Eu discordo frequentemente do LA-C, mas há momentos em que só resta aplaudir…


escafandro,

Se a esquerda quer mesmo perceber como raio é possível alguém inteligente apoiar Trump, pode começar por perguntar a muita malta inteligente de esquerda por que raio gostava tanto de Hugo Chávez.

Luís Aguiar-Conraria, n’A Destreza das Dúvidas.

16 comentários em “Eu discordo frequentemente do LA-C, mas há momentos em que só resta aplaudir…”

  1. Não é para mim evidente que Hugo Chávez tenha sido mau governante, de um ponto de vista de esquerda. O grande erro dele foi que não previu – mas quem é que previu? – a queda abrupta do preço do petróleo, a qual tornou insustentável o modelo económico por ele construído.
    (É claro que Nicolás Maduro, esse sim, tem sido um péssimo governante – mas Maduro não é Chávez.)
    É claro, pode-se argumentar que Chávez teria tido a obrigação de ter diversificado a economia venezuelana. Mas isso não é fácil – muitíssimos outros países ricos em petróleo falharam em diversificar as suas economias, e estão a ter os mesmos problemas que a Venezuela com a queda abrupta do preço do petróleo.
    Pode-se comparar, talvez, Chávez como José Eduardo dos Santos. É verdade que Angola não está a ter tantos problemas como a Venezuela – mas também é verdade que Angola nada fez em favor da sua população pobre, ao contrário da Venezuela.

    1. “Não é para mim evidente que Hugo Chávez tenha sido mau governante”

      De Chávez até já se pode afirmar que foi um mau governante. De Trump apenas se pode afirmar que, à sua maneira, tem sido tão populista como Chávez.

    2. Infelizmente, para nós portugueses, há muitos Lavouras.
      Infelizmente, para os Venezuelanos, eles foram governados pelo incompetente Chavez, que se encarregou de deixar na sua cadeira o incompetentíssimo Maduro e estão a viver, agora, situações miseráveis e vergonhosas, como aqui se pode ver:
      https://www.facebook.com/OrdemDosMedicosDoBrasil/videos/1044967068890677/

      1. Infelizmente há muitos Lavouras.

        Falso. Há muito poucos. Estranhamente, é um apelido muito raro em Portugal.
        Haveria mais, aliás, se grande parte da minha família paterna não tivesse emigrado, já há muitas décadas, para o Brasil e Venezuela, e ficado por lá.

  2. Apoiar Chavez é o corolário de ser de Esquerda.
    Está lá tudo pois a Esquerda continua a olhar para Marx e a União Soviética como os puros.

    Apoiar Trump é apenas ser um mal menor contra a cultura totalitária, racista, fora da lei(imigração) que os jornalistas, as universidades americanas e hollywood constroeme que Hillary representa.

    O apoio a Chavez nunca foi um mal menor, era a construção de algo maravilhoso.

    Logo não é comparável. LA-C está errado.

      1. Pessoas inteligentes deveriam perceber que o apoio pode ir desde um apoio incondicional, a um condicional em vários graus até ser meramente táctico.

        —-
        Sobre a narrativa do Populismo:
        Com que então o PSD CDS e PS não são populistas nem extremistas…?

        Diga-me como a Dívida cresceu a 130%? Como é que tivemos 3 bancarrotas em 40 anos em Portugal?

        Não foi por causa do extremismo e populismo do centro?

        1. Como saberá, em grande medida eu até concordo consigo. Mas há no populismo diferentes patamares de forma e conteúdo. Trump e Chávez estão num nível completamente diferente do de Cavaco, Guterres, Barroso, Santana ou mesmo – embora talvez não por muito – Sócrates. Passos é outra história, que mete culpas próprias mas também bloqueios constitucionais e mediáticos, para além de uma correcção daquela magnitude ter sempre efeitos negativos a curto prazo. E Costa… bom, Costa nem sequer ganhou as eleições.

