Se os portugueses acreditam na persistência da pobreza é porque em Portugal a pobreza sempre foi um fenómeno persistente. E se é assim, classificar os portugueses de pessimistas é injusto. Afinal as suas expectativas são baixas, porque realistas. O seu raciocínio é sustentado em factos, ou apenas num: até hoje nunca foram governados por gente que soubesse tirá-los da pobreza. O fado dos portugueses são as suas elites.


Permita-me discordar.
O fado dos portugueses é não terem uma cultura de trabalho. Os votos em Portugal vão para quem tudo promete a troco de nada ou para quem pede muito trabalho a troco da devida recompensa?
E no entanto, caro Daniel, quando emigramos o nosso ADN parece que se modifica e tornamo-nos extraordinariamente produtivos. Por que será?
Desculpem intrometer-me. A performance dos emigrantes portugueses não só nada tem de extraordinário se comparada com a dos italianos ou espanhóis nos mesmos destinos como é função da performance económica do país em que estiverem: um emigrante na Venezuela não ganha o mesmo do que um emigrante no Luxemburgo em funções semelhantes. A ideia de que Portugal é o que é por causa das elites que tem ou não tem é daquelas coisas que andam no ar e são frequentemente defendidas à esquerda e à direita; mas não é consistente.
Como emigrante (ou expatriado como agora está na moda!?) posso dizer que ambos têm a sua quota parte de razão.
O seu argumento só me ajuda, JMG. A performance dos portugueses que emigram muda conforme os países de destino? Claro. A sua produtividade e sucesso dependem em grande parte da qualidade das organizações que os acolhem e das condições de trabalho que vão encontrar, ou seja, é o ambiente laboral que dita o desempenho dos trabalhadores e não o contrário.
Os factores que refere contam, é claro – entre muitos, muitos outros. Mas o seu texto inicial identificava um “culpado”, as elites. Ora, no mundo das empresas e do trabalho as elites são os empresários. E estes, a meu ver, são iguais em todo o lado – apenas o contexto, e sobretudo os custos de contexto, mudam. É que para estes (refiro-me aos verdadeiros, os que não estão protegidos da concorrência) existe um poderoso incentivo para serem eficientes, que é o risco bem real de falência. Mude-se o contexto e os empresários aparecem como por encanto. Só para ir buscar um exemplo extremo, na China, sabe, há uma geração não havia empresários. Qualquer dia destes vai ouvir falar de inovação e criatividade vinda daqueles lados, vai uma aposta?
As condições de trabalho em Angola são deveras stressantes e exigentes, por muito organizada que seja a empresa o meio é deveras adverso.
Na minha douta ignorância, tenho em consideração o seguinte acerca de nós: Existem dois Portugais(?). Um antes da Inquisição, e outro após esta.
Até ao início da Santa Inquisição, demos novos mundos aos mundo. Após o seu fim, foi o início do descalabro, que ainda hoje tem os seus reflexos. A nossa sebastiânica passividade face a adversidades é o resultado disso mesmo. Fomos psicológicamente castrados. Os interesses da Igreja Católica, importantíssimos para a sua sobrevivência, limitaram a criação, o ir mais além, o pensar diferente.
Acredita então que a Igreja Católica é a grande responsável pela inépcia das nosssas elites, alentejanus? Eu não teria assim tanta certeza, mas questões de fé eu não costumo discutir 🙂
Bom texto! Curto, mas com muito sumo
Obrigada, Cristina.
Verdade…Os portugueses são o espelho de governos inertes…Os chamados Governos Umbigo.
O umbiguismo é uma das doenças nacionais, de facto.
Excelente, Teresa… excelente!
Obrigado.
Um abraço.
Obrigada, eu, Ana Paula.