Eureka.


vidabreve,

Vi há pouco a entrevista de Passos Coelho a Sousa Tavares. Afinal o homem tem uma estratégia para Portugal, e é fácil resumi-la:

  1. Tirar ao Estado para dar aos ricos.
  2. Tirar aos empregados para dar aos patrões.

O apelo aos impostos indirectos e ao controlo das prestações sociais, uma outra forma de esclavagismo, será acolhido com o atraso do costume pelo país exangue. Sócrates, em campanha, vai defender os pobrezinhos.

 

Queriam uma alternativa? Embrulhem.

33 comentários em “Eureka.”

  1. Não percebo como é que o controlo das prestações sociais (que aliás já hoje existe – controle a ver se os desempregados o estão mesmo, se os doentes o estão mesmo, etc) pode ser considerado esclavagismo.

    Esclavagismo é quando alguém é forçado a trabalhar sem receber. Ora, se bem entendo, o que Passos Coelho propõe é que as pessoas sejam forçadas a trabalhar se quiserem receber prestações sociais. Ou seja, que as pessoas recebam em troca de trabalharem. Isso não é esclavagismo, de forma nenhuma! A prestação social torna-se no pagamento de um trabalho.

    1. Luis, há-de explicar-me porque desconta uma percentagem do seu ordenado todos os meses para a segurança social. É para ser posto em trabalhos forçados quando o despedirem?

      Mais uma vez: pense um bocadinho antes de me brindar com todas as tolices que lhe saltam à cabeça.

      1. Tolice é aquilo que você escreveu.

        Atualmente para eu receber subsídio de desemprego basta que desconte para a SS. De acordo com a proposta de Passos Coelho, para receber subsídio de desemprego será preciso eu ter descontado e trabalhar para a sociedade (de forma não especificada). Ou seja, haverá uma condição adicional para receber o subsídio. Tão-somente isso.

        O Luís pode considerar esta proposta de Passos Coelho inaceitável. Agora, considerá-la escravatura é que é uma perfeita tolice. Escravatura é trabalhar sem receber nada em troca. Trabalhar recebendo em troca um subsídio não é escravatura.

        1. Olhe, até pode não ser escravatura, mas é uma grande estupidez pôr pessoas desempregadas a trabalhar.
          Vamos ver se me faço entender melhor. Em vez das pessoas desempregadas, serem obrigadas a trabalhar para o Estado, enquanto gastam os seus benefícios sociais (muitos deles não são parasitas da sociedade, tiveram apenas o azar de ficar desempregados, como tal não deveriam ser tratados como malandros), o Estado devia RETIRÁ-LOS do fundo de desemprego, oferecendo-lhes o emprego que quer que eles desempenhem, convenhamos, de graça.
          Além disso, enquanto uma pessoa é obrigada a fazer o que não quer, para receber algo a que tem direito, não só está a depreciar as suas qualidade e aptidões (atenção, não digo que em raras ocasiões não aconteça o contrário), como está fisicamente impedida de fazer a tal procura activa de emprego, ou, quiçá, criar o próprio emprego, coisa de que Portugal precisa verdadeiramente.

        2. Sr.Luis Lavoura,
          Desculpe entrar nesta dinâmica, mas assim sendo, as pessoas ao receber o subsídio estão a receber o SEU PRÓPRIO dinheiro que descontaram no passado, e além disso ainda têm que trabalhar…naquilo que o Estado bem entender que deva fazer? não me soa bem…

          No entanto, acho que se existe trabalho para recolocar pessoas, mais vale contratar as pessoas pagar-lhes um ordenado e tirá-las do fundo desemprego, ou estou errada?

          1. A interpretação que Você faz parece-me totalmente errada.

            O dinheiro que eu desconto para a Segurança Social (SS) não é meu, é da SS.

            Meu é o dinheiro que eu poupo e que ponho eu mesmo no banco. Esse sim, posso geri-lo como entender.

            O dinheiro da SS, pelo contrário, é gerido de acordo com regras comuns, comunitárias, políticas, as quais regras pretendem assegurar que esse dinheiro é bem gasto, no sentido de acudir a quem mais precisa.

            Se Você pretende substituir a atual SS por um sistema de poupança individual, no qual cada um só terá acesso àquele dinheiro que tiver poupado, força, estarei consigo. Mas a SS atual não é, nem pretende ser, nada disso.

          2. Luis Lavoura, cada vez que respondo aos seus comentários percebo que a minha paciência é infinita.

            Diga-me lá, devagarinho: se a segurança social não serve para nos ajudar quando precisamos, por exemplo numa situação de desemprego, então serve exactamente para quê?

