
O DIA MAIS ESTÚPIDO
Este é o dia mais estúpido. O chamado “dia de reflexão”, em que o estado-tutor nos trata como crianças de colo. Ou como palermóides, incapazes de reflectir noutro dia qualquer.
É o dia das proibições – aliás, em parte, extensivas ao seguinte, o da jornada eleitoral. É o dia das “pesadas multas” a quem imprima ou debite textos de incentivo ao voto neste ou naquele, como se tal condicionamento não configurasse um grosseiro atentado à liberdade de expressão. E uma evidente violação do princípio da igualdade nesta era em que tudo se comenta ao minuto nos meios digitais.
Recordo-me de certa vez, ainda nas cercanias das urnas, Mário Soares ter declarado sem rodeios aos jornalistas que tinha acabado de votar no filho, candidato por Lisboa. Os bonzos que funcionam como fiéis guardiães da “lei eleitoral” tremeram. Mas Soares, claramente indiferente às consequências, não pagou qualquer multa. Devemos-lhe também esta lição de cidadania por ter demonstrado aos portugueses como tais normas são obsoletas e caducas.
Para mim, se há matéria que hoje mereça reflexão, é esta: vivemos num país em que qualquer recém-nascido já transporta número de contribuinte embora só aos 18 seja autorizado a ter número de eleitor. Isto diz tudo sobre o estado a que chegámos.

Os que votaram antecipadamente também estarão a refletir? Não será de pedir a anulação desses irrefletidos votos?
De facto, como é possível votar sem aguardar pelo imprescindível “dia de reflexão”?
Matéria a rever. Aquela gente só pode ter votado muito mal.
Para que conste, este Anónimo, que distraidamente escreveu refletir sem cê, costuma assinar Tiro ao Alvo.
Boa pontaria, de qualquer modo, caro TaA.
Depois da campanha eleitoral que tivemos até sabe bem um dia de calma.
As queixas sobre o dia de reflexão lembram aquela anedota em que duas velhotas se queixam da qualidade da comida no lar:
“- A comida aqui é tão má.
– Pois é, e as doses são tão pequenas”
Campanha? Qual campanha?
Tirando a RTP, por imposição legal decorrente do serviço público, os canais “informativos” de ontem à noite só davam bola. E mais bola. E ainda mais bola.
E ainda há gente quem não vai à bola com a bola.
Caro pedrinho correio, essa do Mário Soares ser um exemplo de bom comportamento democrático, só mesmo para lembrar que para “nós” tudo, para os inimigos nada, para os outros a “lei”.
Ah quanto ao dia de reflexão, para que servirá a quem não é espelho ?
Tratas assim tão mal a memória do teu parente Mário, Alexandrinho?
No taxation without representation. Direito de voto aos bebés, já!
Era capaz de ser interessante dar aos pais os votos dos filhos menores. Quanto mais filhos, mais votos.
Excelente sugestão. Não posso estar mais de acordo: um voto por contribuinte.
E os desempregados deveriam, ou não poder votar?
Deveria haver voto obrigatório para eles.
Esse episódio do Soares mostra mais sobre impunidade do que sobre cidadania. Mas adiante.
Hoje é reflectir no Jamor.
Depois de muita reflexão, já sei em quem votarei no Jamor.
E quem não tem nada para fazer, põe-se a refletir sobre o “sexo dos anjos”. Se este dia tem utilidade ou não é algo indiferente.
E o grande problema que temos são os impostos! Portugal o país quase perfeito, não fossem os impostos.
Os impostos elevados fazem muita falta. Sem eles era capaz de sobrar dinheiro aos contribuintes. Eram capazes de poupar. Talvez constituir um pé-de-meia que os protegesse da pressão da sobrevivência diária. Sem essa pressão, e com algum dinheiro, talvez começassem a pensar, fazer perguntas. Nomeadamente para onde vai o dinheiro dos impostos.
Não, sem impostos altíssimos arriscávamo-nos a ter um país de pessoas ricas, a quererem mandar em si próprias. Era uma catástrofe.
Credo, Deus nos livre de tal coisa. Nem quero pensar nisso.