Evidências de difícil compreensão


Sérgio de Almeida Correia,

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Compreendo que tenha sido por mero lapso e que Francisco Seixas da Costa, de cuja escrita sou um apreciador, estivesse desatento quando trocou o seu “verão” pelo nosso “Verão”. Dir-me-ão que é por força do hábito e que com o tempo isso se corrigirá. Acredito que sim, só que, entretanto, como de facto explica o francês Pierre Assémat aos seus leitores, “la merde est en costume sur la plage“. 

0 comentários em “Evidências de difícil compreensão”

  1. Caro Sérgio:
    Parafraseando simultaneamente o Paulo Futre e Pierre Assémat, eu direi: «paletes de merda» vêem dar à praia todos os dias.
    A merda começou por ser conceptual: o Aborto Ortográfico foi feito para uniformizar a grafia mas criou mais de 2000 formas diferentes de escrever palavras, que antes não existiam (o nosso especialista na matéria, o Pedro Correia, saberá o número exacto).
    Depois veio o regabofe no dia-a-dia.
    Uns aderiram de forma acrítica, mas não o sabem usar.
    Outros (como Seixas da Costa declarou, aderiram convictamente, mas caem frequentemente nos mesmos erros).
    Outros ainda, podaram consoantes que não constam na poda oficial do Aborto Ortográfico.
    Uma maravilha.
    Os progenitores, caladinhos, contemplam a bela «obra-prima» feita de merda rala que, de uma ou de outra maneira, todos atinge e emporcalha.
    Melhor seria impossível.

  2. Lembro-me contudo que os nossos representantes na Assembleia da República aprovaram o acordo por maioria esmagadora. Muitos dos actuais críticos eram já na altura membros destacados dos partidos aprovantes. Porque não apareceram na A.R. vozes discordantes sobre este “acordo” e os correspondentes votos?

    1. Não deve conhecer o funcionamento da assembleia… pelo menos da portuguesa. As coisas são decididas de antemão, pelos chefes parlamentares, todos eles, salvo o do PCP, da mesma irmandade discreta que em 1911 “simplificou” a língua e tem o “acordo” entre os artigos da sua fé – esquecendo que o estado laico é para todos.
      A questão é que Portugal não é verdadeiramente uma democracia e menos ainda um estado de direito e o “acordo”, que, lembre-se, ninguém pediu, ninguém quer e de que, sobretudo, não precisamos (como refere o Prof. António Emiliano) é uma prova do quão longe estamos de o sermos uma mediana democracia. Como refere Vasco Pulido Valente, os políticos portugueses não têm o menor escrúpulo em governar à revelia da vontade do eleitorado.
      De qualquer modo, e no que diz respeito ao Direito, o acordo, não está em vigor, nem na ordem jurídica internacional nem, por isso, na portuguesa. Que esta mistificação publicitária tenha ido tão longe é outro motivo para alarme.

  3. Caro Sérgio de Almeida Correia. Gostei do seu comentário “de bonne guerre”. De facto, como não vivo de Acordo à ilharga, com frequência (que falta nos faz o trema, não é?) me foge a tecla para o vício antigo. Escrevo o Verão com maiúscula porque gosto do sol-e-praia (com o Acordo, perdem-se estes hífens), desse tempo de “não fazer a ponta de um chavo”, como se diz na minha terra. Já o outono, mês da nostalgia da malta das rimas e do início da chatice da gabardine, esse merece amplamente ser amesquinhado com a minúscula. E, na minha liberdade de cidadão, continuarei muitas vezes a dar deliberados pontapés na gramática nova. Como, por exemplo, a acentuar, orgulhosamente o A (como a porta 10A) na frase “ninguém pára o Sporting”. Pode não ser verdade, mas é assim. Cordialmente. FSC

      1. “A liberdade acima de tudo.”

        A liberdade começa na certeza da lei, na clareza da norma. O que não é, manisfestamente, aquele papelucho com erros ortográficos e por ratificar, a que deram a alcunha de “acordo”.

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