            Tente pensar 30 segundos na resposta antes de atacar o teclado. Agradecido.

          3. Oh Luís M. Jorge, eu não disse nem sugeri que a Segurança Social não servisse para isso mesmo.

            Apenas disse que a proposta de Passos Coelho, que eu não defendi (leia cuidadosamente todos os meus comentários!), nada tem a ver com trabalho escravo.

            E também disse que o dinheiro da Segurança Social, cujo fim é esse mesmo que você escreveu, é (e deve ser, no esquema atual) gerido numa ótica comunitária, ou coletiva, numa ótica com regras fixas, e não numa ótica de poupança individual, que cada um utilizaria como quisesse.

            Apenas fiz estas observações deveras elementares. Não defendi a proposta de Pedro Passos Coelho, a qual de facto considero ser tão difícil de pôr em prática que mal vale a pena pensar nela.

        3. Não será bem assim, Luis Lavoura: os escravos tinham direito a comida, casa, roupa, etc.-como um animal de carga.P/ isso alguns ex-escravos tiveram dificuldade em se adaptar á liberdade!E vêm-me á memória o filme “E tudo o vento levou”…

  2. Amigos comentadores, lembrem-se de manter a frescura do debate sem cometer excessos. Reparem que nem nós estamos todos de acordo, no DO. Nem o Luís M. Jorge e eu, por exemplo. E, no entanto, nunca nos esquecemos de que é a diferença de pontos de vista que nos alarga a própria visão das coisas.

    Posto isto, sintam-se em casa, como sempre.

    1. Bem, João, creio que nesta caixa eu próprio terei usado da crítica um pouco gratuita e do sarcasmo. Mas isto não é um chá das cinco em Birre, e eu sou um tipo bastante solto por natureza. Além disso, este Luis Lavoura irrita-me e gosto de assumir as minhas emoções.

      1. Pelo contrário, Luís: não achei exagero (e quem seria eu para achar). O Lavoura é assim mesmo e ele nunca procura atenuar o seu jeito.

        De resto, o debate vivo é o melhor e os comentadores estão a dar prova disso aqui. Apenas pretendo evitar que eles descambem entre si, o que seria uma pena.

  3. Queriam uma melhor prova de mediocridade, do que esta ideia avançada pelo Passos? Aqui a tem.
    Cuidado com esta gente

  4. Boas…bem, eu pensava que vc.s aqui no D.O. ADORAVAM Pedro P. Coelho…!Fico contente 🙂 assim renovo a esperança no “blog” favorito!

    1. Rosa, aqui no DO há de tudo um pouco: os que gostam, os que detestam e os que estão à espera de ver em que param as modas (que é o meu caso). Mas “adorar”, propriamente, acho que não há ninguém…

  5. Confesso que não segui a entrevista com muita atenção -mas as conclusões que tiro são parecidas c/ as suas – penso que você se esqueceu de mencionar a revisão IMPERATIVA da constituição, sem a qual nada se conseguirá fazer…
    Confesso que percebo o entusiasmo c/ PP. Coelho- á mim parece -me a “versão PSD do Eng.º Sócrates” e assim sendo prefiro original, o da Bayer.A unica vantagem que vejo, perante a grande probabilidade de ele vir a ser o próx. 1º ministro…é a tal da “alternativa democrática”.

      1. é?? Bem, preferia, honestamente, não preferir. Preferia que aparecesse alguém melhor, mas P. P. Coelho não me parece ser essa pessoa…deve ser p/ essa razão que Sócrates ainda é 1.º ministro

