Acreditei desde o início que a subvenção vitalícia aos políticos – ontem reposta de forma inqualificável por iniciativa conjunta de dois deputados que já foram ministros, um do PS (José Lello) e outro do PSD (Couto dos Santos) – seria chumbada na votação final do Orçamento do Estado para 2015.
Um cenário de viabilização desta medida seria imoral num País que faz tão duros sacrifícios há tempo demasiado. Seria, na verdade, um insulto a todos os portugueses.
Não foi preciso esperar tanto: a proposta acabou por ser retirada ainda durante o debate na especialidade.
Entretanto, creio ter inegável interesse jornalístico conhecermos a lista completa dos 318 beneficiários desta putatitva medida, que custaria ao erário público – isto é, a todos nós – a módica quantia de sete milhões de euros por ano. Talvez dela constem personalidades que adoram fazer proclamações retóricas sobre a necessidade de impregnar a política de referenciais éticos. Podiam ter renunciado à subvenção, mas não o fizeram. Fiéis àquela máxima de autor anónimo: “Ética, para mim, é ter dinheiro nos bolsos.”

Bagão Félix e Manuela Ferreira Leite pertencem à lista. E veio a público que Freitas do Amaral, em tempos idos, foi fazer uns dias mais ou menos clandestinos à AR para poder passar a recebê-la.
Mas é de facto muito curioso que a transparência apregoada tenha impedido que a lista completa venha a público, isto quando se trata de gente que esteve “ao serviço do povo”.
http://www.asjp.pt/2013/04/29/cga-paga-e m-media-2-300-euros-por-cada-subvencao-v italicia/
(o link resulta de pesquisa, nada tenho a ver com a asjp).
Carlos Melancia, Almeida Santos, Ferreira do Amaral, Armando Vara… tudo gente muito necessitada. Pois.
Não sei se terei bebido um copito a mais ao jantar, mas pareceu-me ter visto na tv a ilustre constitucionalista Isabel Moreira a defender a reposição dessas subvenções. Ora, para a referida criatura o ter defendido, é porque se trata de uma justa causa. Mais nada.
A causa é tudo menos justa, seja quem for que a defenda.
Não alucinei, vi mesmo:
http://www.youtube.com/watch?v=Tze4gbB20 5Y
Não alucinou. Confirmo.
Exacto. Ao cidadão interessa saber o que os políticos dizem(sempre belas palavras) mas realmente decisivo : o que eles fazem.E quando não bate a bota com a perdigota tomar as conclusões que se adequam.
Nem mais, meu caro.
Tristeza de indivíduos que nos representam (eleitos com fé na esperança de um ideal, de um valor, ético, digno).
Proposta retirada em “nome do bom senso” ?! Declarações vazias, sem qualquer conhecimento de valor.
Em nome do bom senso, da ética, da honra (de representar os eleitores), com carácter e sentido de dever, nunca, nunca tal proposta deveria ter sido pensada ou formalizada.
Vergonha desta “gente” que não pertence nem sente o meu país. Parasitas e bactérias que infectam os tecidos vivos de Portugal.
Tristeza.
Abraço.
Um abraço triste também, caro David.
Quando eu estava na tropa em Angola, as casernas dos quartéis exibiam uns posters da propaganda com várias “mensagens”; lembro-me de um que dizia assim: ” o Exército é o espelho da Nação”! Não serão os politicos, e já agora quem os elege, “o espelho da Nação”? De resto quem é que nunca copiou num teste na escola, ou tentou passar à frente de toda a gente numa fila para o cinema ou para o autocarro?
Não quero com isto desculpar os politicos por esta enorme falta de bom senso, para ser meigo. Mas acho que os politicos são o que nós, os que os elegem, fizeram deles. Basta ver os que se passou ao longo de dezenas de anos em certas autarquias, onde desde que haja “obra feita” a corrupção é muito bem tolerada.
Muito bem. Todos gostam de sacudir a água do capote: quem vota e elege depois gosta de descarregar para cima daqueles que pôs nos lugares de poder. É assim a vida e não há que desesperar.
É verdadeiramente inacreditável que os cidadãos não tenham o direito de saber a quem é que o Estado paga, quanto e a que tíitulo.
Note-se, a titulo de comparação, que a União Europeia obriga à divulgação pública de todos os recipentes de ajudas da Política Agrícola Comum. E muito bem.
E muito bem, sim. Pela mesma lógica, toda a informação relativa às subvenções devia estar acessível aos cidadãos. Até porque somos todos nós quem paga tais luxos.
Assim de repente só me lembro do Jorge Coelho ter renunciado a essa subvenção.
Ele renunciou. E vários outros também. Gestos como estes, em regra, não se apregoam.
Até por isso conviria saber quem preferiu a opção oposta, sentindo-se confortável com esta inaceitável mordomia.