Falar sobre a velhice


cadernoelastico,

Tenho para mim que a velhice deve ser vivida dignamente. Numa revista deste fim-de-semana, acho que era João Lobo Antunes que dizia esperar que a família o escondesse e protegesse em casa, se o pior sobreviesse. Só tenho pena que as famílias de Soares e Saramago não tenham tido este bom senso. Sempre se poupavam duas vidas preenchidas (bem ou mal) à tristeza de uma velhice pública de embaraços.

46 comentários em “Falar sobre a velhice”

  1. Oh, Teresa,
    Só o Soares e o Saramago.
    Tem, certamente, em mente alguém mais presente no dia a dia dos portugueses…
    Vá lá diga… custa-lhe a dizer ?
    Eu ajudo…
    Começa por CA…
    Vá lá, diga lá …
    CA…VA—CO.
    Pronto !
    Cistou mas foi…

  2. Eu acrescentaria a esse rol mais alguns nomes, notoriamente a Manuela Ferreira Leite que, a avaliar pelas suas alocuções públicas plenas de contradições, está xexé.

  3. Ana Margarida,

    você terá as suas razões, mas, pela parte que me toca não concordo inteiramente consigo. Admiro profundamente O Dr. Mário Soares, não tanto pelo que representa para os portugueses, como ícone da Liberdade, mas muito mais, pela lucidez e presença de espírito que revela nas suas intervenções! Não quero com isto dizer que não tenha cometido erros, que cometeu. Mas, então, quem neste plano se sentir à vontade, ou seja, quem pensa que nunca errou, ou fez o que não devia ter feito, que sem dó ou piedade lhe atire a primeira pedra.

    Quantos são com a sua IDADE capazes de proferir um discurso pleno de ideias, ainda para mais da forma escorreita e fluída como o Dr. Mário Soares faz?

    Quanto a Saramago devo dizer-lhe que é um dos meus autores preferidos. Jamais me esquecerei de algumas das personagens que criou, como por exemplo a Blimunda.

    Já tentei ler a Bíblia, mas desisti, porque pensei que deveria deixar essa tarefa para as pessoas perfeitamente abalizadas para a saberem analisar, comentar e, porventura, contestar. Acredito que uma dessas pessoas possa ser o escritor José Saramago. A mim parece-me que a Bíblia, de certo modo, subjuga a mulher ao homem, basta-me isso, para que não me seja simpática. Mas, que sei eu da Bíblia? Nada, absolutamente nada! E por isso mesmo também não poderei contestar a opinião de Saramago, que certamente, dela saberá mais do que eu.

    Quanto ao que diz António Lobo Antunes, não me causa qualquer admiração, a, basta ter lido alguns, poucos, livros seus para o saber entender. Tem uma escrita extremamente densa e uma grande atracção por personagens com um certo grau de loucura, ou pelos menos, com algumas perniciosas manias. De uma forma geral, as personagens criadas por este escritor demonstram que melhor fariam se consultassem um psiquiatra, no fundo, trabalha as personagens da mesma forma como se estas fossem seus doentes. Certo está, quando afirma que coloca a vida das pessoas entre capas!

    1. não é antónio lobo antunes, mas joão, o irmão que é neurocirurgião.
      por partes: eu acho que a memória do que o dr. mário soares fez ou terá feito por este país não merece as defesas alucinadas do ignóbil chávez. e arrisco a velhice como desculpa para esses disparates, porque não quero pôr em causa a sua repugnância pela tirania sobre os povos.
      sobre saramago: uma coisa será o saramago-escritor, outra aquele saramago que tece comentários absurdos, dignos de uma criança de 3 anos. estou a ser dura? provavelmente. mas já não tenho muita paciência para relativismos do tipo “o gulag nunca existiu, ou se existiu era necessário”.

    2. A Bíblia não é entendida da mesma maneira por todas as pessoas. As conclusões dela tiradas não são as mesmas. Também nao nos ensina nada, mas provavelmente ajuda-nos a olhar para certas coisas de maneira diferente.

