Eugenia


André Couto,

“Eugenia é um termo cunhado em 1883 por Francis Galton (1822-1911), significando “bem nascido”. Galton definiu eugenia como o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente. (…) Desde seu surgimento até os dias atuais, diversos filósofos e sociólogos declaram que existem diversos problemas éticos sérios na eugenia, como a discriminação de pessoas por categorias, pois ela acaba por rotular as pessoas como aptas ou não-aptas para a reprodução. Do ponto de vista do debate científico, a eugenia foi derrotada pelo argumento da genética mendeliana.”, in Wikipédia.

7 comentários em “Eugenia”

  1. Confesso que não vejo o que tenha o artigo lincado a ver com eugenia.

    De resto, em matérias éticas há, é claro, divergências entre as pessoas. Eu pessoalmente considero razoável que o Estado invista menos na cura de um cancro de uma pessoa que se encontra em estado vegetativo, ou então de uma pessoa que tem 80 anos de idade, do que se investe na cura de um cancro similar numa pessoa de 40 anos de idade.

    A título pessoal, tenho uma familiar que se encontra em estado vegetativo irreversível e que tem um cancro no útero. Os médicos dizem que não vale a pena tratar esse cancro, dado o estado da pessoa. Eu considero isso razoável.

    1. na verdade, Luis Lavoura, se vamos deixar esse critério economicista nas mãos das direcções dos serviços de saúde hospitalar estamos bem fodidos e não peço desculpa pela expressão

      1. Sim marta, será desejável que o critério esteja em mãos superiores, seja aplicado de forma mais ou menos uniforme em todo o país, seja explícito (declarado), e seja democraticamente escrutinável.
        Mas é precisamente isso, ao que creio, que o parecer do Conselho de Ética afirma. Que um critério deve existir, mas que ele deve ser assumido e declarado.
        De resto, o critério não é necessariamente apenas economicista. Por exemplo, submeter a radioterapia uma pessoa de 80 anos de idade é bem mais arriscado do que fazê-lo a uma pessoa de 40 anos. Ou seja, os riscos médicos de diversas intervenções variam consoante o paciente. No caso da pessoa de 80 anos, dados os riscos da radioterapia, é possível que seja mais racional – em termos apenas médicos – nada fazer.

  2. Nas discussões acerca da Saúde, e de muitos outros temas, há pessoas que parece que fecham os olhos, tapam os ouvidos e só falam sem se ver um mínimo de correspondência com o que a realidade vem acabando por impor.

    Começamos pelo início: a saúde é um bem escasso, e consequentemente, a tutela de cuidados de saúde é escassa, e deve ser direccionada para aquilo que as entidades e a sociedade em geral acham prioritário. Posto isto, é óbvio que o SNS não consegue providenciar todos os cuidados de saúde que nós pretendemos, nem deve, sob pena de ficar meio mundo a cuidar da outra metade.
    Noutro ponto, a ciência actual permite que sejam efectuados cada vez mais cuidados que prolongam a vida dos pacientes, mas esses métodos são cada vez mais caros e, por isso, mais exclusivos. Isto, associado com o cuidado de pessoas mais velhas, gera igualmente a rotura dos sistemas de pensões, uma vez que aumenta a esperança média de vida. Isto é muito sério e não se pode fazer desta discussão tabu, como parece que pretendem muitos fazer.
    O SNS deveria ser um sistema baseado nos cuidados básicos, tendo em vista a sobrevivência e o bem estar das pessoas, e não pode fugir dessa matriz, sob pena de implodir.
    Sinceramente, não tenho opinião formada acerca daquilo que se poderia cortar na saúde, ou por outro lado investir, mas não podemos ser cegos e surdos e não ver que estes sistemas foram criados em tempos muito distintos, e formatados para aquilo que a medicina poderia oferecer naquele dado momento. Hoje em dia as soluções médicas são muito mais avançadas, mas o seu custo também subiu. Teremos que chegar a um ponto de equilíbrio, onde os mais recentes avanços na medicina sejam acompanhados por uma produção cujo preço seja acessível à maior parte da população, mesmo que através dos estados e/ou seguradoras.

  3. Não me parece que o tema tenha a ver com eugenia, terá mais a ver com uma espécie de eutanásia implícita. São temas incómodos mas quando se envereda por caminhos de “custe o que custar” que parece ser um slogan do governo mas apenas em relação a tirar-nos dinheiro, o resultado não é bom. Tão pouco é razoável executar tratamentos “custe o que custar”, ao fazer isso está-se implicitamente a deixar para trás outras áreas de actuação que poderiam trazer maior bem estar à população. O utilitarismo já mostrou muitos problemas pelo que estes temas têm que ser tratados com os maiores cuidados. E não devem ser utilizados como justificação para reduzir o SNS à sua expressão mais simples.

  4. O que é que é novo aqui? Nada.
    Vocês defendem ou estão dispostos a pagar um Hospital com todas as valências de Santa Maria em cada cidade com mais de 10000 habitantes? e 50000? e 100000?

    O racionamento sempre fez ou julgam que os hospitais portugueses têm os melhores médicos e são os melhores do mundo?
    Estão dispostos a pagar para serem?

    A questão é o grau, porque gestão de recursos sempre houve e haverá. Não é o populismo dos “economicistas” contra os com bom coração.

    É como o a resistência das casas e pontes a terramotos, querem resistência a um terramoto 1755 então terão de aceitar muito menos casas acessíveis e muita gente a viver em barracas.
    Ou qualquer outra obra de engenharia como carros, aviões, comboios, quanto mais se gasta em redundância e protecção mais seguro se fica até ao momento em que os próprios gastos colocam em causa a existência e desenvolvimento da tecnologia.
    Ou coisas simples como a velocidade máxima na estrada. Quem aceita 20km/h de velocidade máxima para não existirem mortos em acidentes ? O “economicismo” do tempo livre que queremos implica aceitarmos que vão existir mais mortes.

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