23 comentários em “Exactamente”

  1. Pois. Um triste espectáculo os últimos dias quer do Governo quer da Oposição mas ainda dos portugueses.

    O pior é que demonstra também que os portugueses são incapazes de se controlar em democracia com bancarrotas cada 30 anos. E não nos esqueçamos que a Ditadura Salazarenta chegou por causa da mesma falta de autocontrole da I Republica.
    Argentina é o nosso futuro.

      1. Concordo consigo, Rui Dantas.

        Já cheira mal esta idéia que a competitividade deve ser melhorada à conta da desvalorização dos salários, afinal estamos na China ou na Europa?

        E a produtividade? E a motivação? E o desempenho? Etc. Etc.

        Será que os empresários e gestores portugueses estão à altura? Pela minha experiência em contexto internacional e nacional, posso afirmar que o nível dos gestores e empresários portugueses deixa muito a desejar…A começar na ética.

        1. Os empresários são tão maus e tão bons como os restantes portugueses: gostam de depender do governo, esperam que o governo lhes resolva os problemas e, quando as coisas lhes correm mal, começam imediatamente a exigir subsídios ao governo. Nem percebem que um sistema no qual o Estado é suposto acorrer a tudo acaba por ser autofágico: o Estado endivida-se, aumenta impostos para compensar, etc., etc., vai à falência e chama o FMI.
          (Ainda assim, e apesar do clima económico negativo em Espanha, as exportações sobem.)

          Quanto a esta ideia cheirar mal, lamento mas é como alguns xaropes. Tem alguma solução exequível que cheire melhor?

      2. Do costume? quem leva porrada é que para quem paga cada vez mais impostos e não ganhou nada vindo da dívida crescente. Uma minoria.

        Se os portugueses mantiverem a sua recusa da diferença não haverá mais produtividade. A inovação é diferença, criar algo novo é ser diferente. É ir muitas vezes contra o que existe, contra os procedimentos, contra o que se fez sempre, contra as ideias dominantes.
        Para os portugueses voltarem a ter a riqueza que tiveram devido aos records de endividamento terão de aprender a fazer coisas que nunca fizeram e ou mais e ou melhor o que fazem.

        Os incentivos que este e os outros governos deixam são o contrário disso. Este governo aliás fez questão de atingir a participação no mercado de trabalho mais flexíveis: os recibos verdes com ainda mais força.
        A liberdade para criar, para mudar é cada vez mais destruída a cada novo governo. Cada vez vão mais recursos da economia livre para a economia política.
        Os preços estão cada vez mais distorcidos..
        O futuro mesmo é uma distopia económica soviética tal as distorções dos preços de tudo. E pior não é sequer exclusivo português.

        1. Um operário português produz uma cadeira por hora, que depois é vendida a 25€. Para simplificar, digamos que tem uma produtividade de 25€ /hora.

          Um operário italiano produz uma cadeira a cada 2 horas, mas que depois (qualidade, design, marca, etc), é vendida a 100€. Produtividade: 50€ / hora.

          Um operário sueco produz cadeiras que são vendidas depois a 10€, mas consegue produzir 10 por hora pois só tem que controlar a máquina que faz cadeiras. Produtividade: 100€ / hora.

          O que há a fazer? A mim parece-me claro: cortar o salário do mandrião português. É que o sacana, além de produzir pouco, ainda teve a distinta lata de comprar algumas dessas cadeiras para a sua sala de jantar, o que é claramente viver acima das suas possibilidades.

          (honrado por ter passado pelo blog; infelizmente nunca foi mantido como gostaria)

        2. Ah, e ainda outra vantagem dos salário baixos (e desemprego): expulsar do país essa juventude inútil que tem a mania que é a geração mais qualificada de sempre do país, ou lá o que é.

          (não sei para onde vou, sei que não vou por aí!)

          1. Fico sempre espantado pelas divisões que os Portugueses fazem entre si. Parece uma barreira mental/social impenetrável em que temos as classes dos Trabalhadores e as classes dos Empresários fixas imutáveis na cabeça de muitos portugueses.

