa é que o assunto é relevante para Portugal: que tem empresas e bancos no leste e que tem, na zona Euro, uma das maiores probabilidades de incumprimento. Sócrates não mudaria nadas, mas o seu peso político é maior que o de qualquer ministro. 3/desuniao-europeia-em-bruxelas-e-os.htm l
Entre o partido e o país, desta vez ele escolheu o partido. Tendo Manuela Ferreira Leite errado nas palavras e no tom da crítica, a não ida de Sócrates a Bruxelas continua a ser criticável.
Mas isso nem é o fundamental. O fundamental é o que não se decidiu em Bruxelas e nos ameaça a todos. Deixo o convite para ler:
http://ovalordasideias.blogspot.com/2009/0
Carlos Santos
Carlos,
concordo que o assunto é relevante para Portugal, mas é totalmente irrelevante para os portugueses (if you know what i mean). Daí que concorde inteiramente com o Pedro.
Caro Jorge,
Registo a sintonia. Como é óbvio, para os portugueses é totalmente irrelevante se Sócrates foi ou deixou de ir à cimeira informal de Bruxelas. O PSD, que tem tantos temas relevantes para criticar o Governo, centrou-se neste nos últimos dias sem perceber que estava uma vez mais a falhar a pontaria.
Caro Carlos, o problema é que não há democracia sem partidos. Um congresso partidário, a três meses de eleições, é um marco no sistema democrático. Será mero ritual? Mas nenhuma democracia subsiste sem rituais. O que se diria por aí se Sócrates delegasse num delfim qualquer a participação na sessão de encerramento do congresso socialista?
Caro Jorge e caro Pedro,
Compreendo precisamente o que dizem, e concordo. E os congressos podem de facto ter um valor até mais do que ritualista (eu não subscrevo nem de perto a tese da “festa” da MFL). O que me pergunto é se um grande PM não devia pôr os interesses de Portugal à frente dos dos portugueses (I know you know what I mean:).
Abraço a ambos,
Carlos
Confesso que não percebi porque foram à cimeira os primeiros-ministros da Dinamarca e da Holanda -aqueles que identifiquei de imediato na foto de família – , pois penso que também não faziam falta. O que notei é que Portugal enviou o pior ministro das Finanças da Europa, segundo o Financial Times. Em Portugal, estas e outras coisas nunca têm importância. Por isso, somos o que somos hoje para a Europa. Pobretes, mas alegretes, seguindo a lógica salazarista.
É claro que Manuela Ferreira Leite e o PSD têm toda a razão neste ponto.
Ninguém disse que Sócrates era importante na realização do encontro. O que se disse foi que o encontro era importante para nós, para Portugal. Mais importante do que a festa de encerramento do congresso do PS, sem dúvida nenhuma.
Bem sei que a critica não lhe agrada porque não foi feita pelo seu amigo Pedro Passos Coelho, que aliás não critica o Governo nem o primeiro ministro, talvez porque ande distraído, quem sabe, a ler alguma coisa mais directa, como grandes obras filosóficas.
Olá, Susana. Já transferiu o seu registo de eleitora para Rio Maior?
Hahahahaha!!!…
Também achei piada ouvir José Pedro Aguiar Branco, no fim do congresso, falar sobre as vítimas deste governo. Entre agricultores e desempregados, falou também dos magistrados. Não percebi a ligação…
Também notei o contraste, Joaquim. Creio que se referia ao sistema judicial: se não está melhor, não se deve aos magistrados judiciais (que até foram hostilizados logo no primeiro momento do governo). Nenhum juiz gosta que a Justiça não seja justa.
Hostilizados, foram, João. Com a questão das férias, não foi? Mas quem se tramou foram os advogados, ora!
Ai, ai, Coutinho, tu é que não percebeste?…vá lá, estás mortinho para explicares tudo. Eu, por mim, necessito as tuas explicações Aguardo…
Eu, Bia?! Por quem és! Não sei de nada…
Domingo, 1 de Março de 2009
Cimeiras informais há muitas
Para desvalorizar a importância da ausência de Sócrates na Cimeira de Bruxelas, não faltou quem sublinhasse o carácter ‘informal’ da mesma.