  6. Depois de ler os comentários tão acesos a que este post deu origem, aqui vão mais algumas achas para a fogueira. Antes, porém, farei uma pequena declaração de interesses para dissipar quaisquer dúvidas:
    Não sou, nem nunca fui do PSD, nem tenho qualquer especial simpatia por Pedro Passos Coelho, excepto aquela que, naturalmente, decorre da circunstância de em determinado momento concordar com aquilo que alguém propõe ou defende em relação a uma determinada matéria, independentemente do quadrante político em que se situe. Feito este esclarecimento, o que PPC defendeu na entrevista (e quanto a mim, muitíssimo bem, devo dizê-lo,) foi que era necessário haver algum controlo daquelas prestações sociais que, em primeira linha, têm como destinatários os ‘profissionais do ócio’ que em Portugal, como se sabe, são aos larguíssimos milhares. Referia-se, concretamente, ao rendimento mínimo (agora rebaptizado de RSI) em que, pessoas na força da vida e perfeitamente aptas para trabalhar, nada querem fazer ou produzir sendo ajudadas (e até incentivadas) pela sociedade a continuarem nesse ‘dolce fare niente’. Ora, este tipo de situação, além de não ser socialmente aceitável, nada tem também de edificante, uma vez que são precisamente aqueles que trabalham e procuram através dele o reconhecimento de uma vida digna, que subsidiam todos estes que, pura e simplesmente, nada querem fazer. E neste aspecto sei muito bem do que estou a falar, pois conheço múltiplos casos de famílias que chegam a receber de RSI largas centenas de euros sem que um único dos seus membros trabalhe! Por outras palavras, há gente que sem mexer uma palha, esteja a receber muito mais por mês do que outros recebem de salário a trabalhar 8 e mais horas por dia e ainda do que outros de pensão de reforma após 30, 40 e mais anos de trabalho. Isto é justo? Não! Não é justo nem é admissível, parecendo mais do que sensato admitirmos que se a comunidade está disposta a ajudar alguns dos seus elementos que dela precisem temporariamente, é também de toda a justiça considerar-se que é dever desses mesmos elementos retribuírem em troca dessa ajuda algo à comunidade, prestando-lhe pequenos serviços de que a mesma está sempre necessitada. Quanto a mim, esta óptica nada tem de errado e, antes pelo contrário, seria até muitíssimo mais dignificante do que a actual ajuda a troco de nada. E note-se que não estou a falar de desempregados nem de subsídios de desemprego (como já acima foi várias vezes referido) mas sim do verdadeiro escândalo que é o actual RSI nos termos em que é actualmente disponibilizado.

    1. Conheço muitíssimo bem o teu jeito descomprometido e solto, quando opinas ou quando apoias outrem. Se bem te entendi e mesmo que a matéria seja muito delicada, subscrevo o que escreveste.

      1. Obrigado pelo apoio, João. Os ‘Luíses’ são polémicos e tornam-se um pouco incómodos quando defendem com unhas e dentes os seus pontos de vista. Vai prá aqui uma grande ‘confusão de luíses’, mas é para isso que aqui estamos, ou não é?
        Um abraço.

        1. Luís, duas coisas:

          1. O extenso comentário que aqui publicou resume-se numa frase: há muita malandragem que ganha dinheiro sem trabalhar.

          Isso tem uma resposta certa – fiscalização; tem uma resposta errada – trabalho forçado; e tem respostas alternativas – a malandragem que me preocupa, por exemplo, não ganha 300 ou 400 euros por mês.

          Eu nunca me ocupei do ressentimento popular. Só um país que dividia a sardinha por três consegue levar a sério este “escândalo” de um engravatado.

          2. Parece que está “incomodado” com o modo como defendo as minhas opiniões. Tem bom remédio – passe à frente.

          Por enquanto ainda não nomeei o meu arbiter elegantiae, nem penso fazê-lo, a menos que me surpreenda agradavelmente.

          1. Meu caro:
            Quanto ao ponto 1 do seu comentário, começou por acertar na ‘mouche’ ao concordar que “há muita malandragem que ganha dinheiro sem trabalhar”, como certas estão também as medidas que preconiza para acabar com este verdadeiro flagelo, independentemente do seu ‘calibre’, que tão bem aqui fez questão de escalonar. Em minha opinião, malandragem é malandragem e, seja da mais baratinha a 300€, da média a 400 ou da mais carota, a 1000 euros por mês, é absolutamente necessário acabar com ela. Ponto. Quanto ao aparte onde refere que «Só um país que dividia a sardinha por três pode levar a sério este “escândalo” de um engravatado», se quer referir-se a mim, deixo-lhe aqui apenas duas dicas:
            1) Não sei se o país gosta, mas eu, sim, gosto de ser levado a sério, especialmente quando exponho as minhas ideias com a frontalidade e a clareza com que o fiz no meu anterior comentário, independentemente de as mesmas serem do seu agrado ou não. Desde o PR, passando pelo PM, ministros, secretários de Estado, e políticos de todas as áreas, já todos eles foram aqui, desde o início deste espaço de debate de ideias, alvo dos meus comentários e opiniões (que, para quem me conhece e lê, nem sempre são os mais elogiosos e agradáveis, diga-se de passagem,) mas até hoje, que eu saiba, ainda não fui processado por ‘delito de opinião’, apesar de nunca ter tido a preocupação de me esconder atrás de um qualquer anonimato ou ‘nickname’. Desiluda-se, portanto, se julga que vou passar ao largo de si ou de quem quer que seja, só para não incomodar V. Exa. nem a ninguém. Por outras palavras, espere sentado.;
            2) Sim, uso gravata de quando em vez, (principalmente no estilo) mas apenas gravatas de bom gosto, nada destas piroseiras com que os nossos ministros nos agridem diáriamente na televisão.
            Quanto ao ponto 2, já falhou completamente o alvo, deixando-me totalmente desiludido:
            Como já acima deixei bem claro, não estou minimamente incomodado com o modo como defende as suas ideias, parecendo, isso sim, que o incómodo vem precisamente de si quando alguém não concorda inteiramente com aquilo que expôs, que foi aquilo que me limitei a fazer em relação ao seu post. Ou então, ponha um aviso no final, advertindo os eventuais comentadores que não quer ser incomodado e que não aceita comentários que contrariem os seus pontos de vista e opiniões.
            Por último, e se estava a pensar em mim para o cargo que refere, sempre lhe direi que tal “nomeação” só com o meu prévio conhecimento e eventual autorização a poderia levar a cabo, requesitos sem os quais a mesma seria, pura e simplesmente, abusiva da sua parte.
            Ficamos entendidos?