            Se um trabalhador acha que o empresário é um idiota e gere mal a empresa uma das soluções é tornar-se empresário. Mas não, o empregadedorismo não se mistura com emprendedorismo, todos na sua capelinha.
            Ainda havemos de ver uma manifestação a exigir empresários de qualidade…

            “tem a mania que é a geração mais qualificada de sempre do país”

            Lá vem o credencialismo… o que é que interessa a credencial dizer que tem o curso xyz? sabem fazer alguma coisa que as outras pessoas=mercado=sociedade queiram?

  2. . Em vez de fechar o partido numa sala de chá, em vez de discutir esta questão dentro de portas, Paulo Portas saiu à rua como se fosse um membro da oposição. Portas diz que é um institucionalista – não se notou. Mais: quando fez aquele discurso cheio de perguntas retóricas, devia ter apresentado as suas alternativas. Antes, durante e depois desta crise, o CDS tinha, tem e terá o dever de apresentar os tais cortes na despesa que compensem o não-aumento da contribuição das famílias para a segurança social.

    Ler mais: http://expresso.sapo.pt/passos-e-portas-a-porta-da-rua-pode-ser-serventia-da-casa=f754026#ixzz26ok6vrUe

  3. Ok.
    Despedir, despedir, despedir!
    Exterminem-se já os “funcionários” (publicos e privados) que tanto prejuízo estão a dar ao Estado!
    Já agora, arranjem maneira de eliminar também os pensionistas, velhos e doente pobres.
    E os desempregados, essa corja que quer viver sem trabalhar!
    Não há trabalho? Há sim senhor! Vão servir os ricos e de preferência de borla.

      1. Boa tarde Jaa,

        Não sendo especialista em assunto economico-sociais oriento-me por aquilo que pessoas que respeito e admiro, dizem.

        Assim sendo penso ter ouvido que antes de chegar a estas medidas de austeridade haveria outras que poderiam ser feitas para reduzir a despesa do estado.

        O Camilo Lourenço fala na redução da despesa do estado e no aumento da competitividade através da baixa de salários vs desvalorização da moeda.

        A diferença é que no tempo em que isso era possível o mercado era livre. No privado os patrões que quisessem podiam até aumentar os salários para acompanhar a inflação enquanto agora são uns engravatados que decidem por todos.

        Assim como assim deveria fazer-se um referendo sobre sair ou não do euro!

        Acho que os portugueses atingiram já um nível suficiente de maturidade politica para decidir.

        1. Boa tarde, Paula.

          No privado ainda há quem aumente salários – naturalmente, com a retracção do consumo os casos são poucos mas existem (conheço até um empresário que, em Novembro passado, deu um bónus aos trabalhadores igual ao corte que o subsídio de Natal iria sofrer). Mas há um ponto que tenho de contestar: não se devem aumentar os salários para acompanhar a inflação. Esse foi um dos grandes erros do passado, especialmente no sector público. Quando a inflação é 2,5% mas o PIB só cresce 0,5%, fazê-lo significa reduzir a competitividade da economia. Penso que é fácil de perceber: para compensar um aumento dos gastos superior ao aumento das receitas, o Estado tem que se endividar ou aumentar os impostos.

          A desvalorização da moeda tem um efeito muito mais forte na perda do poder de compra a curto prazo (o nosso PIB está a cair 3%, o de países que desvalorizaram a moeda durante este tipo de crises caiu muitas vezes em torno de 10%). O que acontece é que, sendo essa perda superior, a competitividade aumenta mais depressa e a recuperação é mais rápida. Mas, que eu saiba, nós estamos a recusar este corte – aceitaríamos um ainda mais forte? Para nós, seria terrível a curto prazo, até porque o Estado teria de deixar de pagar a dívida (na nova moeda, ela seria muito mais elevada), o que levaria à falência muitos bancos nacionais (e causaria perdas também noutras entidades tão, hum, gananciosas como a Segurança Social – Sócrates pôs o Fundo de Investimento da SS a comprar dívida pública nos últimos tempos enquanto Primeiro-Ministro) e tornaria impossível obter financiamento nos mercados durante anos (o que, agora – surpreendentemente – , começava a parecer possível). Mas enfim: em princípio, nada tenho contra referendos. Veja aqui a minha posição quando, no ano passado, se falava da possibilidade de os gregos fazerem um:
          http:/ delitodeopiniao.blogs.sapo.pt /3677641.html
          Só há o pequeno pormenor de que, provavelmente, bastaria anunciá-lo para que as probabilidades de termos de sair do euro aumentassem exponencialmente e, assim, ele se tornar quase desnecessário.
          Quanto à maturidade dos portugueses, lamento: em Setembro de 2009 perdi todas as esperanças nesse sentido. E os acontecimentos da semana passada não ajudaram.

          1. “Quanto à maturidade dos portugueses, lamento: em Setembro de 2009 perdi todas as esperanças nesse sentido. E os acontecimentos da semana passada não ajudaram.”

            Setembro de 2009 terá sido uma escolha assim, mais uma vez o pior dos sistema à excepção dos restantes, felizmente;
            Setembro de 2012 foi uma escolha deveras diferente, humana, repleta de vida, desperta (teve que atingir o privado porque no público vive o parasitismo, sem excepções verticais..pois), e espelho da maturidade que tardiamente regressa a Portugal.

          2. Jaa,

            A “cassete” da tese do Camilo Lourenço, vem nos manuais de economia, é a racionalidade pura e dura. No mundo real composto por pessoas e seres humanos há vida para além dos números e formulas matemáticas. Continuo a discordar da formula: reduzir salários para aumentar competividade.

            Sempre me revi nos comentários do Camilo Lourenço, mas últimamente até parece o eco do Vitor Gaspar.

            Revejo-me no tipo de pessoas, que ousam apresentar caminhos alternativos a este modelo econónico em vigor. Abaixo transcrevo alguém que foi protagonista da engrenagem capitalista, um antigo gestor americano que a certa altura “acordou”:

            …”Houve algum momento em particular em que tenha dito para si mesmo “não posso fazer mais isto”?
            Sim, houve. Fui de férias num pequeno veleiro e estive nas Ilhas Virgens e nas Caraíbas. Numa dessas noites atraquei o barco e subi às ruínas de uma antiga plantação de cana-de-açúcar. O sítio era lindo, estava completamente sozinho, rodeado de buganvílias, a olhar para um maravilhoso pôr do Sol sobre as Caraíbas e sentia-me muito feliz. Mas de repente cheguei à conclusão que esta antiga plantação tinha sido construída sobre os ossos de milhares de escravos. E depois pensei como todo o hemisfério onde vivo foi erguido sobre os ossos de milhões de escravos. E tive também de admitir para mim mesmo que também eu era um esclavagista, porque o mundo que estava a construir, como assassino económico, consistia, basicamente, em escravizar pessoas em todo o mundo. E foi nesse preciso momento que me decidi a nunca mais voltar a fazê–lo. Regressei à sede da empresa onde trabalhava em Boston e demiti-me…”

            Estou, também, a ler o livro do Krugman, em que ele apresenta alternativas a esta questão de reduzir salários para aumentar a competividade na economia.

            Há outros caminhos, falta é vontade, porque dá muito mais trabalho.

            O estado deve controlar a despesa, concordo.
            É legítimo que seja à custa dos privados? As empresas do setor privado devem ser livres para as gerirem conforme achem melhor. Eu desconto para a TSU e será que um dia vou poder contar com esse dinheiro para a minha reforma? Não creio.

  4. Percebeu que Passos “já era” e entrou em modo “engraxa o senhor que se segue”. Na semana passada já tinha escrito o “Em defesa de António José Seguro”. A cambalhota de Sócrates para Passos foi idêntica!

  5. estamos todos á espera que o iluminado economista abreu e lima venha aqui concordar com o não menos transacionavel camilo lourenço. acudam.nos!!

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