Eternos cultores do curto prazo


escafandro,

Pedro Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque propunham-se economizar nos juros, antecipando pagamentos ao FMI. Como José Sócrates e Teixeira dos Santos em 2009 (relembre-se a delícia que constituiu a renegociação dos contratos das PPP), Costa e Centeno preferem assumir mais juros e adiar o pagamento das dívidas. A partir de 2018 (terá entretanto ocorrido nova crise económica? Permanecerão os mercados de dívida abertos para Portugal? Será comportável o custo de a eles aceder?) logo se verá como pagar. Sendo improvável que os cofres continuem cheios, pode sempre exigir-se um perdão.

0 comentários em “Eternos cultores do curto prazo”

  1. As previsões do anterior governo baseavam-se num Banif varrido para baixo do tapete e num défice de 2,7% que juravam a pés juntos que seria cumprido.

    Creio que se podem incluir na propaganda pré eleições, como a tal economia em franca recuperação que ninguém viu senão eles.

    1. De repente, o BANIF e 0.3% do PIB justificam que se atrase em pelo menos 4 anos o pagamento de 7 mil milhões de euros (de 2016 para depois de 2020).

      Acresce o facto da dívida ao FMI ser a que tem os juros mais elevados da Troika (1 a 2pp. acima das emissões no mercado a 10 e 20 anos), e incluir risco cambial (a dívida é em SDR, não EUR).

      Primeiro diziam que ter folgas orçamentais e reservas (os cofres cheios) era má política. Queriam reestruturar a dívida por os juros serem sufocantes. Agora adiam o pagamento dos empréstimos mais gravosos. Os juros já deixaram de ser sufocantes? Além das reservas vão consumir também os pagamentos adiados? Ou vão deixar de emitir dívida no mercado?

    2. Isso, arranje justificações. Sócrates também tinha muitas. A verdade é que o dinheiro está em caixa mas dá jeito para cumprir as exigências dos parceiros de gerigonça.

      Já agora, uma adenda que o Jornal de Negócios publicou à hora de almoço:
      http://www.jornaldenegocios.pt/mercados/obrigacoes/detalhe/quais_as_implicacoes_de_costa_reduzir_em_um_terco_reembolsos_ao_fmi.HTML

      1. Nem se compreende que o novo governo não siga a política económica do anterior.

        Afinal o governo da defunta PàF (a tal da estabilidade) só não cumpriu os objetivos que ele próprio se propôs em 2012, 2013, 2014 e 2015.

        Mas parece que o tempo por esses lados não está para balanços.

    1. Pois. Mas antes é preciso que a geringonça se desmanche. Depois que PSD e CDS evitem promessas que não podem cumprir (como em 2011, tornariam tudo mais difícil). Depois ainda que os eleitores não prefiram continuar mergulhados em ilusões (uma parte do sector público é praticamente voto cativo do PS e haverá sempre fãs da demagogia utópica do BE e do PC). Na era pós-António Costa, a vitória terá também de ser por maioria absoluta. Finalmente, é preciso que PSD e CDS saibam o que é necessário fazer (o CDS terá nova liderança, cujo posicionamento se desconhece, e veremos o que sucederá no PSD), que o façam e que ainda estejam a tempo de compor os estragos.
      Vai tudo correr bem.

      1. A geringonça desmancha-se quando for conveniente é só Costa colocar uma questão ao PCP e BE que eles terão de recusar.

  2. Voltámos a mais do mesmo…
    Adiamos o pagamento… pagaremos (outros pagarão… ) mais juros.
    Mas isso agora não interessa nada.
    Entretanto o PCP e sindicatos vão consolidando os “direitos” da FP e nós pagamos…
    E depois os gatunos são os outros.

  3. Devemos ser prudentes.
    Mas eu acredito ainda que este governo desvie, da corrupção e da gestão ruinosa, os dinheiros que vai restituindo à classe média.
    E, no limite, o excesso de prudência no que à gestão dos financiamentos diz respeito retira razão de ser ao recurso ao crédito.
    No limite, repito.
    Aguardemos.

  4. Até tem uma certa graça se não fosse real. Como ia Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque pagar ao FMI se não tinham dinheiro? Iam pagar ao FMI com dinheiro pedido à banca. Deixavam de pagar juros a uns e iam pagar a outros, continuando sempre a dever, embora os credores mudassem de nome. E porque não, um perdão? A Alemanha teve, a Grécia idem e nós não merecemos porquê? Também somos europeus da UE…

    .

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