Europeias (33)


Pedro Correia,

 

 

 

PPM: UM REI NA CASA BRANCA

 

Li o programa do Partido Popular Monárquico às eleições europeias.

 

Principais propostas:

– Trabalhar em benefício da cultura, da tradição, dos produtos e ideias portuguesas

– Exigir medidas responsáveis e eficazes contra o crime económico

– Exigir o fim da pesca por arrastão nas águas portuguesas

– Integração das minorias étnicas

– Referendo ao Tratado de Lisboa

 

Comentário:

O programa deste partido é um autêntico mistério. Não pelo facto de não propor praticamente nada em concreto: outros que se apresentam a estas eleições também nada propõem aos portugueses. Verdadeiramente enigmático, para mim, é que um partido que se intitula monárquico e poderia fazer a diferença neste particular não inclui uma só linha, uma só palavra, em defesa da monarquia. Poderia mencionar Isabel II de Inglaterra, ou Juan Carlos de Espanha, ou Margarida da Dinamarca. Mas não. A grande referência internacional deste desconcertante PPM é Barack Obama. "A América, através da recente eleição do seu primeiro Presidente negro, já deu o primeiro sinal de que esta é a hora de apostar em algo que há cinco anos seria impensável", destaca o Partido Popular Monárquico no preâmbulo do seu programa – quase apetece chamar-lhe Partido Popular Obármico, dada a devoção que parece dedicar ao inquilino da Casa Branca. Alguém sabe informar-me se Obama usa coroa?

10 comentários em “Europeias (33)”

  1. É de referir que o PPM não tem o apoio da Casa Real Portuguesa (unica instituição monarquica reconhecida pelo Governo Português)…

    1. É evidente que não tem. Desde que Nuno Câmara Pereira tomou de assalto o PPM, o partido acabou de vez. Trabalhar em benefício da cultura e da tradição é, para ele, trabalhar em seu próprio benefício, seja à custa daquilo que for. A única coisa que lhe interessa é gararntir os privilégios a que julga ter direito por nascimento. Uma tristeza.

      1. Até prevejo o PPM a perder votos este ano… Existem pelo menos 3 monárquicos candidatos! O do PPM, PNR e MPT!

  2. “Alguém sabe informar-me se Obama usa coroa?”

    Hum, da foto, a única conclusão possível é de que o pé foge para a chinela….

  3. O PPM é um nonsense e uma contradição em si mesmo, porque a forma de regime não é uma questão que se coloque ao nível partidário. E não representa os monárquicos, coisa nenhuma. Nem sequer haverá partido algum que os represente jamais, porque são tantos (sim tantos) e de tantos géneros, com tantas matrizes éticas e divergências ideológicas, que tal seria ontologicamente impossível.
    Ao que sei, nem o nosso representante dos direitos dinásticos liga a mínima ao PPM , e prefere, isso sim, as associações de base territorial, que trabalham sem invocar outros credos que não sejam os da simpatia consciente pela ideia monárquica.
    Um Rei (de facto ou de direito) não toma nada pela via do xadrez instituído, leia-se, chicana político-partidária. Está obviamente acima disso, no sentido em que (no caso) nunca preferiria uns portugueses em detrimento de outros.
    Mesmo assim, há um caso interessantíssimo. O do Rei Simeão da Bulgária, eleito primeiro ministro. Apesar de tudo o que é bizarro na situação, foi chamado. E mais uma vez – como é próprio de um Rei -, aceitou, apenas pelo serviço ao país.

    A respeito da questão portuguesa, tenho duas certezas:
    1- por muito chocante que isto seja, os monárquicos mais convictos porque desinteressados – são os anónimos. E exactamente por isso, são também os mais importantes. Aqueles que perguntados, diriam que “sim, quero uma monarquia”, mas no dia a dia nem se lembram tão pouco de falar no assunto. Não, não confundam estes anónimos com o “gajos da Hola !”, como dizia certa vez o Daniel Oliveira. Esses estão do outro lado, o dos que não só se “assumem” como se põem em bicos de pés, nem que seja só para terem muitas festas e aparecer de chapéu, abanicos, peiñetas , etc e tal. A majestade contagia… (eu compreendo :).
    2- Esses monárquicos anónimos e desapegados não querem corte, nem a aceitariam sequer, muito provavelmente, porque não são parvos. Querem sim uma representação perene, de vínculos profundos, que assegure o acolhimento de outra realidade e de outra ética nacional, unificadora. A da identidade cultural (que tanto maltratamos) e a dos afectos de um povo.
    Como diria o outro, isto parece-me fundamental e elementar, meu caro Watson … 🙂

    1. Pois, Chloé, tem muita razão. Ainda assim, lembro-me que o PPM chegou a ser um partido prestigiado. O partido de Ribeiro Telles, Barrilaro Ruas e João Camossa e vários outros ilustres monárquicos. Vê-lo chegar a isto faz alguma impressão e diz muito sobre a degradação da democracia portuguesa.

  4. Gostei. O PPM modernizou-se e rende-se hoje à provavelmente mais vigorosa república do globo, onde não só os republicanos são republicanos, como até os democratas são republicanos.

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