29 de Janeiro: «Os arautos da nova coligação esquerdo-direitista de Atenas só estão unidos na aversão ao estrangeiro. É uma coligação contra naturam, que reúne todos os ingredientes indispensáveis para não funcionar. Porque congrega o pior dos dois hemisférios políticos numa mescla de bravatas populistas e ressentimento ideológico que ameaça acelerar o colapso das finanças públicas num país recém-saído de seis anos de recessão.»
![Alexis-Tsipras-places-flo-012[1].jpg Alexis-Tsipras-places-flo-012[1].jpg](http://2.fotos.web.sapo.io/i/B1a11b7ff/18633638_Jm6wa.jpeg)
18 de Fevereiro: «Há uma contradição aparentemente insanável entre o que o Syriza proclama e o que o Syriza faz. Enquanto proclama o desejo de manter a Grécia no euro (correspondendo aliás à opinião largamente maioritária no país, cerca de 74%) começa a fazer tudo, e em passo rápido, para que o país abandone o sistema monetário europeu com as primeiras medidas de carácter populista já anunciadas em ruptura com os compromissos assumidos ao receber o fundo de resgate. A intenção, por enquanto inconfessável, parece evidente: apontar mais tarde o dedo acusador às instituições comunitárias, acusando-as de responsabilidade directa na ruptura da Grécia com o euro. Tudo demasiado previsível. Estamos perante rudimentares aprendizes de Maquiavel. Só receio que o povo grego acabe por sofrer ainda mais com isto. E nós com ele.»
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21 de Fevereiro: «Os parceiros europeus não deixam lugar a dúvidas: o ajustamento orçamental em Atenas é matéria inegociável. Recapitulemos: o que dizia Alexis Tsipras antes das recentes legislativas, entre bravatas eleiçoeiras sobre “soberania nacional”? Que com ele no governo os credores deixariam de ditar as regras. Mas nada mudou de essencial. Eis os factos. Prejudicam a retórica ideológica dominante nos debates cá do burgo, é certo. Mas têm uma força imparável. Superior a toda a retórica, por mais torrencial que seja.»
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23 de Março: «Dois meses depois das legislativas, o Governo de coligação entre a esquerda radical e a direita xenófoba em Atenas não solucionou um só dos problemas existentes e agravou-os todos. A corrida aos depósitos já fez desaparecer 20 mil milhões de euros da banca helénica, as reservas financeiras estão abaixo dos dramáticos níveis históricos registados em Junho de 2012 e os gastos militares permanecem intocáveis, correspondendo a 2,5% do PIB grego, no país europeu da NATO que cativa maior percentagem do seu orçamento às despesas com a defesa. (…) O tempo urge. E nenhum vestígio de praia se vislumbra sob as pedras da calçada.»
![Alexis-Tsipras-places-flo-012[1].jpg Alexis-Tsipras-places-flo-012[1].jpg](http://2.fotos.web.sapo.io/i/B1a11b7ff/18633638_Jm6wa.jpeg)
6 de Julho: «Que vitória [no plebiscito de 5 de Julho]? Com a economia em derrocada, os bancos falidos, a recessão a regressar em força (após o país ter crescido 0,8% em 2014), a necessidade absoluta de financiamento externo de emergência para fazer face às despesas mais elementares e o espectro de uma saída descontrolada do euro se no próximo dia 20 falhar o pagamento de 3,5 mil milhões de euros ao BCE. E – na melhor das hipóteses – um terceiro resgate a caminho, sujeito ao crivo prévio dos parlamentos nacionais dos restantes países da eurozona, tão respeitáveis como o de Atenas. Pirro era grego. E também ficou célebre pelas vitórias que alcançou.»
Para mim falta a cereja no topo da cronica da incompetência e irresponsabilidade em dó (de alma):
Dia 15 o governo assina um acordo pior que todos os anteriores com os malvados das “instituições”, que curiosamente e finalmente estão de acordo com o governo de que não acreditam no dito acordo!!
Pois. A tróica, que tinha deixado de o ser mas afinal ainda o era, impôs um acordo com mais austeridade ao país que tinha proclamado o fim da dita, e o partido do Governo só pôde contar com o apoio da oposição para aprovar o tal papel. Sem o qual não há caroço.
A Grécia, por estes dias, parece uma peça de teatro. Não do teatro clássico, mas do teatro do absurdo. Alguns por cá ainda aplaudem. Apetece perguntar: aplaudem o quê?
Aplaudem palavras ocas : “desafio”, “dignidade” , “alternativa” – note-se que alternativa se fosse noutro sentido seria chamada de “reacção”.
Palavras ocas porque sem significado, não têm contacto com a realidade.
Muitas dessas palavras tresandam a nacionalismo exacerbado. O Hitler usou e abusou de algumas delas. “Dignidade”, por exemplo.
Resumindo, os chamados “presentes de grego” passaram das crónicas de um velho cego, para os anais de um país que fechou os olhos à realidade.
E mais uma vez a história se repete : à falta de melhor, recorre-se ao embuste. É tiro e queda.
Nestas ocasiões é quase sempre assim: vão-se os anéis e ficam os dedos. Oxalá os dedos fiquem intactos. Pelo menos o braço do doutor Varoufakis foi poupado.
O ridículo é que aquilo que o Pedro foi dizendo é do comum bom-senso. Em que mundo eles vivem? E por eles falo da maioria dos comentadores da nossa praça, alguns bem afamados. Brincadeira de crianças…
Pedro Passos Coelho pode ter vários defeitos mas desde o dia 1 da sua governação nunca saiu do lugar onde estava, manteve a mesma linha. Por seu turno António Costa neste últimos 6 meses já ziguezagueou mais que uma zebra.
Há frases que vão ficar na história, para mim «Não me demito, não abandono o meu país» é a frase chave desta legislatura.
“Em que mundo eles vivem? E por eles falo da maioria dos comentadores da nossa praça, alguns bem afamados.”
Os comentadores da nossa praça só lá estão porque são marxistas que têm consciência vivem do capitalismo. Por outras palavras : socialistas.
Só assim têm convite para aparecer pela mão da mais falsa das profissões, a profissão que não existe: jornalismo. Na verdade o jornalismo existe apenas para sobrevalorizar a política. É política portanto.