  3. Não sei até que ponto sou ou não inteligente.
    O que eu sei é que, sendo globalmente contra o liberalismo selvagem que, ao longo de décadas, a um ritmo cada vez mais acelerado, colocou em 1% de alarves 90% da riqueza mundial, considero positivos quer Chaves quer a Geringonça, pela simples razão de tentarem parar e inverter o sentido das coisas.
    A Venezuela está como está, não pela natureza da política que prossegue, mas pelo boicote sistemático e cruel dos interessados em que o tal fosso entre ricos e pobres continue a aumentar, quer na vertical quer na horizontal. Pudera!
    Como o tal ritmo não dá mostras de moderar a sua aceleração, ameaça, a breve prazo, reduzir à escravidão a grande maioria da população global e globalizada, enquanto reduz aquele 1% para 0,5%, deixando para os jagunços do regime umas migalhas que, face à miséria geral, lhes iriam parecer de ouro.
    Sendo Trump um milionário, parece a minha tese contraditória. Mas não é. Basta que ele separe a economia dos políticos corruptos, como promete, para as coisas mudarem muito. Parece que ninguém fala nisso, mas o que tem acontecido no mundo financeiro que tem empobrecido pessoas e estados resulta, direta ou indiretamente, dessa promiscuidade. Talvez os trumps não só não precisem nada desses parasitas insaciáveis como até possam prosperar ainda mais, fazendo reverter para os até aqui explorados toda aquela riqueza imensa que tem terminado inexoravelmente nas garras desses durões de algibeira.
    Foi isto que os americanos viram e foi por isso que votaram Trump, antes que fosse tarde de mais.
    Só não vê isto quem não quer ver.
    Foram inteligentes? Não sei. Mas foram, pelo menos, consequentes.
    Aqueles que não conseguem engolir a pílula, podem sempre promover… uma qualquer primavera árabe… numa qualquer praça de Nova Iorque.
    João de Brito

  4. Pelos vistos Trump was grabbing the nation by the pussy. E foi exactamente este o tema da campanha.
    Estratégia inteligentíssima.
    Enquanto Trump a agarrava desta forma, à nação, Chavez alimentou-a, à nação.
    Por isto não me estranha tanta simpatia e inteligência relativamente a ambos.

    Por outro lado, segui os acontecimentos em Portland e noutros sítios da América. E comecei a cogitar.
    Aqui vai: Se o eleitorado democrata é todo composto por gente com educação superior, e provoca os distúrbios e arruaças que são conhecidos, imagino que se esses licenciados tivessem feito o doutoramento certamente teriam usado pequeníssimas bombas nucleares portáteis e artesanais para infligir danos maiores durante as manifestações. Sim, quanto mais elevada a graduação maior o estrago.

  5. A comparação apenas pode ser feita em relação ao pré-governo, ou seja, ao período em que Chávez ainda não era presidente. Isto porque ainda não podemos avaliar o Presidente Trump. Eu penso que vai ser absolutamente péssimo, mas não o sei.

    E quando olhamos para o passado só podemos tirar comparações entre ambos pelo lado do populismo. Trump herda um país que é o mais importante, rico e poderoso do mundo, e onde a crise está em regressão acelerada (embora ainda frágil). Ele falou em fazer a “America great again”, mas o país já é “great”. A linguagem de Trump foi de exclusão e contra a perca de rendimentos e privilégios da classe média. Ele falou de um país que não existe (quase descreveu o Iraque) para prometer o país que já existe.

    Chávez, à altura, falou para os mais pobres num país que estava em recessão continuada (PIB per capita e capacidade de compra estavam a 1/3 do seu pico de 20 anos antes) e com corrupção generalizada e conhecida (não apenas “percebida” como tal), como nos EUA) nos seus órgãos políticos mais elevados.

    Se Trump seguir o mesmo caminho que Chávez e daqui a 4 anos as situações se reflectirem, então a comparação de Luís Aguiar-Conraria estará mais acertada. Neste momento apenas se podem comparar os cenários pelo lado do populismo.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *