Falar claro sobre eutanásia


Teresa Ribeiro,

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Tenho observado que quem argumenta contra a eutanásia tende a iludir três questões:

1. Ninguém obriga ninguém a fazê-lo. Tal como no caso da IVG, os profissionais de saúde que sejam contra têm o direito de se recusar a colaborar.

2. A decisão é do doente (e só considerada se reconhecidamente ele está de posse de todas as suas capacidades mentais)

3. Os casos em que a eutanásia é aplicável serão, naturalmente, objecto de rigorosa regulamentação, pelo que não se coloca a questão de tal servir para facilitar suicídios de pessoas que estão, por exemplo, simplesmente com uma depressão. 

Toda a argumentação que contorne estas três premissas não me parece intelectualmente honesta.

0 comentários em “Falar claro sobre eutanásia”

  1. Já fui a favor, mas presentemente sou contra por várias ordens de razão:

    1 – Dor/Sofrimento- existem hoje potentes e eficazes analgésicos – opioides e outros. Ninguém tem de sofrer, e para isso torna-se fundamental os fármacos mas também a existência de boas unidades de cuidados paliativos e especialistas no maneio da dor crónica. Há um longo trabalho a fazer-se nesta área em Portugal

    2 – A Eutanásia poderia tornar-se um meio para que as ditas unidades de cuidados paliativos/maneio da dor não evoluíssem em Portugal por razões meramente economicistas – a Eutanásia é incomparavelmente mais barato (agentes eutanasiantes primários rondam os 50€, mais coisa menos coisa – depende do tipo de substância. Manter um doente terminal vivo, ronda por vezes várias centenas de euros/dia).

    3 – E as doenças neurológicas degenerativas? O que define estar vivo? Apenas o corpo? E a cognição, lucidez, a autoconsciência? Penso que mais que o corpo somos definidos pelo que somos, pela nossa mente. É isso que nos distingue dos demais. A maneira de ser. A personalidade. Perguntaria: Doentes com Alzheimer não sofrendo de dor física e não tendo um prazo definido para morrer seriam elegíveis para a Eutanásia?

    1. 1. Dor é igual a sofrimento, mas o inverso não é, necessariamente, verdadeiro. Quem vive preso num corpo, sem se poder mexer e sem esperança de ganhar autonomia, pode desesperar. Não sei se é cinéfilo, mas o filme Mar Adentro, baseado no caso verdadeiro de um tetraplégico que viveu assim durante 30 anos e depois quis morrer é um bom exemplo do que falo.
      2. A decisão é do doente, não das instituições hospitalares, pelo que o custo – mais acessível – da eutanásia se comparado com os dos cuidados paliativos é um argumento que não colhe.
      3. Doentes com alzheimer não estão de posse de todas as suas faculdades mentais, pelo que esse exemplo também não faz sentido.

      1. 1 – Referia a dor física, a que mais “assusta” ( a dor associada, erradamente, ao medo da morte). A menos difícil de avaliar. Mas como avaliá-la objetivamente? E a dor subjectiva? A subjectividade que cada um tem de expressar a dor sentida? Como definir um limite abstracto e geral (a lei não contempla particularidades).
        2 – A decisão ultima é dos profissionais de saúde. E como obrigar alguém a dar a derradeira injeção?
        3 – Suspender-se-ia com os momentos de lucidez desarmante que os doentes com Alzheimer têm. – As recordações que por vezes manifesta e nos deixam de boca aberta. Ou quando nos dizem – “Não quero morrer!”

        É complicado…

  2. Não tolero que o Parlamento legisle mais: o que ali está não é um conjunto legítimo de pessoas. O PAN também percebe de eutanásia? O que é que o PAN está ali a fazer se foi votado para salvar cães dos bidons nas aldeias e acabar com as touradas? A velha estratégia infâme dos partidos de esquerda — desmultiplicam-se em trupes de vigaristas para terem mais tempos e alvíssaras parlamentares. Assim não pode ser.

  3. Correcto.
    Só tenho a fazer as seguintes considerações:
    “A decisão é do doente (e só considerada se reconhecidamente ele está de posse de todas as suas capacidades mentais)”.
    Portanto alguém que tenha sido interditado por decisão judicial está impedido de pedir eutanásia. Poderá pedir o tutor?
    Como configurar na prática “todas as capacidades mentais”? Como se sabe que a pessoa está na posse de todas as capacidades mentais? E quando é que isso é aferido, em que momento temporal?
    “Rigorosa regulamentação” trará como é evidente interpretações muito diferentes. Quem poderá interpreta-las com segurança?
    A constituição não terá que ser alterada? Nela se diz que a vida humana é inviolável – artigo 24º nº1 da RCP. O que quererá dizer inviolável?
    Nada contra quem sofre e tem a morte como certa sem possibilidade de recuperação possa ver encurtado o sofrimento.
    Portanto as minhas dúvidas não são de natureza filosófica mas prática

    1. Plínio:
      Dúvidas práticas e começando pelo último ponto: não sou jurista, mas constato que se a IVG não foi considerada inconstitucional, então a eutanásia também não será.
      Esse argumento de que não se pode aferir em rigor do estado mental de uma pessoa é falacioso. Acresce que neste caso no que diz respeito às circunstâncias em que a pessoa se encontra não há subtilezas: ou a situação de sofrimento extremo e irreversível é clara, ou então a possibilidade de fazer eutanásia está fora de questão.
      Muitas leis são sujeitas a interpretações diferentes. Não é por isso que se deixa de legislar. A regulamentação serve para as clarificar. Neste caso o facto de o acto depender de circunstâncias extremas – facilmente aferíveis até por leigos – facilita tudo, portanto também considero falacioso esse fantasma da “interpretação da lei” que habitualmente se agita quando se argumenta contra a eutanásia.

