
De Amorim
No dia seguinte às eleições catalãs, atirei-me para fora de pé ao antever problemas no entorno independentista. Enquanto bloco partidário no parlamento, o independentismo ia sofrer um duro golpe – além do desferido pelos eleitores nas urnas. Não havia certezas, mas os resultados sugeriam uma colisão a breve trecho entre a ERC e o Junts per Cat. A análise foi vista como facciosa por alguns amigos e conhecidos favoráveis à causa independentista.
No entanto, as coisas são como são. Desde o dia das eleições os sinais de ruptura sucedem-se. Puigdemont reconheceu que “esto se ha acabado”, acrescentando “los nuestros nos han sacrificado”. Hoje o El Mundo noticia o fim aparente do compromisso entre as duas forças independentistas, com o Junts per Cat a virar as costas a uma ERC que recusou a alteração legislativa que permitiria a investidura de Puigdemont à distância. Os partidários do unilateralismo e do ataque à Constituição estão a ser vítimas da estratégia que implementaram. Pelo contrário, aqueles que entendem que a identidade nacional catalã é compatível com a espanhola vêem reforçado o seu voto no Ciudadanos. O PP, partido ao qual foi infligida uma pesada derrota nas eleições catalãs, volta a ter espaço para respirar – um obséquio de Puigdemont y sus muchachos que, como quem os apoia, ainda não perceberam o que se está a passar.

Esta coisa da Catalunha já cheira mal. Porque este afã em meter o bedelho em assuntos que só dizem respeito aos interessados? Imagino as indignações lusas caso fossem os estrangeiros a meterem-se em assuntos nacionais.
Percebia caso o intuito fosse informar sobre o decurso do processo, mas em cada poster deste tipo existe sempre um achincalhar de pessoas….seria-nos mais util caso escrevesse sobre o aviso amarelo da proteção civil.
Lá informar informa. Pode é não gostar da informação prestada.
Então imagine-se começar uma república (sempre um mau formato para um País) com estes arquitectos manhosos.
Se gosta tanto de reis, emigre para Madrid. Aqui não queremos nem reis nem espanholistas.
“Aqui” em Portugal? “Aqui” no Delito? Com tanta certeza e propriedade imagino que a coberto do anonimato esteja um pequeno reizinho.
Diogo, na melhor das hipóteses está um Ruizinho.
Já no caso do Pedro Correia nota-se que o primeiro nome não é coincidência. Felizmente os eleitores do PSD tiveram juízo desta vez. Se o PSD quer sobreviver, tem que voltar à social-democracia em vez de continuar na direita radical.
Você é muito mais burro do que parece à primeira vista. Então só existe Monarquia ou República como forma possível de governar um País?
O problema das nacionalidades/regionalismos não desaparecerão com Puidgmont nem com Rajoy.
Acho que é sensato admitir que os problemas das nacionalidades/regionalismos em Espanha nunca desaparecerão totalmente — a questão está em desenhar um Estado que tenha mecanismos suficientemente agregadores para todos quererem ser Espanhóis. Acredito que até muitos portugueses não se importariam de pertencer a um Estado que nos livrasse de António Costa e seus muchachos. Além dos outros magrebinos-da-cabeça como o Louçã e tropa respectiva
A única coisa pior do que o Louça é lá o espanhol do rabinho-de-cavalo. Eu também alinharia nisso mas pertencer a Espanha não me diz nada — a Leão sim. Leão corresponderia à unidade cultural e territorial mínima do ocidente peninsular. D. Teresa sabia disso, o filho nem por isso. Além disso em Leão as vacas andam à solta nas montanhas — o que dá sempre bons quadros.
O que o V mais queria, permita-me, era pertencer a um lugar que não deste tempo.
Se calhar é isso…
De acordo. Mas a via unilateral parece ferida de morte – pelo menos num futuro próximo.
Claro…contudo não sei definir futuro próximo
A coisa fia , e continuará a fiar, mais fino : nos não tão distantes “idos” de Agosto/Setembroas referências à Praça Maidan eram quotidianas. Mas aquele “habitat natural” era outro, objectivamente. A geografia não é favorável e continuará a não o ser pelos tempos mais próximos…
E , atenção,não perder de vista que o Cabeça de Esfregona é o “dummy” – provavelmente não será grande quebra-cabeças identificar o(s) ventríloquo(s)…
Isto tudo é muito engraçado, mas o facto é que nenhum problema está em vias de se resolver. Nem a Catalunha tem governo regular (fora do artigo 155) nem Espanha tem orçamento de Estado. E espanta-me como não haja entre os políticos espanhóis quem pense em como resolver estes problemas.
“A Catalunha não é nem nunca foi ingovernável”, Luís Lavoura dixit (22.12.17). Estamos a mudar de opinião? Se sim, é bem-vinda a nova. Só não mudam de opinião os teimosos.
A frase que eu escrevi em 22.12.17 foi “A Catalunha não é nem nunca foi ingovernável, se o governo espanhol deixar.” Citar só metade da frase deturpa-lhe o sentido.
Quando apresenta jornais espanholistas como fontes, perde completamente a razão (que nunca teve em primeiro lugar).
O espanholismo é cego.
Em compensação, o anonimato não é mudo.
Mas é burro. E zurra que se farta.