É verdade. Tão ‘informal’ como outra, realizada em Outubro de 2007, em Lisboa, e encerrada com um famoso “porreiro, pá!” e onde, apesar do ambiente ‘informal’, até deu para “escrever uma importante página na História da Europa”.
Publicada por Daniel Rosário em 22:13 0 comentários
E que tal pensar no que escrevi em vez de recorrer ao “humor”, que está ao nível da inteligência do seu post?
Alguém disse que Sócrates era preciso na cimeira?
Não.
O que Ferreira Leite disse foi que a cimeira era importante para Portugal e que por isso o primeiro ministro devia ter ido.
O Pedro Correia acha que não, que a discussão da profunda crise que atravessa a Europa (e não só) com os primeiros ministros da União Europeia não é importante. E que dar importância a isso é dar importância a Sócrates.
Tudo serve para dizer mal de MLF. Mesmo que isso implique passarmos por patetas, não é?
Como a sua memória é selectiva… Então já esqueceu que MFL falhou o último dia de campanha para as directas do PSD para ir a Londres em visita particular? É a última pessoa com autoridade moral para dar conselhos a outros políticos nestas questões. Este menosprezo pela vida partidária, que é a base de toda a verdadeira democracia, fica-lhe tão mal, Susana. Refiro-me a ela. E também a si.
“Como a sua memória é selectiva… Então já esqueceu que MFL falhou o último dia de campanha para as directas do PSD para ir a Londres em visita particular? É a última pessoa com autoridade moral para dar conselhos a outros políticos nestas questões.”
que argumentação tão ridicula, desculpe lá a franqueza!!! as duas situações não podem ser comparadas! abdicar de um dia de campanha eleitoral do partido, para ir assistir e apoiar a sua filha, quando do nascimento do seu neto, só revela nobreza de CARACTER!( duvido que alguma mãe a critique por esta atitude , pois certamente se estivesse no lugar de MFL faria o mesmo) . comparar o nascimento de um neto a um congresso partidario…
Se bem percebi o seu raciocínio, Sócrates estaria então desculpado de não comparecer em Bruxelas se tivesse ido fazer uma visita familiar algures. Isto até merecia aplauso da sua parte. Participar no congresso do partido que lidera é que não. Excelente lógica, a sua.
você ja viu o que esta a comparar!!??
abdicar do ultimo dia de campanha eleitoral do partido para ir visitar a filha que ia ter um filho, ou seja assistir ao nascimento do seu neto
abdicar da Cimeira Extraordinaria da UE sobre a gravissima crise economica, para estar num Congresso Partidario que facilmente poderia encontrado uma forma de conciliar as duas coisas
acha que estas situações podem ser comparadas ao ponto de você concluir sobre a MFL que
“É a última pessoa com autoridade moral para dar conselhos a outros políticos nestas questões” ?
Mais uma vez, a sua comparação é de um ridiculo atroz, mas se quer continuar a exibir os seus dotes, é livre de o fazer.
E sempre lhe pergunto: Quer comparar a falta a uma cimeira internacional EM REPRESENTAÇÃO DO ESTADO PORTUGUÊS onde estão todos os primeiros ministros da União Europeia para discutir um tema de importância maior, com o dia do encerramento de uma campanha eleitoral interna de um partido politico?
A que compromisso faltou Manuela Ferreira Leite?
E por que razão foi a Londres?
Um dirigente político faltar ao congresso do partido que lidera, trocando-o por um almoço em Bruxelas, seria excelente. Os partidos, se bem entendo a mensagem que nos pretende transmitir, são coisa de somenos numa sociedade democrática. Já agora: e que tal suspendermos a democracia por seis meses?
