“O ser humano não é intrinsecamente bom nem mau. O que verifico é que a bondade é mais difícil de alcançar e de exercer. E bem e mal são conceitos demasiado amplos. É mais fácil ser mau, mau nas suas formas menores, mau em tudo aquilo que nos afasta do outro, do que ser bom.”
O ser humano… o ser humano é uma caixa de pandora quase fechada. É capaz de práticas abnegadas, desprendidas, até altruístas e de cometer ao mesmo tempo o mais hediondo dos crimes, com toda a destreza, como se de nada se tratasse.
Saramago tem toda a razão quando afirma que é muito mais fácil ser mau; sinto isso na pele todos os dias. Era tão bom poder pregar um estalo em vez de sorrir e tentar contemporizar. Quantas vezes o irreverente demónio que advoga as minhas decisões não me diz para os mandar catar?… ou pior ?
O tal anjo da guarda, que é certo e sabido que todos temos e que nos ensina o caminho das pedras para que possamos amar o próximo, mesmo quando queremos que não haja próximo porque estamos fartos de gente maçadora a azucrinar o parco equilíbrio que nos resta , esse não diz nada, porque já sabe que a coisa iria funcionar tipo ” gato do Sr. Lopes”, e acabava por sobrar para ele.
Há três anos, quando abracei a minha condição de avó, tomei a resolução de nunca mais pintar o cabelo. Não foi decisão que considerasse de animo leve, já que deixar sair a cor natural depois de anos e anos de tintas não é tarefa fácil, já para não falar no aspecto desleixado e ar de desmazelo que o espelho devolve todos os dias durante mais de um ano, e que não deixa de fazer fornicoques na massa cinzenta.
Alcançado o objectivo e o lindo tom sal e pimenta brilhante e sadio que se pretendia, verifico que o meu singelo encanto em tons de cinzento, cedo se converteu naquilo a que chamo” branco mais branco, não há”…
Não culpo a vida, os desgostos e as tristezas. Tudo isto sempre fez e fará parte do percurso. Culpo as pessoas, as pessoas são estranhas. Culpo a insensibilidade, a arrogância, a malvadez. Culpo as falhas profundas que o tempo sulcou na minha fleuma…culpo a moda do stress.
Dias há que de apoplética chego aos 22 de máxima, e maldigo tudo e todos, desde a z8-GND-5296 até à fossa das Marianas…
Qualquer dia…
“Morreu na contramão atrapalhando o público”
Fez três meses que perdi a minha mãe. Pensa-se muito em tudo isto. A nossa própria mortalidade é um pensamento constante…
Não há paz, só gente muita gente; gente grande ,pequena, alta, baixa, gorda, magra, clara ,escura, numa cacofonia de palavras sem sentido, o ruído , o barulho, e a recorrente vontade de fazer mal.


Só hoje li.
Não vale a pena pensar muito no que terá que acontecer.
Viver intensamente.
Isso é que realmente importante.
Bfds
Um belíssimo texto. A natureza humana é como é para o bem e para o mal. Também gostava de ter a sua coragem e deixar de pintar o meu cabelo…
Uma boa semana.
Um beijo.
Excelente música para ilustrar o texto. Parabéns!
maocheiadeletras.blogspot.com
"O Inferno são os outros!" Acho que era o Sartre que dizia isto. Há vezes que a maldade é só uma afirmação de poder: "Estou aqui e forçosamente tens de me dar a importância que eu acho merecer". Outras uma afirmação de estatuto: "Sou importante e isto me é devido a mim mas não a ti".
O medo, a insegurança e a ansiedade são os grandes responsáveis pela faceta menos favorável do comportamento humano. A insanidade também. Não falo da insanidade encarcerada em estabelecimentos hospitalares ou em prescrições farmacológicas, falo da insanidade dos grandes senhores que ocupam lugares de responsabilidade pública que têm nas mãos a influência ou o destino de outros, e que destroem e fazem guerra.
Espero que não entres na contra mão. Proponho-te o compromisso de nos mantermos sem atrapalhar o público. Que dizes?