Era uma vez um país em que um quinto dos seus cidadãos vivia na pobreza ou no seu limiar, que tinha recebido milhares de milhões de euros por ano em transferências de fundos europeus, que mesmo assim tinha conseguido ir à falência, e que depois disso continuava a aumentar a sua dívida em várias dezenas de milhares de milhões euros por ano.
Nesse país, um dia reuniram-se as três principais figuras de Estado para anunciar pelas televisões ao país que – orgulho! – a Final da Champions seria realizada na nossa capital!!
Dizem que o tipo que escrevia os discursos do PM lá do sítio não jogava com o baralho todo, coitado. Os pais eram primos direitos e ele babava-se um bocado, mas tinha sido o melhor no ensino especial. Deixavam-no andar por ali porque ajudava a preencher as quotas para que a equipa de assessores fosse inclusiva.
O discurso tinha de mostrar ao país que esta grande conquista – não, não tínhamos nenhum astronauta na ISS, era muito melhor do que isso – era uma conquista de todos os cidadãos. O gajo adorava bola e estava em êxtase. Ele latejava de inspiração e o teclado já estava em brasa.
Se estivéssemos a atravessar mais uma época de incêndios, esta fantástica e maravilhosa conquista seria um prémio para os nossos bombeiros, os nossos heróis, mas como ainda não está a fazer calor… então ia bem era para os profissionais de saúde, pronto! Isso sim, era uma boa ideia. As palmas na varanda já lá vão. Eles mereciam alguma coisa objectiva e de efectivo valor. Era por isto que eles ambicionavam!
Felizmente o chefe dos Spins leu o discurso antes de o passar para as mãos do PM e achou que afirmar que este evento “era um prémio merecido para os profissionais de saúde” seria ofensivo para os próprios, riscou a frase e, à costa da mão, deu uma bofetada ao anormal que a tinha escrito.
E assim o último limite da decência foi salvo.


O último limite da decência passou há já uns anos quando o designado Pm inventou umas férias para fugir às imagens de Pedrogao Grande a arder ( e eu digo isto assim porque nunca na vida vi um chefe não anular férias se na sua empresa aparece um problema sério ). A partir daí quase se pode dizer que todos os dias os portugueses toleram indecências.
Isabel,
A única diferença entre eles e as pessoas decentes é exactamente o conceito de problema sério.
O mais grave nem foi ele ter mantido as férias depois do que aconteceu. O mais grave foi ele, antes de ir de férias, ter encomendado uma avaliação do impacto de Pedrógão na popularidade do governo: aqui é que se percebe o absoluto cinismo desta gente.
E olhando com maior detalhe, o anúncio desta grande conquista desta velha nação foi exactamente num aniversário do contratempo do Pedrogão.
Para mim essa é mais uma prova de que as férias foram uma fuga cobardolas às responsabilidades por incompetência total para governar e por ter uns miolos onde a zona da empatia não funciona, isto é, por não ter a menor noção do que é o sentido de culpa.
Os psicólogos e os psiquiatras têm um termo bem conhecido para qualificar essa gente. E não é simpático.
Excelente, Paulo.
Só falta saber se haverá espectadores.
Desculpe-me a franqueza em jeito de desabafo. Mas alguém na UEFA se deve ter lembrado : vamos para Portugal que lá ninguém se importa e a Libéria fica longe demais.
Claro que vamos ter espectadores! As altas figuras do estado lá estarão na bancada solenemente em nossa representação.
Tram·po·li·nei·ros
(trampolina + -eiros)
adjectivo e nome masculino
Que ou quem engana; que ou quem faz trampolinices.= CALOTEIROS, EMBUSTEIROS, TRAPACEIROS, VELHACOS
.
E a imprensa é suave como o veludo.
Roman Gari publicou há uns anos um livro sobre este tema chamado “ fábrica dos impostores” em que pretende demonstrar como este sistema ocidental está a produzir os ditos. Penso que já há cerca de um século um americano tinha defendido uma tese relacionada com o tema, demonstrando que o a publicidade era um instrumento de propaganda para a “fábrica do consentimento”.
Os impostores fazem o que pretendem e a populaça aceita tudo porque já foi preparada para consentir. Uma tese que começa a fazer sentido.
Sobre o tema há youtube’s e artigos na net.
Parece interessante e faz sentido.
Vão dar o prémio de presença na final da LC aos profissionais de saúde?
#Costamuitobem
Claro que não podem ir por serem potenciais transmissores do vírus e temos de proteger os visitantes que nos honram com a sua visita.
Referia-me ao pr€mio.
Coloco aqui algumas questões:
Então Lisboa tem neste momento o maior foco de contágio do país e o evento acontece em Lisboa?