      1. A questão do aborto e não inconstitucionalidade é um pouco diferente, já que o feto não é considerado igual a ser humano completo e com vida. E salvo o devido respeito a questão da interpretação não se resolve com regulamentação. Resolve-se com a aplicação prática feita por pessoas com interpretações muito diferentes baseadas em diferentes convicções. Portanto não se venha com o fantasma. Não estamos a legislar sobre garantias de bens ou sequer sobre questões financeiras mas sim sobre a possibilidade da eutanásia. Todos os cuidados são poucos. Independentemente disso sendo feita a lei e sendo a mesma constitucional aplique-se.

        1. Não falamos de objectos. Mas falamos de decisões pessoais e intransmissíveis. Quando se argumenta contra a eutanásia parece que se está sempre a ignorar este detalhe, insinuando que as pessoas que o fazem são sujeitas à decisão e à pressão de terceiros.

  4. Sobre o Ponto 2.

    “A decisão é do doente (e só considerada se reconhecidamente ele está de posse de todas as suas capacidades mentais)”

    E a influência de um familiar ou compadre com um carácter menos vertical sobre um idoso ou uma pessoa fragilizada psicologicamente?

    1. Mais uma vez: o que está em causa são situações de sofrimento extremo (dores insuportáveis, situações altamente incapacitantes) sem possibilidade de remissão. Porque é falso que os cuidados paliativos, de que tanto se fala, sejam eficazes o suficiente para evitar o sofrimento. Infelizmente é assim em muitos casos. O objectivo da eutanásia é dar às pessoas a possibilidade de pôr termo a um sofrimento que consensualmente é reconhecido como insuportável. Nestas circunstâncias não faz sentido colocar a questão nos termos em que a coloca.

      1. The argument in favor of euthanasia or PAS in end-of-life cancer care appears ostensibly compassionate and practical. Further examination reveals this stance to be ultimately predicated on a platform which seems to fail to consider well-founded alternatives, and additionally to deny the fundamental existence of humans as created beings. The alternative approach of the appropriate use of the specialty of pain medicine within a greater setting of palliative care allows compassionate care and fundamental respect for the dying as those having human lives of value. Although suffering is to be eased whenever possible, the presence of healthcare practitioners with a spiritual orientation may lead to less likelihood that this goal will be attempted to be accomplished at the expense of all else, especially the life of the patient.

        https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4434784/

        1. A medicina da dor pode muito, mas não pode tudo. E quando se fala de eutanásia não é só de dor física que se fala. Há situações de sofrimento intolerável e irremissível que nada têm a ver com dor. Já referi um exemplo que foi largamente difundido através do filme Mar Adentro (2004).

          1. Teresa recomendo o “Escafandro e a Borboleta”

            https://www.youtube.com/watch?v=N4yY1yedPEc

            Bem, sei Teresa. Mas em ciência há pouco lugar a subjetivismos. Como avaliar essa dor psicológica? Um doente com uma Depressão Major manifesta uma dor psicologia exasperante. Seria um candidato à eutanásia?

            Teresa se começamos a discutir princípios morais com argumentos racionais deixa de haver moral – esterilização de deficientes, ou de doentes com doenças genéticas hereditária graves, etc.
            A moral são valores não racionais, emotivos, que valem por si, não tendo utilidade para além de si mesmos. Moral não se apoia na Ciência, mas sim na Cultura

          2. Recorrendo, Neubauten, ao exemplo do filme: é assim tão subjectiva a dor psicológica que se adivinha numa pessoa que é condenada a viver para todo o sempre presa a uma cama?!
            A depressão Major é uma doença grave mas cujos sintomas – como sentimentos depressivos, incluindo pulsões suicidas – é possível tratar. O recurso à eutanásia é uma questão que só se coloca quando a medicina não tem capacidade de resposta.

          3. Teresa, as depressões major e a doença bipolar raramente têm cura. São doenças cronicas.Os seus medicamentos altamente ineficazes, e os seus efeitos adversos enormes (memoria, cognição, mobilidade…

            Cumprimentos,

          4. Não disse “curar”, mas sim “tratar”, no sentido de controlar, fazer contenção de danos. Infelizmente estou familiarizada com a depressão major e a doença bipolar, portanto sei do que falo.

          5. Teresa também tenho experiência pessoal e familiar. Tive POC – Depressão com 16 anos, fui medicado. Nada resultou. Tentei racionalizar a doença e controlei-a (triunfo da vontade?). Na minha família paterna grande parte são bipolares. Um inferno para a família. As medicações põem-nos a dormir, ou letárgicos, a um ponto que deixam de se interessar por tudo. Filhos, mulher, netos, nada importa. Egocentrismo extremo. Resultado da doença? Personalidade? E com o tempo apenas olham para dentro. Olhar vazio. Olhar de boneca. E com o tempo morrem-nos, permanecendo vivos. Vivos, mas sem nada por dentro. Ocos. E com o tempo a doença ou os medicamentos ou as duas coisas conduzem inexoravelmente a uma cama. E a cama a uma atrofia muscular paralisante. E depois, pior, a uma degenerescência imoral. Imoral no sentido da dureza do castigo. Ninguém deveria merecê-la, essa humilhação nua. O meu pai continua vivo, numa cama, mas há anos que lhe disse adeus. Sofro agora mais pela minha mãe, pois ainda acredita que o meu pai vive.

          6. Sinto muito pelo seu pai. Na minha família, felizmente, não existem casos, mas acompanho há muitos anos a evolução de uma depressão numa das minhas melhores amigas, já classificada de depressão major, que viveu com um bipolar (algo que não a ajudou). Enfim, tudo para dizer que não é, contudo, destes casos que se deve falar quando se fala de eutanásia, porque para a reclamação desse acto exige a serenidade da lucidez, sofrimento atroz e a total impotência da Medicina. Como testemunha que fui e sou do acompanhamento médico de depressões e distúrbios bipolares, a conclusão que tiro é que embora não resolva, a Medicina consegue, na maior dos casos, fazer uma razoável gestão dos danos, o que se reflecte no relativo bem estar dos pacientes.
            Também a eutanásia não se aplica aos casos de doentes que perderam, numa fase terminal, a consciência do que são, porque tem de ser uma decisão límpida, consciente e aceitável do próprio (aceitável no sentido em que se enquadra nas situações em que se reconhece que a eutanásia é aplicável)

          7. Obrigado, Teresa!

            “acompanhamento médico de depressões e distúrbios bipolares, a conclusão que tiro é que embora não resolva, a Medicina consegue, na maior dos casos, fazer uma razoável gestão dos danos”

            Parece-me que essa gestão dos danos é mais direcionada para os familiares do que para o doente bipolar. É como lhe digo, os medicamentos aliviam o fardo dos que têm de conviver com o doente bipolar por este ficar adormecido e assim dar algum descanso ao cuidador.

            Relativamente à Eutanásia a minha posição por enquanto é: Não sou para já a favor. Para já.

  5. Quem sofre com a morte, nunca é a pessoa em si (pode sofrer com a vida), mas geralmente os seus familiares e seus amigos.

    Custa-me um pouco ouvir dizer alguém que preferia morrer quando estão pessoas ao seu lado que gostam dela e que a querem ali.

    Querer morrer é um acto “egoísta” em geral, por isso acho um certa “piada” a serem as pessoas de esquerda (maioritariamente) a defenderem esta solução.

    Além de quê, tirando os incapacitados físicos, é fácil cometer suicídio sem sofrer, com produtos comuns que toda a gente tem em casa, basta-se informar um pouco.

    Para mim eutanásia é igual a suicídio auxiliado por outra pessoa.

    Deixo uma última questão, naqueles casos que o suicídio (tradicional) não foi bem sucedido o médico deve deixar morrer essa pessoa? Afinal a sua vontade era morrer…

    1. Quando se fala em eutanásia, genericamente, fala-se em coisas muito diferentes.
      Fala-se em suicídio assistido – um acto consciente e deliberado, que no momento decisivo não envolve terceiras pessoas.
      Fala-se em eutanásia passiva – que é, ‘grosso modo’, a suspensão de tratamentos terapêuticos para não prolongar artificialmente a vida para além do seu fim natural.
      O dilema ético e moral relaciona-se essencialmente com a chamada eutanásia activa, que atenta contra um dos raros direitos considerados invioláveis na Constituição portuguesa: o direito à vida.
      “A vida humana é inviolável” (artigo 24.º da nossa lei fundamental). Não pode haver maior imperativo legal que este.
      Faço notar que o n.º 2 do mesmo artigo estabelece que “em caso algum haverá pena de morte”. Outro imperativo, indiscutível.
      E aproveito para assinalar outro direito com carácter absoluto na Constituição de 1976, que ainda nos rege: “A integridade moral e física das pessoas é inviolável” (art. 25.º). Que, por sua vez, se articula com o n.º 2 do mesmo artigo: “Ninguém pode ser submetido a tortura, nem a tratos ou a penas cruéis, degradantes ou desumanos.”
      Quero com tudo isto dizer que o nosso edifício jurídico, em matéria de direitos, parece sólido mas no fundo é frágil. Quase como um castelo de cartas. Se de lá tiramos uma, o edifício desmorona-se.

      1. Se a lei sobre IVG foi possível, apesar desse articulado da constituição, a eutanásia também é possível. Há contradição na lei fundamental quando defende que a vida é inviolável, mas também que as pessoas não podem ser sujeitas a tortura. Quem se encontra num quadro em que a eutanásia é aplicável, recusar-lhe a “morte doce” é sujeitá-las a tortura.

    2. Acho graça à leveza com que as pessoas julgam estas situações e quem as apoia. Penso sempre que nunca devem ter feito um simples exercício. Simples e honesto, do ponto de vista intelectual, que é o de se meterem na pele destas pessoas.
      O que será viver completamente imobilizado numa cama durante 30 anos, sem hipótese de recuperação? Como será suportar dores lancinantes por tempo indefinido? Até que ponto é suportável saber-se que se vai viver em sofrimento extremo até o corpo, finalmente, nos libertar?
      Em vez de pôr a questão entre esquerda e direita, reconheça que antes do mais é a questão religiosa que separa, nesta discussão, as opiniões. Respeito quem, por convicção religiosa, é contra a eutanásia; mas tal não lhe dá o direito de defender a sua interdição a outros. A eutanásia é uma questão de liberdade.

      1. Totalmente ao lado, esta não é uma questão religiosa, é uma questão ética, moral e filosófica. Entre o conceito da vida e da morte e da intervenção intencionada nestes acontecimentos, que pouco tem a ver com a religião.

        Por exemplo, os USA, um país bastante religioso, têm pena de morte, é uma questão religiosa?

        Ninguém não reconhece que essas pessoas sofrem, a questão não é essa, a questão é: um médico ou outra pessoa deve matar essa pessoa a pedido desta? Uma pessoa dá uma arma para a sua mão e pede que a mate (a morte é quase instantânea e sem sofrimento), faz-lo? É sim uma questão filosófica e não religiosa mais uma vez. Só porque é de um modo menos “brutal” (anestesia + injecção letal), não deixa de ser a mesma questão.

        Outra questão, o médico que sempre tratou a pessoa seria obrigado a matar o doente a seu pedido?

        Leveza é a sua maneira de pensar.

        Pedro Correia, sim legalmente em Portugal não é possível legislar esta questão sem alterar a Constituição. Mas penso que este debate se pode fazer mesmo sem essa possibilidade, pois se houver um consenso pode-se alterar a Constituição (o que me parece claro é que não existe esse consenso).

      1. O suicídio não é criminalizado, tanto que uma pessoa que o tenta e não tem sucesso nessa tentativa, não lhe é movida nenhuma acção legal, é lhe prestado apoio médico e psicológico.

        1. Tanto quanto sei essa pessoa pode ser responsabilizada por danos civis e mesmo por danos causados ao Estado, em determinadas situações.

          1. Dá-me um exemplo desses em Portugal (sinceramente não me vem à memória nenhum caso desse género), mas sem dúvida que é possível.

            Se na tentativa, causar danos pode ser processado por isso.
            Por exemplo, se a pessoa o tentar fazê-lo através de uma explosão de gás (causando danos materiais a outras propriedades e pessoas), pode responder por esses crimes. Ou por exemplo se o tentar fazer com uma arma ilegal, pode ser acusado, no entanto como disse não me lembro de um caso destes.

            No entanto, como já disse em cima, bastando pesquisar um pouco e sem cometer nenhum crime é possível ter uma morte sem sofrimento com produtos que se têm em casa e com 100% de garantia. Ao contrário de métodos mais brutais.

            Resumindo em Portugal o suicídio ou a tentativa de o fazer não é um crime e isto é um facto ao contrário de alguns países onde é crime.

          2. Não tenho a certeza, de facto. Mas recordo vagamente a ideia de alguém ter sido processado pelo Metro por.. enfim.. ter posto aquilo tudo em polvorosa. Pode ser um mito urbano, não sei.

  6. Surely you jest.

    “2. A decisão é do doente (e só considerada se reconhecidamente ele está de posse de todas as suas capacidades mentais)”

    Da Holanda:
    “Doctor forces family to hold down grandma to be euthanized.

    In this case, the woman, who was suffering from dementia, had earlier expressed a desire to have her life ended when she felt the “time was right”.

    The end came when a doctor put a soporific into her coffee before administering a lethal injection.
    But as the doctor tried to administer the injection, she began to struggle and the doctor had to seek the family’s help to complete the procedure.”

    “3. Não se coloca a questão de tal servir para facilitar suicídios de pessoas que estão, por exemplo, simplesmente com uma depressão.”

    Da Holanda:

    “Na Holanda, uma lei permite a morte assistida apenas em crianças a partir dos 12 anos […] Um dos casos mais recentes é o de uma jovem de 20 anos, vítima de depressão e anorexia após sofrer um abuso sexual, que recebeu autorização para se submeter a eutanásia por injecção letal.”

    1. O primeiro exemplo que cita, é crime. O segundo, no máximo também é, no mínimo é negligência médica, irresponsabilidade, não sei como lhe chamar. Não se pode deixar de legislar porque há infractores. A regulamentação deve restringir ao máximo os casos em que este acto extremo é permitido.

      1. Foi a eutanásia – o entusiasmo pelo culto da morte – que abriu a porta a esses crimes.
        Sem um regime de eutanásia aquele médico nunca se atreveria a assassinar a sua doente.
        Não há legislação que possa defender ninguém quando se abrem certas portas, nomeadamente quando se diminui a consciência da ilicitude de um acto.

  7. “1. Ninguém obriga ninguém a fazê-lo. Tal como no caso da IVG, os profissionais de saúde que sejam contra têm o direito de se recusar a colaborar.”

    Comparação sem razão. A criança é morta logo sim há quem seja obrigado a morrer.

    —-
    Em teoria sou favorável a Eutanasia desde que seja o próprio a comete-la – suicido assistido portanto- mesmo que outros tenham de preparar.

    Mas na prática arriscamos a pressão para morrer: não quero dar trabalho aos filhos, etc.
    Vai dar muita coisa feia que como é óbvio não vai ser censurada pelo jornalismo porque é mais um ícone da Esquerda.

    1. “Mas na prática arriscamos a pressão para morrer: não quero dar trabalho aos filhos, etc.”

      Exactamente. Eu acho que este é o maior problema. Creio que a Eutanásia pode ficar como acordo secreto entre o paciente e o médico sem intervenção do Estado — como já acontece. No fundo, para quê legislar sobre isto? O fim dos que propõem a legalização é só modificar a sociedade, não é salvar ninguém.

      No caso do aborto, mudei um pouco a minha opinião ultimamente. Na altura fui a favor porque apesar de defender a responsabilidade maternal e paternal considerei que havia um problema de saúde pública e de mal-feitoria (operações clandestinas em vãos de escada e gente oportunista a ganhar muito dinheiro com isso) pelo que me parecia preferível ser feito em sítios “autorizados” dado que se fará sempre independentemente do que diz a lei.

      Mas agora vejo mais a vida em si, a vida que perde (pessoas que não vamos conhecer). Tive vários alunos que eram orfãos abandonados, que eventualmente não existiriam hoje se o aborto fosse legal na altura — e quando me confrontaram com isso (depois de eu expressar que era a favor) fui forçado a rever a minha posição. Perturbou-me bastante esse episódio. E percebi a irracionalidade e o fanatismo de legislar sobre estas coisas: no fundo o que interessa a alguns é atacar a moral cristã e modificar a sociedade só porque abstractamente lhes parece que há direitos em vez de deveres. Há coisas que devem ficar na esfera individual e admito que a eutanásia deve ficar neste limbo (entre o paciente e o médico)

      Em todo o caso, criminalizar uma mulher que faz um aborto sempre me pareceu absurdo porque ninguém aborta de ânimo leve, acho eu.

      Já com a eutanásia não sou contra por princípio, mas votarei contra num referendo porque me parece que se levantam outros problemas como a influência de um familiar sobre uma pessoa doente.

      ^algumas ideias soltas.

    2. Qual ícone da esquerda! O assunto é demasiado grave para virmos com esse folclore habitual, não acha? Só quem nunca viu um familiar sofrer a ponto de lhe desejar a morte é que pode falar deste assunto com tamanha leveza!

  8. esta discussão não vai ser honesta…porque colocar o suicidio como questão já diz tudo sobre a honestidade da questão…querem matar os velhotes e não como !!! o que custa é abrir a porta…

    1. Só espero que quem argumenta assim, nunca venha a sentir no pêlo o que é o sofrimento extremo. É que as pessoas esquecem-se que ninguém tem o futuro nas mãos. Por isso este assunto deveria merecer uma reflexão mais séria e não de acordo com a velha lógica clubística esquerda versus direita; liberais versus conservadores.
      Se a decisão de cometer eutanásia é pessoal e só é considerada em casos muito específicos e uma vez reconhecida a capacidade mental da pessoa, esse seu argumentário não faz sentido nenhum!

