Excesso de capacidades


lauraramos,

Gosto desta forma de falar, que não abdica do reconhecimento da qualidade.

Os tempos não estão pródigos para o estado social, mas a linguagem e a praxis das reformas penalizadoras, essas, sim, já são diferentes.

Nenhuma gestão ministerial pode dar-se ao luxo de cilindrar os poucos clusters de excelência que o SNS conseguiu construir, à custa de muita capacidade de organização, visão, lideranças pessoais, equipas altamente treinadas e profissionais de categoria internacional.

Mas era mais meio ano …  e a destruição estaria completa.

Afinal, parece que ainda não está tudo perdido.

13 comentários em “Excesso de capacidades”

  1. homens de missão, portanto missionários, os ministros deste governo.
    grandes semelhanças existem em dois deles, os mais missionários entre os missionários: vitor gaspar e paulo macedo.
    vitor gaspar é o ministro da saúde das finanças e diz aos portugueses: a saúde das finanças públicas está má, é preciso que os portugueses cortem nas suas finanças próprias.
    paulo macedo é o ministro das finanças da saúde e diz aos portugueses: as finanças da saúde pública estão más, é preciso que os portugueses cortem na sua própria saúde.
    missionários.

      1. a missão do ministro das finanças da saúde:

        “Paulo Macedo explicou ainda que o Governo pretende um corte na Saúde na ordem dos 750 milhões de euros, superior aos 500 milhões de euros defendidos pela ‘troika’ da ajuda externa, porque o “compromisso” do Executivo é “com os objetivos do défice”.

        a visão do ministro das finanças da saúde:

        “Sobre o efeito da redução da despesa sobre os utentes, o ministro referiu que “há cortes que não afetam minimamente a vida dos cidadãos ou o seu acesso”, como a redução dos custos dos dispositivos médicos ou a reorganização da oferta hospitalar: em Lisboa e Coimbra há uma sobreposição clara em termos de oferta”.
        No entanto, admitiu, as medidas “podem afectar as pessoas porque podem haver menos prestação de cuidados médicos”.
        missionários.

        1. Pois pode. É chato. Mas há muita “prestação de cuidados médicos” que, por mim, pode bem diminuir e “afectar” as pessoas, sabe? Há muito dinheiro (nosso) mal e escusadamente gasto em cuidados de saúde. Muitas energias desbaratadas no SNS. E se os afectados forem, por exemplo, os casos de recurso abusivo e constante às urgências hospitalares, por dá cá aquela palha? Aplaudo.

  2. Sei não:

    http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1973344

    http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1973533

    Não percebo nada do assunto, note-se. Mas é certo que os excepcionais números dos transplantes em Portugal não se conseguiram por obra e graça do Espírito Santo. (“muita capacidade de organização, visão, lideranças pessoais, equipas altamente treinadas e profissionais de categoria internacional”). E que as diálises ficam mais caras que os transplantes renais também parece certo.

    Aguardemos o que se segue.

    1. Aguardemos, sim, tem razão. A ver vamos. Mas sabe? A redução dos gastos hospitalares é uma medida que muitos profissionais de saúde aceitam ser possível, sem perda de eficiência. O travão nessas despesas pode perfeitamente não ter incidência sobre a sobrevida dos doentes. Também não sou especialista no tema, mas conheço-o de muito perto, há muitos anos. No caso dos transplantes, é demagógico colocar a questão nesses termos, porque, se a diálise, p.ex, é de facto muito pesada para o erário público, é tb verdade que uma simples toma de uma determinada droga anti-rejeição (pós transplante) pode custar mais do que uma ano inteiro de persistência em terapêutica pré-transplante. Não acredito, nem por um minuto, que a um doente que já não pode ser mantido em diálise seja negada a via transplantar, mesmo que as expectativas de tolerância não sejam as ideais. Mas já acredito que seja possível actuar ao nível da previsão de riscos de transplante se a torneira financeira não estiver à rédea solta.
      Tem de haver racionalização de custos, sim. E tem de manter-se a qualidade, quando ela existe. De resto, quando as equipas são modelares, quer em termos de resultados clínicos, que em termos de eficácia e eficiência, ganham o braço de ferro e veja lá se se atrevem a tocar-lhes

      http://www.publico.pt/Sociedade/manuel-antunes-nao-cede-na-ameaca-de-abandonar-direccao-da-cirugia-cardiotoracica-dos-huc_1383050

        1. Percebo, Isabel 😉 E, como imagina, não pelo prémio de ter razão, mas porque acredito que a racionalização dos custos é a única forma de atingir um objectivo que me é muito caro: a subsistência de um SNS.

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