Para justificar a ausência de Sócrates, o jornalismo oficial passou a tratar o vulgarmente chamado minstro das Finanças de ministro de Estado e das Finanças. É a má consciência socialista a tentar justificar-se…
Para que conste, nos onlines dos jornais europeus o Conselho informal está em destaque e nas televisões dos seus países os primeiros-ministros apareceram a fazer declarações. Não consigo compreender como se esqueceram de Espinho…
Deixe lá: tínhamos lá nesse almoço de Bruxelas o patriotíssimo dr. Durão Barroso, que trocou os congressos partidários pelas brumas belgas. Com bilhete só de ida. Ele representa-nos bem. Ou será que afinal de contas não nos interessa nada que o presidente da comissão seja um português? Não foi essa mensagem que o PSD vendeu em 2004…
Olá Pedro!
Acho que o primeiro-ministro devia ter estado hoje em Bruxelas. E nem é que ache que – ao nível técnico – o país tenha ficado pior servido com Teixeira dos Santos. Bem pelo contrário.
O problema é que o que se joga aqui, na minha opinião, é a falta de credibilidade de Portugal e dos seus governantes perante a Europa. Não vemos os primeiros-ministros a representar o país em reuniões de nível ministerial. Os encontros de alto nível, acredito, são para ser feitos pelos mais altos representantes dos países. E por isso mesmo é que esta agenda específica não é para ser decidida por ministros, acho precisa do mandato político que só os chefes de estado/governo têm.
O congresso era importante, claro que era. Concordo com a tua questão sobre o que diriam se Sócrates faltasse à sessão de encerramento. Havia uma colisão de agendas e a prioridade de Sócrates foi ir ao congresso quando poderia ter mostrado a coragem e a responsabilidade política do homem que se diz “sempre do lado da Europa”. Acho que era mais importante assumir a co-responsabilidade do que se decidiu (ou semi-decidiu?) hoje na cimeira.
Mas concordo com o que dizes da falta de pontaria do PSD. Há problemas tão grandes no país que me parece mesquinha tamanha insistência. Até parece que falta assunto!
Abraço
Pois, Alexandra. O que referes na tua parte inicial é que era o meu argumento-base. Depois o debate desviou-se noutras direcções. Do ponto de vista da mensagem, uma vez mais o PSD errou o alvo. Andou uma semana a falar da falta de comparência do PM em Bruxelas quando isso é totalmente irrelevante para os eleitores portugueses, que estão preocupados com o desemprego, a insegurança, a falta de perspectivas económicas, a crise da justiça, etc, etc. Por outro lado, Sócrates seria crucificado – também pelo PSD – se abandonasse o congresso a meio, deixando-o entregue a segundas linhas. Lá viriam, justificadamente, acusações de arrogância, de autoritarismo, prepotência, etc.
Gosto que continues a aparecer por cá. Faz-nos falta uma perspectiva de Bruxelas…
Manuela Ferreira Leite poderá ser acusada de muita coisa, mas … desprezo pela vida partidária?
Está com certeza a brincar, mais uma vez.
Quem despreza a vida partidária não se candidata a Presidente de um partido, principalmente estando esse partido no estado em que estava o PSD quando ela o fez.
E se há pessoa em Portugal com vidar partidária activa permanente desde há anos é Manuela Ferreira Leite. Ou o Pedro Correia chegou cá agora e não sabe disso?
Não terá a vida partidária que o Pedro Correia mais aprecia. É séria. Não vai a festas. Não tem uma agência de comunicação a arranjar-lhe entrevistas por todo o lado. Fala pouco, só quando quer e do que quer.
E não leu a Fenomenologia do Ser, nas tardes de Verão
A brincar, a brincar se vão dizendo coisas muito sérias, Susana. Recordo-lhe que não fui eu que falei na suspensão da democracia. Lembra-se quem foi?
Fala pouco porque fala mal. Sempre que ela fala o Governo agradece.
Quanto à não presença de Sócrates na Cimeira, acho mal. Se é Primeiro Ministro, que assuma as responsabilidades do cargo. Ainda por cima uma reunião extraordinária, onde há alguma margem de manobra para intervir e pôr na mesa assuntos que se achem pertinentes.
Em vez disso o Primeiro Ministro de Portugal esteve em Espinho a fazer campanha. Ainda por cima não precisa, dada a oposição existente actualmente… São prioridades…
Mas há potenciais vantagens. Esperemos que Teixeira dos Santos saiba falar um inglês melhorzinho 🙂