      1. Mas “você não sabe argumentar porque nunca viu um familiar sofrer” também não me parece grande argumento. Além de falso. Todos nós já passámos por isso. Ou vamos passar. Não se pode legislar com as emoções (a lei tem de calcular). Ou então não se legisle — que é o que eu defendo.

  9. Parece-me que podendo uma pessoa matar-se a qualquer momento de mil e uma maneiras (sem julgamentos morais, nunca será tão egoísta quem se quer privar aos outros – estranha forma de colocar uma decisão minha sobre a minha vida – como outros obrigarem alguém a viver contra a sua vontade), a unica coisa para que a lei é chamada é o que fazer quando ela está a cargo de alguma instituição.
    Se pede que a matem (caso esteja incapacitada de o fazer sozinha) ou que a deixem morrer convém que esteja de posse das suas capacidades. O termo já existe para testamentos por exemplo.
    Mas sobram ainda inúmeros casos, dou apenas 3 exemplos:
    – idoso com posses e sem herdeiros a cargo de lar pouco escrupuloso que o mantém “vivo” em estado vegetativo durante 10 anos para continuar a receber a renda ou o subsidio
    – alguém em coma durante 5 anos sem esperança concreta de vir a acordar, de quem a família já desistiu mas que não deixou testamento vital
    – e quando a tecnologia permitir manter alguém ligado à máquina durante 200 anos sem o conseguir ressuscitar? Vamos continuar a hipocrisia de alguém se esquecer de trocar as baterias à máquina? Criar um arquivo morto onde depositamos todos estes casos tentando prolongar a vida com o mínimo custo para a sociedade?

    Ou seja, caímos no ponto 3, o da regulamentação, que é dispensado pela Teresa com alguma ligeireza, acreditando que “naturalmente” aparecerá uma regulação “rigorosa”. Por algum motivo me lembrei logo do BES, onde quase 3 anos depois a tal da regulação ainda não conseguiu condenar ninguém de coisa alguma, nem um vendedor de lixo ao balcão, nenhum aprovador de créditos ou produtos ruinosos, etc. e agora à laia de “regulação forte” se deixam na mesma todas as regulações que nunca puniram ninguém e nos limitamos a aumentar a pena a que está sujeito quem absolutamente nada tem a temer deste tipo de “reguladores”.

    1. E com base nessas dificuldades continuamos a empurrar com a barriga uma decisão – a de legalizar a eutanásia – continuando a condenar a um sofrimento desumano as pessoas que estão no centro desta discussão e que são o elo mais fraco.

    2. Os seus casos não são bons exemplos para esta questão, uma vez que a eutanásia se baseia no pedido expresso da pessoa para morrer, em nenhum desses casos isso é possível.

      Essa é a questão de se deve desligar ou não a máquina que mantém essa pessoa “sem” consciência viva. Algo que os médicos já podem fazer em certas situações (morte cerebral).

  10. reconhecidamente ele está de posse de todas as suas capacidades mentais

    Pode uma pessoa em grande sofrimento estar na posse de todas as suas capacidades mentais? Se é que alguma vez alguém está na posse delas. Todas as pessoas têm (muitos) momentos em que não estão na plena posse das suas capacidades mentais…

  11. A eutanásia não é um tema para ser abordado somente por profissionais de saúde. A sua autoridade e competência é direccionada para o sentido de sua missão. Também não pode ser abordada por uma qualquer equipa parlamentar, porque o exercício de suas competências legislativas devem abranger muito para além de suas agendas políticas e sociais; elas devem ter como princípio a raiz de uma sociedade.
    Só a algumas décadas essa raiz tem vindo a ser cortada, sendo substituída pela raiz ou cultura da morte.
    Há uma morte, que se designa por morte ontológica, a que vem sendo adicionada a eutanásia passiva, isto é, o desinteresse, o egoísmo, o dito modernismo de merda, o abandono… que tem escolhido o caminho mais fácil para dar resposta a um tema maior, que é o sentido da vida desde a sua concepção até ao momento último.
    Tal como Agostinho de Hippone, convém reflectir se escrevemos e falamos sobre a vida que conduz à morte ou da morte que conduz à vida.
    A questão substantiva passa por descobrir o sentido da vida. E só os ingénuos ou ingénuas pensam que esta vida só tem sentido pela via da facilidade; e nem mesmo assim conseguem viver com a alegria que desejam.

    Qualquer impedimento é causa de grande sofrimento. Todavia há um sentido para o sofrimento. Em termos sociais é necessário reflectir sobre este sentido. E ao escrever sobre sofrimento não me refiro ao tradicional dolorismo com que se encara a vida.
    A partir do momento que descubramos que o sofrimento alheio contribui mais para a elevação moral, ética, social e formação daqueles que com estes convivem, certamente deixaremos de andar a armar aos bonzinhos e bonzinhas com atitudes gratuitas que só satisfazem o ego, mas também acabaremos com matérias legislativas que percorrem os mesmos caminhos.

    Se me permite, concluo este tema, bordando-o, com um poema de S. João da Cruz:
    “Entrei onde não soube,
    E quedei-me não o sabendo,
    Toda a minha ciência transcendendo.

    Eu não soube onde entrava,
    Mas quando ali me vi,
    Sem saber onde estava,
    Grandes coisas entendi,
    Não direi o que senti,
    Que quedei-me não o sabendo,
    Toda a ciência transcendendo.

    De Paz e Piedade
    Era a ciência correcta,
    Em profunda soledade,
    Sábia via recta;
    Era coisa tão secreta,
    Que quedei-me não o dizendo,
    Toda a ciência transcendendo.

    Estava tão embebido,
    Tão absorto alheado,
    Que se quedou meu sentido
    De todo o sentir privado;
    E o espírito dotado
    De um entender não entendendo,
    Toda a ciência transcendendo.

    O que ali chega, verdadeiro,
    De si mesmo desfalece;
    O que sabia primeiro
    AGORA BAIXO LHE PARECE,
    E a sua ciência tanto cresce,
    Que se queda não sabendo,
    Toda a ciência transcendendo.

    Quanto mais alo se elevava
    Tanto menos entendia,
    Que a noite se aclarava
    Pela nuvem que se escondia;
    Por isso quem a sabia
    Fica sempre não sabendo,
    Toda a ciência transcendendo.

