É oficial: o Fado foi reconhecido pela UNESCO como Património Imaterial da Humanidade. Estão de parabéns todos os portugueses, quer gostem ou não deste género musical. E estão de parabéns, particularmente, os principais impulsionadores desta candidatura, com especial destaque para Rui Vieira Nery.
Por mim, ergo com muito gosto a bonita guitarrinha estilizada que recebi na homenagem que a Sociedade Portuguesa de Autores fez recentemente a todos os que de alguma forma estão ligados ao Fado: autores, intérpretes e instrumentistas. É uma honra fazer parte desse universo.


Como fazes parte do Fado, deixei-te ontem à noite (o fado é nocturno) a minha homenagem (http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/3 770824.html). Nada como a guitarrinha da SPA, mas foi o que se arranjou.
João, obrigada! Ainda não tinha visto o teu post, já lá vou responder devidamente. Beijo 🙂
É altura também de lembrar alguns dos melhores discos de sempre da música portuguesa. Discos de fado, precisamente. Discos como ‘Com Que Voz’ (Amália) e ‘Um Homem na Cidade’ (Carlos do Carmo).
Justíssimo. E é justo referir que devemos também ao enorme empenhamento de Carlos do Carmo o resultado de hoje.
Não aprecio Fado, mas este reconhecimento é um enorme motivo de orgulho.
Tem razão, André. Este reconhecimento internacional ultrapassa o gosto pessoal, é também um reconhecimento da nossa cultura e identidade como povo.
Nunca serão demais os parabéns, Ana.
Sinto-me muito feliz por todos nós, mas em especial por todos os que contribuem, de alguma forma, para este universo.
Para si, um brinde especial.
Obrigada pelo brinde especial, Macarvalho. Mas estamos todos nós, portugueses, de parabéns. 🙂
Uns mais do que outros!
Portanto, novo brinde para si e para todos os que contribuiram para este reconhecimento.
Patetices. Um bando de burocratas a tentarem justificar o seu emprego com coisas irrelevantes.
Você também é uma figura do fado português, Lucklucky: o Velho do Restelo. (só que com um nome mais arrevezado, a atirar para o modernaço)
Heheh. Não tenho nada contra o fado. Pelo contrário. Tenho contra os burocratas que justificam lugares com o fado. Cá e na ONU.
Os artistas aliás deveriam estar com medo de políticos e burocratas a lá meterem o bedelho, mais tarde ou mais cedo só serão considerados fadistas quem cumprir determinadas regras do agrado dos personagens.
Ideia para os burocratas conseguirem justificar os seus empregos nos próximos 2 anos:
Tentar que a calçada portuguesa seja património da humanidade…
E afinal tenho de dar-lhe alguma razão, Lucklucky (quando é que arranja um nick decente, hein?). Mas é neste mundo que vivemos, e este reconhecimento é importante para o fado como produto de exportação cultural.
Quanto à sua sugestão, não lhes dê ideias. Todo este país já é uma imensa calçada portuguesa, assim pisado pelos burocratas europeus…
O fado é um dos mais comoventes traços de união entre os portugueses espalhados pelos quatro cantos do globo: deixou há muito o perímetro de Lisboa, onde nasceu, e ramificou-se por todos os continentes. Não falo de cor. Falo do que testemunhei com emoção em diversos países e territórios. Em Goa, em Malaca, na Califórnia, no Havai: lusodescendentes de segunda e terceira geração, às vezes mal já sabendo articular o idioma dos antepassados, continuam a exprimir através do fado a voz mais profunda das suas raízes. Com isto podemos dizer – seguramente sem nos enganarmos – que o fado, mais do que uma manifestação musical ou poética, mais do que uma notável expressão de arte popular de matriz urbana, é uma das senhas de identidade de Portugal no mundo. Não do Portugal de ontem ou de hoje, mas do Portugal eterno. Que transcende quadrantes geográficos, classes sociais, ideologias, clubes, crenças e gerações.
Exactamente. E mais: não é só os lusodescendentes que o fado toca. Um pouco por todo o mundo há quem goste de fado e se comova com este nosso canto, mesmo sem perceber as palavras. Já testemunhei isto mais de uma vez.
Tens toda a razão, Pedro. A música é um traço de união poderosíssimo e o fado é Portugal em música: está lá tudo sobre nós. Sabes que mais? Tenho uma japonesa a trabalhar ao pé de mim que nasceu, viveu e trabalhou em Tóquio até perto dos 30 anos, com uma situação completamente estável. Está há quase 7 anos em Portugal, sempre em situação precária, porque um belo dia ouviu fado, conheceu a guitarra, deu-lhe um ‘vaipe’ e decidiu largar tudo porque queria viver no país daquelas pessoas e daqueles sons. Agora, toca guitarra e tudo. Dá que pensar, não dá? A Sayuri é a minha prova diária de que o fado é património da humanidade…