Centralismo, ou recompensa ao melhor da turma, o aluno Medina?
Não há mais estádios em Portugal? Ainda por cima sem espectadores?
Então e uma dúzia de países veta a entrada de portugueses, o grande exemplo no combate ao covid na europa, e nós vamos recebê-los de braços abertos?
Então e os restantes profissionais não merecem a distinção? Nem os bombeiros? Nem os polícias? Nem os transportes? Nem os funcionários do comércio a retalho?
P.S. até agradeço não vir uma enxurrada de gente para o norte, aumentar o risco de contágio à minha gente, recentemente caracterizada de analfabeta, mas não posso deixar de questionar o assunto.
A DGS disse que “quantos mais visitantes forem melhor será para o país”. É incrível.
Da próxima vez que a intelligentsia opinadora disser que é necessário combater os “populismos emergentes”, não temos que fazer mais nada senão apontar-lhes para o populismo que já chegou ao poder.
O javardo do Ventura é que ganha com estas prendas de mão beijada.
Sendo apoiante do governo, sendo adepto de futebol. confesso que senti vergonha de ser português: O presidente da república, o primeiro-ministro, o pesidente da assembleia da república, o ministro da educação mais o diabo a sete reunidos para dar “esta importante notícia” quando o país se encontra na actual situação? O que é isto? Não há o mínimo de decência e de noção da realidade? O ministro da educação, no meio da actual situação do sector, que é caótica e trágica, que vai deixar marcas duradouras no país, anda a dedicar-se aos futebóis? Eu gosto de futebol, mas como se diz é a coisa mais importante das coisas que não valem nada. Infelizmente tenho que começar dar razão aqueles que dizem que o governo é só demagogia. Os últimos dias têm sido de um desapontamento terrível
Agora imagine o que sentiu quem não é apoiante do governo e não liga peva ao futebol…
“O ministro da educação, no meio da actual situação do sector, que é caótica e trágica, que vai deixar marcas duradouras no país, anda a dedicar-se aos futebóis”
Excepto para quem estuda engenharia, medecina, biologia até certo ponto, o facto de não existir Ensino só faz bem.
lucklucky
Costa é um ilusionista. E um escapista (é esse o nome dos Houdinis que saem de dentro dos tanques arramados num colete de forças?).
Qualquer outro PM já teria caído com Pedrogão (em que só faltou um “é chato”) ou Tancos, mas lá se manteve como se nada fosse.
Já nem se conta com todas as restantes tropelias, e aquelas cenas tão típicas, como as inaugurações de ferrovias em triplicado.
Interessam as aparências, a percepção é tudo.
Durante 4 anos manteve-se a ideia de que o Governos nos devolveu rendimentos (estivessem os juros a níveis de há uns anos, estava ainda mais gente a penar), que manteve as contas certas, e ainda por cima sem orçamentos rectificativos (para quê rectificar quando se pode cativar).
Agora a narrativa é a do milagre lusitano na pandemia.
Honestamente, podia vir a Champions, com ela um enorme surto que varria o país de uma ponta à outra, e mesmo assim o Costa safava-se sem uma nódoa negra.
Deixe estar que quando o mar ficar grosso eles entregam a roda do leme.
Realçar também a responsabilidade de quem devia informar… mas adiante.
Centeno já deu ao pedal, mal as coisas azedem a sério financeiramente (leia-se, se torne impossível dar as benesses e manter os grupos de interesse calados), o Costa faz o mesmo.
Lá terá de ir o Rio fingir que governa durante 4 anos, temporada em que a Europa decide o que e como se gasta por cá.
Depois entra o Prof. Dr. Medina em cena.
Nunca vi premiar um excelente trabalho com trabalho redobrado, mas pode ser que o prémio seja outro, que agora não me ocorre.
Dulce,
Se nos lembrarmos os aumentos da generalidade da FP foram mantidos mesmo em pleno confinamento tendo os profissionais da saúde sido excluídos disso. Tinham agora de ser compensados…
GRANDE recompensa 🙄🙄…
A fraudulenta marca Costa & Marcelo continua a vender em alta.
Em nome de Portugal perante um povo servilmente curvado.
É a curvatura servil do povo que faz dele o que Marcelo não se cansa de apregoar: o melhor povo do mundo.
Ele sabe bem disso.
América Latrina – mas para pior.
JSP
Como a nortada é o vento predominante no nosso território o país cheira a maresia sem qualquer mérito.
É a benção que permite este rectângulo ser habitável.
A equipa de treinadores ao intervalo no balneario em plena deshonrosa derrota. Caricato.
Ou se muda de treinador ou se arruma as botas.
Comam brioches.