    Este saber não sabendo
    É de tão alto poder,
    Que os sábios rebatendo
    Jamais o podem vencer;

    Pois não chega seu saber
    A não entender entendendo,
    Toda a ciência transcendendo.

    E é de tão alta excelência
    Este sumo saber,
    Que não há faculdade nem ciência
    Que o possam empreender;
    QUEM SE SOUBER VENCER
    COM UM NÃO SABER SABENDO,
    IRÁ SEMPRE TRANSCENDENDO.

    E se o quereis ouvir,
    Consiste esta suma ciência
    NUM ELEVADO SENTIR
    DA DIVINA ESSÊNCIA;
    Sendo obra da sua clemência
    Fazer ficar não entendendo,
    Toda a ciência transcendendo”.

    1. Vento, não me leve a mal, mas gostava de o provocar:

      “Só a algumas décadas essa raiz tem vindo a ser cortada, sendo substituída pela raiz ou cultura da morte.”

      A cultura da morte é a génese da religião e de todas as artes

      “isto é, o desinteresse, o egoísmo, o dito modernismo de merda, o abandono… “

      Não é o modernismo. A maldade natural é o nosso grande problema ontológico – veja a Ira do Senhor contra o egoísmo, o desinteresse do povo de Efraim e de Juda.

      “A questão substantiva passa por descobrir o sentido da vida”

      E se o sentido é não haver sentido?

      “E só os ingénuos ou ingénuas….”

      Refere-se aos ateus, aos epicuristas?

      “Todavia há um sentido para o sofrimento”

      Aqui reside o culto da morte, que criticava no principio.

      Bem Haja

      1. Respondo sempre a questões e a provocações com proporcionalidade. E dessa forma não só não levo a mal como procurarei responder por bem:

        Na sua afirmação resposta sobre a cultura da morte creio que mistura duas vertentes distintas, a saber: a religião e o(s) religioso(s). Nem sempre, e quase sempre, o(s) religioso(s) não viveram a essência da(s) religião(ões). Porém o instinto religioso do Homem não é histórico, é o desenvolvimento desse instinto que constitui um excelente registo histórica.

        A religião que professo, o cristianismo, ao contrário de muitas outras religiões, assenta na Revelação. Pretendo com esta afirmação fazer a distinção com as religiões naturais, aquelas em que o Homem por não compreender os fenómenos que o rodeavam submergia no culto dos mesmos, e muitas vezes de si mesmo (o imperador também era considerado deus).
        O Cristianismo é uma proposta de Vida. Até o seu símbolo máximo, a Cruz, nos faz celebrar a Vitória. É ali que o Amor vence a Morte e é ali que compreendemos o que é ser Sal da Terra e Luz do Mundo. O Sal, entre outras funções, era usado para evitar a corrupção dos alimentos.
        E neste sentido, transpondo para a não corrupção da Vida e do Ser, a Cruz revela-nos que essa Vida só pode ser vivida não por qualquer preço mas custe o que custar.
        Viver a vida por qualquer preço é simplesmente adulterar os seus princípios, isto é, corromper-nos por uma preço qualquer. Consequentemente, ao sentido de todo esse sofrimento que subjaz na Cruz está uma vida vivida por entrega e Amor ao Homem. É este o sentido do sofrimento.
        Poder-lhe-ia escrever sobre a ressurreição. Mas será sempre tarefa infértil se não lhe falar primeiro do ressuscitado, Jesus. E já o venho fazendo.

        Fala da maldade natural. Porém o confronto do Homem faz-se consigo mesmo. Não é por acaso que a Boa Nova refere que o “Reino dos Céus é dos violentos”, isto é, aqueles que contrariam a sua natureza diabólica, separadora. Porém existe uma outra natureza do Homem que tem uma correspondência simbólica em Adama (Adão), que significa terra boa terra fértil. Boa e fértil porque o Sopro do Espírito lhe é inalado. É este Espírito que pode superar a maldade que nos habita, pedindo e trabalhando para que Ele haja.
        Mas mais ainda, culturalmente também adulteramos estes princípios convencidos que nos basta fazer o bem. É importante fazer o bem, mas bem feito. Para ser bem feito necessário é fazê-lo com Amor e não por obediência à lei. A lei até pode estar certa, mas a disposição do Homem é que está errada. Geralmente o bem é feito por vaidade.

        O Cristianismo através da sua Boa Nova (Evangelho) revela-nos essa novidade. Novidade, por oposição ao antigo; e novidade, por ser novo. Na realidade existe uma “mandamento novo”: “Amai-vos COMO EU VOS AMEI”.
        Este mandamento é verdadeiramente novo, porque não se encontrava no Decálogo. O Decálogo tem leis boas, mas não nos revelou o Amor de Deus. Foi a encarnação do Amor que se transformou em Sal da Terra e Luz do mundo, para que o Homem também o pudesse ser. É com Ele e n´Ele que se opera tal transformação, por acção do Espírito.

        Portanto, o modernismo não assenta em nada que o transcende nem na raiz que alimenta a vida (que é parte natural no Homem, que na sua liberdade a pode rejeitar e assumir também as consequências), fixa-se na sua natureza egoísta. Esquece o sentido e também esquece o Serviço.

        O sentido da vida compreende-se pelo não sentido que nos dá conta quando afirmou que “a maldade natural é o nosso grande problema ontológico” sic.
        Se somos capaz de distinguir a maldade como não sentido é porque no íntimo conhecemos o bem. Dizia Agostinho de Hippone: “Dei intimior intimo mio”. Isto é, Deus mais íntimo no meu íntimo. É aqui que se opera a acção do Espírito, se Lho pedirmos.
        Esta nova criação é feita sem nós. Porém “o que te fez sem ti jamais te salvará sem ti”.

        Não, referia-me mesmo aos ingénuos.

        O sentido do sofrimento já o debati acima.

        Iniciei com o tema “vos estis sal terrae”. Todavia, por vezes convenço-me que ou é o sal que não salga ou é a terra que não se deixa salgar.

