‘Este’ PS, como o Henrique Raposo escrevia ontem no Expresso, faz-me confusão. Tenho alguma alergia a socialismos, ortodoxos ou modernizados, mas o caso português era diferente. O PS sempre se definiu como um partido democrático, de debate, feito contra o pensamento único e o risco autoritário, viesse ele da esquerda ou da direita. Os atritos – mais que isso, choques – entre Mário Soares e Vítor Constâncio provavam um partido plural, representativo de uma sociedade também ela plural. Onde há dissidências, caminhos diferentes, visões de sociedade e de necessidades também diferentes. Entretanto, vieram os anos Guterres, e o pavor das maiorias relativas. O PS decidiu agrilhoar-se ao poder. Que significou isso? A eliminação pura e simples de qualquer diferença. O PS é hoje um imenso rebanho atrás de um líder de palha, calando aquilo que vê de errado, concordando no desespero do poder com prazo de validade. Mas porquê esta insegurança? Só encontro uma resposta, na ausência de um partido que lhe roube esse poder: tem medo das suas próprias sementes de destruição. O poder não lhe trouxe confiança; trouxe, outrossim, uma insegurança extrema, de quem sobe à montanha mas tem medo de descer.
Também publicado aqui.

De difícil entendimento
esta gente socialista,
de sinuoso pensamento
aliado a uma política irrealista.
O poder incompetente
por esta gente exercido,
a crise é bem latente
neste Portugal emagrecido!
O mexilhão não absolve
a incompetência socialista,
esta política não resolve
a grave crise actualista.
Nem mais. Ficou tudo dito.
Muito bem.