Ao ler ali o post do Pedro, lembrei-me que quando vi o Braveheart achei que uma adaptação – hollywoodesca, o mais possível, assumo tudo – do “nosso” “Eurico, o presbítero”, tinha tudo para superar aquele filme (de que gostei muito aliás).
Não uma versão europeia, não discuto a qualidade, mas gostava de ver Hollywood pegar em Herculano e fazer uma coisa em grande. O drama de Eurico bate aos pontos o de William Wallace na minha opinião. Só não há kilts, não faz mal.
Não tive uma relação fácil e imediata com este romance. Primeiro estranhei-o, como tanta gente. Mas depois de passar a estranheza, foi sem dúvida o meu livro favorito do programa do liceu.

Acredito, Marta!
Confesso que só li “Eurico, o Presbítero” no liceu e já não me lembro do enredo, o que é uma vergonha para mim, pois ocupo-me muito com a História de Portugal (e não só). Uma falta a colmatar em breve 😉
Temos episódios na nossa História que davam grandes filmes, não haja dúvida. Mas Hollywood ocupa-se, maioritariamente, com países de língua inglesa. Inúmeros episódios históricos das Ilhas Britânicas são conhecidos em todo o mundo, graças à indústria hollywoodesca. Como os EUA não têm História Medieval, vão buscá-la, precisamente, à Grã-Bretanha. Só quase abrem exceções para os casos clássicos dos gregos e romanos. E, esgotados os temas mais excitantes, em vez de irem à procura de outros, dão novas versões dos antigos. Quantas versões há da lenda do Rei Artur, de Robin Hood, de Ricardo Coração de Leão, de Henrique VIII, de Elizabeth I, etc.?
Ah!, agora lembraste-me o dia em que cheguei a casa a dizer a minha Mãe que nós, a malta de Ciências, só tinhamos que ler os Maias e que os desgraçados de Humanísticas levavam com uma catruzada de livros, entre eles, um muito chato, de um tal de Eurico Pires de Brito… O quê, menina?! Sim, Mãe, não me diga que não conhece esse escritor!
Ainda bem que gostaste, talvez um dia o leia 🙂
Beijinhos e boa semana!
Boa sugestão, Marta. O cinema português tem uma relação distante e algo esquizofrénica com a literatura. Apenas isso explica, por exemplo, que um romance tão marcante como ‘O Delfim’, de Cardoso Pires, tenha demorado mais de 40 anos para ser filmado. Pior aconteceu com ‘A Selva’ de Ferreira de Castro: mais de 70 anos sem passar de livro ao cinema (o romance foi publicado em 1930 e o filme de Leonel Vieira teve estreia em 2002).
E obras tão ‘cinematográficas’ como ‘Angústia para o Jantar’, de Sttau Monteiro, ou ‘Aparição’, de Vergilio Ferreira, nunca passaram ao cinema.