        Bem Haja também.

          1. Grato por sua sugestão e recomendação. Possuo alguns livros da “Imitação de Cristo”. O mais antigo dos que possuo foi editado em 1912. É sem dúvida uma obra que recomendo não só a católicos como a todos os cristãos.

            A beleza da Salve Regina de Arvo Part é indescritível. Muito lhe agradeço. Entrámos no ano de Maria.

            Permita esta retribuição:
            https://www.youtube.com/watch?v=UnilUPXmipM

  12. Nada, mas absolutamente nada, se deve sobrepor à decisão livre e consciente de uma pessoa, sobre si mesma, seja em que circunstâncias for.
    Decisão livre e consciente com tudo o que isso implica, a montante e a jusante.
    Nada se deve sobrepor e muito menos a nossa classe política e afins.
    Posta nestes termos, a eutanásia não tem nada de específico relativamente a quaisquer outros direitos ou deveres.
    Só o tabu da morte, desde sempre explorado por certas religiões, justifica tanta confusão.
    João de Brito

    1. Não vejo que a morte seja tabu, pois esta será a nossa mais longa vida ou, para outros, o mais duradouro estado. Tabu é falar do sofrimento, e enfrentá-lo. Qualquer um é livre em absoluto para fazer o que quiser de sua vida. Já ninguém é livre o suficiente para dispôr da vida do outro em nome de um qualquer acto piedoso como se de um cavalo com a perna partida se tratasse.
      O desalento e o sofrimento também é parte do viver. Mas há quem não queira, e suicida-se. Não julguemos estes ou estas.
      Mas não podemos simplesmente usar a ciência só porque esta ainda falha nas respostas ao sofrimento. Já sabemos que há respostas à dor, mas a medicina e a ciência existe, ou devia existir, para servir o homem e não para eliminá-lo. Onde a ciência não dá resposta tem de ser a sociedade a responder. Quem quiser de outra forma terá de fazer um caminho solitário.

      O que distingue o Homem do animal é a capacidade que o primeiro possui em amar. É possível morrer por amor, e dar a vida por amor. Mas nunca tirá-la.
      É necessário distinguir a Paz do bem-estar. Uma é espírito a outra é carne.

  13. Seja como for, suspeito que vamos discutir isto mais honestamente aqui debaixo deste post (apesar dos contributos do Ein Esturjão Nojento) do que aqueles tipos no Parlamento ou nas televisões.

  14. Teresa: se eu pedir a Eutanásia tenho de pagar taxa moderadora?
    Esta é a questão que me interessa, filosofia não.

    1. E por que havia de ser?! Hawking é um exemplo extraordinário de resiliência e superação. Uma inspiração para muita gente (pessoas com deficiência e não só). O que tem a ver com a eutanásia? A eutanásia é uma eventual saída para quem está vivo mas não tem vida, nem perspectivas de vir a ter uma.

      1. Já vi que a Teresinha é que decide quem tem perspectivas de vir a ter uma vida ou de quem tem vida.Ninguém, nem os profissionais de saúde, podem ser envolvidos nessa questão da eutanásia. Porquê o suicídio assistido?
        É caso para referir: “deixai que os mortos enterrem seus mortos. Segue-me”.

        1. “Já vi que a Teresinha é que decide…” Não, ela não decide, ela tem uma opinião e mostra-a somente.
          Pena que não tenha opinião sobre as taxas moderadoras, única coisa que me interessa.

          1. Bem, a opinião implica decisão. No caso em apreço não se preocupe com as taxas moderadoras. Deixe isso para os herdeiros.

            Sou capaz de compreender alguém que se suicida. Já me custa aceitar que alguém que o deseje tenha que arrastar outros nessa decisão.

          2. Para os herdeiros? Ouvi dizer que no caso da Eutanásia exigiriam pagamento adiantado.

          3. Tem dificuldade em entender alguém que arraste os outros nessa decisão, porque não lhe interessa considerar um aspecto que é fulcral nesta discussão: o da impossibilidade física de a pessoa fazê-lo sozinha.

          4. Minha cara Teresa,

            o que é fundamental perceber é que existem dois tipos de leis: uma natural e a outra social.
            A questão da eutanásia, por muito compassivo que eu possa ser para quem se encontra em estado debilitante, não pode adulterar as leis supra.
            Há quem mate para sobreviver. Sob um ponto de vista legal tem uma atenuante, mas a atenuante não invalida o crime.

            Na perspectiva médica o foco direcciona para o cuidado e nunca para a eliminação.
            Uma vez que aborda a questão sob o prisma da impossibilidade, uma vida no ventre materno também está impossibilitada de se defender perante a morte infligida pelo aborto.
            https://www.youtube.com/watch?v=ijHEuKOFd2Y

          5. E há quem morra para que outros vivam. A morte, sendo ela voluntária, ou não (quando o próprio não pode decidir – tem a possibilidade do testamento vital), pode ser também uma acto de libertação do próprio, mas também dos outros.
            Imagine-se Vento, deitado numa cama, sem saber o seu nome, o dia, as letras, os números. Os livros. Cristo (sei que é crente). Sem razão. Sem emoção. A baba que lhe ensopa a almofada. Incontinente e com fraldas. Só com a sua nudez…. Só. Sem o prazer da leitura, da musica, da paisagem, do Sol…da companhia. Vento, fazendo um juízo superficial, pois não o conheço, posso inferir que estará de acordo que essa vida não é vida. É existir, como um móvel. Uma cadeira. Não é justo semelhante castigo.