    1. hmm. bem me parecia que isto ia levantar problemas. daí o “proteger” que acrescentei à frente. a velhice tem partes feias, que provavelmente não quereríamos mostrar, se ainda pudéssemos tomar essa decisão, em consciência.

  4. Sem dúvida. E não é tanto a idade, mas o que ela realmente pode (repito: pode) representar de embaraço.
    Digamos que José Saramago devia ser deixado no retiro para escrever, se isso lhe dá prazer. Mário Soares está a meio caminho: não parar, mas não mexer muito. Já Adriano Moreira, é deixá-lo à solta tanto quanto lhe apeteça: temos sempre a aprender com ele e a sua extraordinária lucidez.

  5. A MFL e o Cavaco deveriam encabeçar a lista. Por duas simples razões. São demasiado velhos por dentro e nunca se lhes viu qualquer obra digna de registo, que enobrecesse a imagem do nosso país. Ao contrário dos outros que cita que, goste-se ou não, já fizeram muito pela cultura e pela democracia em Portugal.

  6. Que idade tem Ana? Está prestes a ser escondida do mundo para poupar os transeuntes das peles caídas, das papadas, do pensamento mais lento e das ideias menos fluente? Quando estará a Ana pronta para ser abafada? Falta muito?

      1. Não se pergunta a idade a uma senhora? É pecado? Ah, não é, é só má educação para aqueles que tomam as mulheres por seres fracos, acostelados do homem e com as quais podemos fazer sexo, tomá-las por companheiras mas nunca, nunca lhes perguntar a idade pois isso é grosseiro e típico de pessoas de baixa extracção social e cultural. O que eu aprendo consigo…

        1. É bom saber. Fica-lhe bem o polimento.

          Já agora: «baixa extracção social e cultural» é um ‘nonsense’. Se é baixa, não se extrai, que é para não infestar…

          1. Já agora:”Fica-lhe bem o polimento.” é um ‘nonsense’. Se é polido, não fica bem nem fica mal, depende do conjunto em que se integra…

  7. Não sei se é tonteira, maldade ou inveja … Se é nova cresça se é velha fuja da familia que a esconde porque precisa de sol na mioleira.

  8. Da palavra esconder poderemos tirar várias conclusões e de certeza que a Ana não quis de todo dizer que deveríamos esconder as pessoas idosas (não literalmente).A Ana acrescentou e muito bem…”à tristeza de uma velhice pública de embaraços.”

  9. A Ana Margarida quis fazer, de forma fácil e ligeira, um humorzinho de certo tipo. E falhou redondamente. O Mário Soares pode estar velho, mas não está senil. E o Saramago continua a ser um escritor lúcido que escreve sobre o que nos preocupa. O que escreve é típico de uma certa mentalidade…pobre. Das primeiras vezes que saí de Portugal, estranhei existirem tantos deficientes. E depois, mais velha, percebi; cá escondem-nos e nos outros países passeiam-se normalmente.

    1. Eu acho que ela falhou no humor, não porque Mário Soares e José Saramago não estejam já de facto um bocado velhos e a dizer ocasionalmente alguns disparates, mas sobretudo porque não viu que a pessoa que ela própria apoiou fervorosamente nas últimas eleições está no mesmo estado – se não estiver, de facto, pior.

      A Ana Margarida deveria evitar andar a chamar velhos àqueles de quem ela politicamente não gosta, quando aquela de quem ela politicamente gosta também está bem velha.

  10. Depois de ler 29 c comentários salta uma pergunta:
    -E aonde foi a Ana Maria Craveiro ?
    Deu de “frosques ” ?
    Ou Já foi abafada pela família ?
    É que de repente desapareceu da moderação…
    Já agora, um conselho, Ana Maria Craveiro.
    Nunca esconda um velho seu, seja qual for a situação dele, porque se está a esconder a si própria perante os outros..

  11. Desejo chegar à idade de qualquer um desses dois com tanto discernimento como, evidentemente, têm (embora nem sempre concorde com qualquer um deles). E não me lembro de nada melhor para desejar à minha família e à família da Ana Craveiro.

