Europeias (38)


Pedro Correia,

 

PAULO RANGEL E MANUELA FERREIRA LEITE

 

As sondagens definem uma tendência. E evidenciam um facto simples, que muitos analistas políticos, inclusive na blogosfera, se vão esquecendo de assinalar: mais do que em siglas, e muito mais do que em cabeças de lista, os eleitores portugueses tendem a votar nos líderes dos partidos. É isto que explica, em boa parte, o envolvimento directo de José Sócrates nesta campanha: o secretário-geral socialista percebeu, antes de qualquer outro estratego do seu partido, que ao lerem PS no boletim de voto as pessoas o associarão de imediato à sigla – e não pensarão no ‘independente’ Vital Moreira. Da mesma forma, em relação ao PSD, estará essencialmente em causa Manuela Ferreira Leite, há um ano como presidente do partido. E também não é por acaso que Rangel tem aparecido quase sempre sem ela durante a campanha.

Inútil, à direita, supor que duas semanas com Paulo Rangel na montra conseguirão ocultar um ano de desempenho de Ferreira Leite. Com a agravante, para o PSD, de a partir de 8 de Junho, ao viajar para Bruxelas, Rangel deixar de ser um possível trunfo eleitoral nas legislativas. Fica apenas Manuela Ferreira Leite.

 

ADENDA: Ler este artigo de Constança Cunha e Sá, que acerta em cheio.

16 comentários em “Europeias (38)”

  1. Exactamente, compadre. De resto, na minha opinião, esta tua leitura sobre os votos dirigidos aos líderes partidários é que explica que as europeias acabem mesmo por ser uma primeira volta das legislativas.

    1. Então, que não se critique, como por vezes eu ouço, o facto de esta campanha para as europeias, estar sobretudo centrada em questões de politica nacional. Era inevitável.

      1. Pela minha parte, critica-se o que é criticável. Aquilo que é como é, não tenho de tomar como inevitável.
        Critico, por exemplo, que os candidatos ao PE nem sonhem com uma agenda europeia ou que, na melhor das hipóteses, a ignorem. Ainda que associassem os temas, como seria natural, aos interesses e expectativas nacionais.

    1. Escolhi a que foi divulgada pela TVI por achá-la a mais insuspeita. Mas nem essa lhe agrada. Percebo bem: nenhuma lhe agrada porque nenhuma dá o primeiro lugar ao seu partido. Chato, não é? Mas as coisas são o que são, já dizia o general De Gaulle.

      1. “Percebo bem: nenhuma lhe agrada porque nenhuma dá o primeiro lugar ao seu partido. Chato, não é?”

        não é verdade, gostei das ultimas sondagens da Marktest e da Eurosondagem que dão praticamente um empate tecnico entre o PS e o PSD!! para quem estava à mais ou menos dois meses , de acordo com as sondagens, com uma diferença do PS de aprox. 10%, é obra!!

          1. “Praticamente um empate técnico” não equivale a vitória, longe disso.

            mas eu nunca disse o contrario! apenas afirmei que ha, + ou – , dois meses as sondagens “afirmavam” que PS estava a uma distãncia do PSD de aprox. 10% !!( nessa altura, recordo-me de os PASSISTAS terem pedido a cabeça de MFL e até o famoso comentador de Domingo afirmava que seria muito dificil o PSD recuperar de tamanha distãncia percentual) e no presente momento, ja existem sondagens que dão um empate tecnico! em dois meses passar de 10% para empate tecnico, é obra!!

          2. Essa sua lógica faz-me lembrar a do meu clube: também no Sporting não falta quem se satisfaça, ano após ano, com o segundo lugar. ‘Quase’ em primeiro…

          3. quase em primeiro, após uma excelente recuperação e o campeonato so termina nas eleiçoes legislativas!! não me vai dizer, que não é um bom sinal…

  2. Apetece-me dizer perante o seu post, que José Sócrates tem que andar com o VITAL Moreira às costas!
    E se assim for Sócrates não terá adversário à altura nestas sucessivas eleições!

  3. Tanto o PSD como o CDS tiveram perante estas eleições europeias a mesma atitude: despachar para Bruxelas os seus nomes mais promissores, para não estorvarem nem fazerem sombra aos cabeças de cartaz para consumo interno. Foi assim com Rangel, foi assim com Nuno Melo. Sendo assim, teremos de admitir que a estratégia do PS foi a mais inteligente das três, ao nomear um candidato verdadeiramente inócuo. Se ganhar, maravilha, se perder, também estará tudo bem.

    1. Se perder, estará tudo bem, excepto em duas coisas: o ensaio para as presidenciais já é hoje um fracasso; a ‘primeira volta’ para as legislativas será outro fracasso.

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