          6. Começo pelo fim. O meu caro tem pena de si numa situação dessas, e eu também não gostaria desse papel. E até agora eu tenho desenvolvido o tema sob um prisma da ciência. Não compete à ciência definir o que é vida e o que não é nos termos em apreço. A ciência médica apresenta-se como cuidadora e não como juíz.
            O testamento vital diz respeito a uma suposta vida em estado vegetativo por suporte técnico, isto é, é a máquina que faz a função. Que é algo diametralmente oposto ao que se discute. Uma qualquer doença hoje incapacitante, amanhã poderá não sê-lo com a evolução da ciência.
            Não se pode desmantelar o sentido da solidariedade social pela opção do mais fácil.
            O sofrimento também é um estado da vida, importa descobrir-lhe o significado e o sentido. Sendo também isto válido para mim. Mas o sofrimento tem de nos mostrar, aos que não sofrem essa condição, que está aí para nos elevar; acolhendo e sofrendo com quem sofre. Um móvel existe, mas não sofre. Escrevemos sobre Pessoas. Essa imagem fere e insulta a dignidade da Pessoa qualquer que seja sua condição.

          1. Sim, é verdade. Por isso andam a pedir a eutanásia.

            Existem um sem número de doenças que incapacitam a pessoa, para as quais a ciência não dá resposta para além dos paliativos.
            A Teresinha confunde compaixão com acto médico. O acto médico deve ser compassivo na utilização dos recursos técnicos e humanos que disponibiliza ao doente. Mas daí à eutanásia quase que sou obrigado a pensar que professa a eugenia (os bem nascidos) ontológica onde se demarcam os aptos e os menos aptos a viver esse conceito de vida isento de sofrimento.

          2. Chamar a eugenia para aqui não é sério. Típico de quem quer desviar a discussão da sua essência.
            A Medicina não pode tudo e os médicos sabem isso melhor que ninguém e em muitos casos não é suficiente para reduzir o sofrimento para níveis suportáveis. Nesse caso, acabar com a tortura abreviando uma vida que só promete sofrimento é um acto de compaixão.

          3. Sabe o que é a eugenia?

            O facto da medicina não saber tudo, não significa que valha tudo. O sofrimento suportável não é mensurável.
            Compaixão significa sofrer com, e não matar quem sofre.
            Já ouviu falar em coma induzido? O coma induzido não significa coma permanente. Pode induzir-se de tempos a tempos, conforme a necessidade.

          4. Sim, Teresinha, sei o que é a soberba. É a palavra acusadora exaustivamente usada quando a razão e a fundamentação deixam de existir no oponente.

            Por esta soberba que me atribui garanto-lhe que permanecerei em pecado mortal, segundo a terminologia que você atribui à ICAR.

            Sabe o que é a soberba? É pretender ser como Deus. Poder decidir quem deve viver e morrer. O contrário da soberba é ser húmus, in terris, isto é, humilde. E sabe o que é ser húmus ou humilde? É colocar-se sob a acção do Divino, é ligar-se a Ele.
            Se alguém lhe disser que destronar a pseudo-sabedoria da dita ciência é ser soberbo, não se preocupe. Não se preocupe porque “os humildes serão exaltados”. São precisamente os pobres de espírito, isto é, aqueles abertos à inspiração Divina que acolherão o Reino.
            Portanto, para atravessar a Porta estreita é necessário fazer-se uma cura da obesidade. São precisamente os que se deixam emagrecer dessa ciência da treta de que se enchem e incham que estarão em condições para ser húmus, in terris, e receber o Sopro da Vida.
            É esta a via da minha soberba, e também confrontar os soberbos, os que o são mesmo, com a sua sabedoria da treta, que julgam funcional.

            Já há muito tempo, entre outras, você acusou os católicos de nada perceberem sobre a Bíblia. Eu ainda continuo, soberbamente, à espera de suas consistentes réplicas e/ou tréplicas.
            Mas mantenho por si a amizade possível. Sei que é virtual, mas é amizade.

  15. Vento não existe nenhuma ideia universal sobre a vida. Ou sobre a morte. Tem o harakiri . Tem o suicídio voluntário dos velhos mestres yogus , que persentindo o fim se embrenham na floresta. A única propriedade verdadeira e intransmissível é o nosso corpo. A nossa vida. E quanto aos avanços científicos eles não surgem aos saltos. Demoram décadas até novas abordagens terapêuticas serem autorizadas. Falamos nos de hoje. Prefiro o suicídio a uma vida humilhante. Acredito na eternidade da vida em si – os meu corpo decompor-se-á em elementos químicos que servirão para outras vidas – mas não acredito em juízos finais, nem na eternidade do indivíduo. Isso soa – me a paganismo. E como pode ser Deus justo se ele próprio faz um esforço por não castigar injustamente. Leia o Antigo testamento. Humano, demasiado humano

    1. É você que busca a religião para dar credibilidade a seus argumentos. Mas o meu caro Einze confunde a liberdade com o acto religioso. O antigo Testamento também é uma história de Deus na vida do Homem e não a do Homem na vida de Deus, com todas as grandezas e fragilidades deste último, o Homem. Portanto, o Antigo Testamento, com todos os seus estilos (profético, histórico…, sendo que 40% do AT é narrativo) pretende traduzir o caminho do Homem à perfeição. Perfeição essa que se consuma no Novo Testamento, isto é, revoga a antiga Aliança pela Nova e Eterna Aliança.
      Fixar o olhar no AT sem a continuidade que aperfeiçoa o caminho é manter perpétuo o que está errado. “Aplainai o caminho do Senhor”, não obstante a Revelação, é uma constante em todas as gerações. Por isto mesmo a Aliança é Nova e Eterna, é um eterno presente a oferta do sacrifício pela Salvação do Mundo.
      Mais ainda, Foi o próprio Jesus que nos disse: «O Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e recordar-vos-á tudo quanto vos tenho dito». Vem isto demonstrar que é esta abertura ao Espírito que tornará mais vivo e concreto os ensinamentos de Jesus. Concluindo este capítulo, o missionário deixou-nos o “Instrumento” para que a missão prossiga. Essa missão é a transfiguração do Homem a essa Imagem criadora e recriadora. Em concreto não lhe posso dizer o que é o Espírito Santo, porque Este não se mostra pelo que é mas pelo que transforma no Ser.

      O juízo final é aquele que revela em seu comentário. Logo, existe um juízo final, a sua maneira.
      O juízo final é aquele que se regista na consciência de cada um. É na consciência do Homem que Deus se faz escutar.

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