Euro e Itália


escafandro,

Já que no post anterior mencionei um artigo da Prospect, aproveito e aconselho quem ainda tiver ilusões sobre as consequências de uma saída do euro a ler no site da revista este artigo de Wolfgang Munchau, publicado a 25 de Abril, onde elas são explicadas de forma bastante clara – sendo que uma delas (ah, a ironia da data de publicação) é a absoluta necessidade de ignorar Constituições e suspender a democracia. Mas talvez os parágrafos mais actuais sejam os seguintes:

The only country that could conceivably exit unilaterally, and still breathe afterwards, is Italy, which has a primary surplus. It could afford to default on its foreign debt and still function. But it would be an incredibly violent act against the rest of the eurozone, triggering a potential collapse of the financial system, especially given German and French exposures.

There is no way that Mario Monti, Italian prime minister and a former European commissioner, would take such a step. He could have threatened to do so when Merkel imposed an austerity regime on everybody. But he did not. He could have extracted eurobonds as a quid pro quo for accepting a German-style fiscal regime.

Só que Monti já era. Avance ou não Berlusconi – no primeiro caso, é uma certeza –, a situação ameaça ficar interessante.

9 comentários em “Euro e Itália”

  1. Não se pode sair de um sistema monetário sem quebrar a Constituição, isso é válido agora e também era antes…
    O assunto só lembrado depois de ter sido esquecido.

    Quanto ao resto, o artigo só mostra o natural empenho que os raptores têm para que o resgate seja pago.
    Sim, sem políticas draconianas não seria possível evitar ingerências externas para destabilizações internas.
    Agora, sem esses actos terroristas, patrocinados externamente, todos os países têm condições para serem economicamente viáveis. Hoje, mais que nunca.

    Mas eu gostava mesmo era de ler economistas que avisaram sobre o colapso do sistema antes de 2000… parece que tal coisa é rara.
    Os corretores e bancários que frequentaram um pequeno curso que lhes dei por essa altura, não podem dizer que não os avisei sobre o que eram os derivados e no que aquilo iria dar…

    1. Os Italianos com Berlusconi já eram os que estavam menos mal.

      Sem surpresa temos o da Maia a tentar desviar as atenções e colocar as culpas em todos menos no sistema político-jornalista.
      O esquerdismo populista a isso obriga.
      Para começar nem percebe sequer que ele próprio é um dos credores. Os bancos, os sistemas de pensões
      investiram todos em dívida publica que não deveria ter AAA há muito.
      Provavelmente também criticou as agências por tirar AAA…deveria querer que ainda investissem mais.

      Assim temos que quem emprestou é malvado mas quando chovia dinheiro deles(próprios!) para o Estatismo-Social estava tudo bem.

      Curioso que não ocorreu ao da Maia dizer que défices permanentes sempre acima do crescimento são impossíveis de manter para sempre. Pelos vistos a longo prazo não estamos todos mortos não é?

      “parece que tal coisa é rara.”
      Se for aos ultra neo liberais pro ouro como moeda referência encontra talvez 100%…
      Também encontra milhares em muitos países do mundo. É só procurar os países com pouco défice e baixa dívida publica. Ainda são umas dezenas de países.

      1. Lá vem o Lucky da inversão, cassete comunista, e perseguição ad hominem.
        Enfim, haja paciência para dislates…

        Homem, pelos vistos você acha-se credor de futuros… de gente que ainda nem nasceu.
        O que quer que lhe diga?
        Ganhe juízo…

  2. já alguma vez vos passou pela cabeça que o mundo dos crescidos não é senão o mundo das crianças, mas levado a sério?
    Pois a mim passa-me isso todos os dias pela cabeça. Todos esses mecanismos, convenções e tratados não são mais do que uma brincadeira, mas a sério, uma brincadeira onde em vez de dizer: pum pum; morreste. Faz-se pum pum e alguem perde a vida.
    Toda essa visão, que um dia foi projectada por e para a Europa, fez com que milhões de pessoas acreditassem que as suas vidas eram em função de algo grandioso, um sonho, um belo sonho… Hoje, todos esses seres percebem que tudo não passou de uma ilusão, pois no mundo dos Homens que sonham, existem aqueles que não sonham, mas que tambem vivem, e fazem-no alimentam-se e roubando os sonhos a quem tem realmente uma cabeça superior. O mundo é um lugar cheio de animais, onde uns que por serem malandros e por terem uma cabeça grande, mas apenas cheia de… tamanho, fodem a criatividade daqueles que… trabalham. O mundo é um lugar de preconceitos, onde no final o que conta é a guerra, a guerra que é ganha pelo maior e perdida pelo menor. O resto é paisagem.

    1. Um pouco de História é sempre bom para acabar com as ilusões de futura perfeição e do nascimento do homem novo.
      A União Europeia foi uma tentativa de fuga à História.
      Em vez de tentarem seguir a Suíça tentaram construir um super estado replica maior e pior amanhada dos estados existentes.
      Em vez de a tolerância à diferença e cada um ser livre de seguir o seu caminho ser ao passo para a paz preferiram o fim da diferença como caminho para a paz: se formos todos iguais não há razão para termos guerras pensaram.
      O fim da diferença é uma ideia totalitária e anti-humana. E vai acabar como todas. Mal.

  3. A questão não é deixar o euro. Ninguém deseja fazer tal coisa, nem isso é preciso.
    A questão é fazer default à dívida. Isso é que é necessário.
    Mas não há razão nenhuma para que um Estado que faça default à sua dívida deixe de utilizar o euro como moeda.

    1. O Munchau é muito claro:
      “The only country that could conceivably exit unilaterally, and still breathe afterwards, is Italy, which has a primary surplus. It could afford to default on its foreign debt and still function.”
      Francamente, não consigo entender como é que se propõe dizer “Recuso-me a pagar o que lhe devo, mas já agora empreste-me aí mais 100 paus”.

      1. Sim, tem razão. Mas há outros países que não estão assim tão longe de terem um excedente primário. A Grécia e Portugal, em particular.
        Não se pode fazer default agora, já. Mas num futuro talvez não muito longínquo, talvez se possa.
        De qualquer forma, o teor do meu comentário inicial é que ninguém precisa de sair do euro. Os problemas financeiros dos Estados de forma nenhuma os podem forçar a sair do euro.

  4. O defult da Itália é mais do que provável a curto/médio prazo. A saída da Itália do euro levará ao desmoronar da zona euro, pelo menos no que toca aos países periféricos (talvez se mantenha uma zona euro constítuída pelos países centro europeus). Tenho-o escrito para memória futura (para que depois não digam que minto como dizem do Fernão Mendes Pinto):
    http://umjardimnodeserto.wordpress.com/?s=it%C3%A1lia

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