  12. A menina escreveu isto mesmo? 🙂 Ópá, que giiiiro! Proteger os velhos das má figuras? E acha que era a isso que o João Lobo Antunes se referia? Eu acho que se o Lobo Antunes até se passava se leste isto, quida! Olhe que há uma linha muito estreita entre o politicamente incorrecto, muito fresco, muito solto, e a simples má educação 😉 LO, a sério que isto dá vontade de rir!

    Marta

    1. Recorrer à idade (ou ao sexo, à cor de pele, whatever) de alguém para combater as suas ideias, sobretudo nestes termos, é execrável. Recomendo à Ana Margarida Craveiro a leitura de Diana Athill ou Doris Lessing, duas nonagenárias com quem muito poderia aprender. E bem precisa.

  13. Provavelmente está na altura de a sua familia ter o bom senso de escondê-la a si também.
    Parece-me que estamos perante mais uma fanática ofendida da igreja.
    Amém!

  14. Embaraçoso é o seu post, mas já percebi que lhe falta lucidez para o reconhecer. Trate-se que ainda vai a tempo.

  15. Haja decoro, um pouco de decoro por quem vos possa ser querido. Sim, estou a falar convosco, cambada de filisteus; seria bom que reflectissem antes se alinharem, em fila circulatória, pairando, como abutres, sobre uma jovem, uma jovem inocente e, por isso mesmo, simples. Haja decoro!

    Isso pedido e assinado, deixo-vos com um conselho, já que tantos encontrei, não só nesta caixa de comentários como nos recentes textos de João Carvalho, que me obrigaram a reflectir sobre o assunto e a procurar um ensinamento cristão sobre o qual quer crentes, quer ateus, quer laicos, quer socialistas, quer republicanos, quer até o notável homem de Letras que se chama José Saramago pudessem estar de acordo e parece-me que este sintetiza (quase) tudo:

    «Quem nunca pecou que atire a primeira pedra.»

  16. Não gosto do teor do texto que julgo um tanto precipitado. O que não é definitivamente grave. Escrever todos os dias, em cima do que se sente pode ditar, volta e meia, textos menos conseguidos. Faz parte.

  17. Confesso que não vejo, nas palavras da Ana Margarida, qualquer ofensa à velhice ou qualquer menor respeito por aqueles que já viveram mais do que nós. Nem sequer se tratou de humor, aliás legítimo.

    Limitou-se a convocar um desejo de João Lobo Antunes, aplicando-o ao caso de duas pessoas cujas últimas intervenções, segundo a Ana Margarida, preencheriam o medo de João Lobo Antunes de escancarar, com a velhice, uma espécie de contradição com o passado.

    Nada, aliás, muito diferente do que muitas pessoas escreveram já, sobretudo a propósito de Soares (nos tempos da sua terceira candidatura presidencial, por exemplo).

    1. Falso Adolfo, falso. As palavras (infelizes) foram escritas na espuma do sentir, nada mais do que isso, parece-me.

      1. Caro Carlos,

        Espantam-me as certezas sobre os sentimentos não expressamente revelados por outros.

        Assim, no meu comentário, referi que eu não via nas palavras da Ana Margarida o que outros estavam a ver. Apenas isso.

        É por isso com espanto que leio o seu comentário, chamando falsas as minhas afirmações. É que é absolutamente falso que eu veja outra coisa distinta daquela que relatei no meu comentário.

        E se comecei o meu comentário com “Confesso que não vejo” foi precisamente porque só a Ana Margarida pode desvendar o sentido das suas palavras, sobretudo porque delas não resulta expressamente nenhuma das interpretações que lhe estão a ser atribuídas.

        E é por isso que me espanto com suas certezas sobre o que quis ou não a Ana Margarida dizer, sem prejuízo de respeitar todas as suas certezas sobre o que considera delas resultar.

  18. Gostei bastante do novo livro do Saramago, fico muito triste pelas pessoas que o insultaram com dizeres do estilo “é velho, não sabe o que diz”. Acho o Caim, uma obra prima da literatura e, ao mesmo tempo, um grande livro político :P. Eu ri-me à gargalhada ao ler o livro, é um grande herdeiro de Rabelais ou Cervantes.

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