Estava na cara


Diogo Novo,

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De Amorim

 

No dia seguinte às eleições catalãs, atirei-me para fora de pé ao antever problemas no entorno independentista. Enquanto bloco partidário no parlamento, o independentismo ia sofrer um duro golpe – além do desferido pelos eleitores nas urnas. Não havia certezas, mas os resultados sugeriam uma colisão a breve trecho entre a ERC e o Junts per Cat. A análise foi vista como facciosa por alguns amigos e conhecidos favoráveis à causa independentista.  

No entanto, as coisas são como são. Desde o dia das eleições os sinais de ruptura sucedem-se. Puigdemont reconheceu que “esto se ha acabado”, acrescentando “los nuestros nos han sacrificado”. Hoje o El Mundo noticia o fim aparente do compromisso entre as duas forças independentistas, com o Junts per Cat a virar as costas a uma ERC que recusou a alteração legislativa que permitiria a investidura de Puigdemont à distância. Os partidários do unilateralismo e do ataque à Constituição estão a ser vítimas da estratégia que implementaram. Pelo contrário, aqueles que entendem que a identidade nacional catalã é compatível com a espanhola vêem reforçado o seu voto no Ciudadanos. O PP, partido ao qual foi infligida uma pesada derrota nas eleições catalãs, volta a ter espaço para respirar – um obséquio de Puigdemont y sus muchachos que, como quem os apoia, ainda não perceberam o que se está a passar.

21 comentários em “Estava na cara”

  1. Esta coisa da Catalunha já cheira mal. Porque este afã em meter o bedelho em assuntos que só dizem respeito aos interessados? Imagino as indignações lusas caso fossem os estrangeiros a meterem-se em assuntos nacionais.

    Percebia caso o intuito fosse informar sobre o decurso do processo, mas em cada poster deste tipo existe sempre um achincalhar de pessoas….seria-nos mais util caso escrevesse sobre o aviso amarelo da proteção civil.

          1. Já no caso do Pedro Correia nota-se que o primeiro nome não é coincidência. Felizmente os eleitores do PSD tiveram juízo desta vez. Se o PSD quer sobreviver, tem que voltar à social-democracia em vez de continuar na direita radical.

      1. Você é muito mais burro do que parece à primeira vista. Então só existe Monarquia ou República como forma possível de governar um País?

    1. Acho que é sensato admitir que os problemas das nacionalidades/regionalismos em Espanha nunca desaparecerão totalmente — a questão está em desenhar um Estado que tenha mecanismos suficientemente agregadores para todos quererem ser Espanhóis. Acredito que até muitos portugueses não se importariam de pertencer a um Estado que nos livrasse de António Costa e seus muchachos. Além dos outros magrebinos-da-cabeça como o Louçã e tropa respectiva A única coisa pior do que o Louça é lá o espanhol do rabinho-de-cavalo. Eu também alinharia nisso mas pertencer a Espanha não me diz nada — a Leão sim. Leão corresponderia à unidade cultural e territorial mínima do ocidente peninsular. D. Teresa sabia disso, o filho nem por isso. Além disso em Leão as vacas andam à solta nas montanhas — o que dá sempre bons quadros.

  2. A coisa fia , e continuará a fiar, mais fino : nos não tão distantes “idos” de Agosto/Setembroas referências à Praça Maidan eram quotidianas. Mas aquele “habitat natural” era outro, objectivamente. A geografia não é favorável e continuará a não o ser pelos tempos mais próximos…
    E , atenção,não perder de vista que o Cabeça de Esfregona é o “dummy” – provavelmente não será grande quebra-cabeças identificar o(s) ventríloquo(s)…

  3. Isto tudo é muito engraçado, mas o facto é que nenhum problema está em vias de se resolver. Nem a Catalunha tem governo regular (fora do artigo 155) nem Espanha tem orçamento de Estado. E espanta-me como não haja entre os políticos espanhóis quem pense em como resolver estes problemas.

    1. “A Catalunha não é nem nunca foi ingovernável”, Luís Lavoura dixit (22.12.17). Estamos a mudar de opinião? Se sim, é bem-vinda a nova. Só não mudam de opinião os teimosos.

      1. A frase que eu escrevi em 22.12.17 foi “A Catalunha não é nem nunca foi ingovernável, se o governo espanhol deixar.” Citar só metade da frase deturpa-lhe o sentido.

  4. Quando apresenta jornais espanholistas como fontes, perde completamente a razão (que nunca teve em primeiro lugar).
    O espanholismo é cego.

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