    2. Bom, mas aí entra a necessidade de ‘graduação’ das situações. Nada me deixa mais estarrecida do que saber (e sei) que há pessoas cuja terapia ocupacional consiste em receber subsídios. Mas o Luís M. Jorge tem toda a razão quando invoca a questão da génese/finalidade da segurança social. As prestações, do ponto de vista individual, não nascem do nada: resultam de um plano contributivo que em abstracto é igual ao de uma seguradora. E o problema é que o desemprego pode afectar cada vez mais camadas da sociedade. Então, pergunta-se: nesse momento, a que propósito vamos tratar um não activo incidental como se fosse um perigoso reincidente do dolce far’ niente ? Essa pessoa tem de reorganizar-se, repensar uma ocupação rentável, explorar, fazer contactos, desdobrar-se. Ou não?
      Como vamos presumir que está quieta e sem fazer nada, e deve por isso ser compulsivamente “ocupada”, tipo intervenção correctiva?
      Como sempre, tudo depende.
      E se é verdade que tem de se pôr termo a um abuso conhecido (não especificamente português, mas europeu, sublinhe-se) não é menos certo que a generalização das soluções tem de ser evitada.
      Talvez, para variar, pudessem começar por fiscalizar o que já está atribuído – os tais casos que todos conhecemos, menos a administração – , antes de endurecer o regime, não?
      Aposto que uma fiscalização a sério aliviaria bastante o orçamento assistencial.

      1. Na generalidade, estou de acordo com o que expõe, Clhoé. Mas, como decerto terá reparado, tive o cuidado de frisar bem que não me referia nem a desempregados nem a subsídios de desemprego (que considero terem toda a razão de ser), mas sim a subsídios dados de mão beijada, a troco de nada, a quem nunca trabalhou nem quer trabalhar, aos tais ‘profissionais do ócio’, como referi. E nem tão-pouco questiono que, em casos pontuais, este tipo de subsídios até possa ser atribuído a pessoas que, comprovadamente, não possam trabalhar por qualquer motivo, seja de doença, ou outro qualquer. Agora, o que para mim é claríssimo, é que esta rebaldaria (nos termos em que já a descrevi) não pode continuar, sob pena de, daqui a algum tempo, chegarmos à caricata situação de se verificar que gente que nunca trabalhou nem fez quaisquer descontos para a S. Social, ter durante anos usufruído de subsídios e outra que trabalhou durante décadas e durante elas fez os seus descontos, não venha a ter um cêntimo de reforma. Isto é uma completa e perfeita imoralidade!
        Tal como V. conclui e muito bem, Chloé, “as prestações, do ponto de vista individual, não nascem do nada: resultam de um plano contributivo que em abstracto é igual ao de uma seguradora”. Ou seja, se eu não investir no tal plano contributivo, não posso esperar que seguradora alguma me venha dar a mão em caso de necessidade, excepto, repito, nos tais casos pontuais em que, comprovadamente, eu tenha estado impossibilitado de dar esse meu contributo à comunidade. Não é meu desejo ver que a sociedade não apoie nem proteja devidamente os seus desafortunados e desvalidos; o que eu não quero, isso não, é ver essa mesma sociedade a incentivar e encorajar o ócio e a criar uma classe de parasitas que vivem à sombra da bananeira, à custa do esforço de todos quantos tentam levar com dignidade uma vida honesta e de trabalho.

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