A 3 de Maio de 2010, escrevi aqui no DELITO que António José Seguro seria o próximo líder do PS. Era uma altura em que o consulado de José Sócrates, no País e no partido, já apresentava sinais de notória decadência: apenas os mais fiéis e os distraídos do costume teimavam em não encarar esta realidade. Como acentua Javier Cercas no seu livro Anatomia de um Instante, a análise política só funciona quando somos capazes de detectar o que está vivo no que parece estar morto e o que está morto no que parece estar vivo.
Era já também então evidente, para quem soubesse olhar, por que motivo Seguro partia em vantagem perante qualquer outro adversário interno: enquanto Sócrates domava o partido, e o vergava ao seu mando, do deputado natural de Penamacor e eleito por Braga partiram iniciativas que o distinguiram e enobreceram. Como o seu voto solitário contra o novo regime de financiamento dos partidos políticos que permitia o regresso dos homens cheios de malas com ‘dinheiro vivo’. E a sua firme oposição, também na Assembleia da República, à quebra de uma das mais emblemáticas promessas eleitorais de Sócrates: a realização de um referendo europeu, rapidamente metida na gaveta quase sem um sobressalto entre os socialistas. Já para não falar da reforma que liderou para alterar o regimento parlamentar, que hoje dá mais protagonismo à oposição e obriga o primeiro-ministro a deslocar-se quinzenalmente ao hemiciclo de São Bento.
Nada mais natural, portanto, que os militantes socialistas, convocados para as primárias, tenham atribuído a vitória a Seguro – por cerca de dois terços dos votos – contra Francisco Assis, o candidato favorito do desagregado aparelho socrático e dos nostálgicos do ciclo político encerrado nas legislativas de 5 de Junho, fora e dentro da blogosfera.
Estava escrito. Nas estrelas e não só.
P. S. (sem conotações): deves-me uma aposta, Luís.


Interessante como ao fim de algum tempo, nos registos que deixamos na blogosfera vemos as nossas “previsões” concretizarem-se.
Não sei se foi a melhor escolha para o PS ou para o País, pois os objectivos dos partidos nem sempre coincidem com o interesse Nacional… mas uma coisa é certa: após uma vitória interna esmagadora de Sócrates há tão pouco tempo, seguiu-se a sua derrota no exterior e fechou-se o ciclo escolhendo precisamente de dentro aquele que era o menos conotado com o líder recentemente tão idolatrado… e ficam todos de consciência traquila.
A blogosfera também serve para isto, meu caro: para todos sermos confrontados com o que vamos escrevendo ao longo dos tempos. Sempre com uma certeza: é mais fácil fazer prognósticos depois do jogo. Eu prefiro fazê-los antes.
O que me preocupa é exactamente esse; ” ficando todos de consciência tranquila”.
É que por causa da “consciência tranquila” é que os partidos estão cada vez mais afastados dos cidadãos que dizem representar.
Temos um primeiro- ministro que a “grande maioria” votou mas ninguém acredita que vai resolver os problemas e pior ainda, não desperta qualquer emoção forte a não ser nos adversários.
Depois vem o lider do maior partido da oposição que, votado por uma “grande maioria”, não desperta nemhuma paixão (excepto nalgum coração sem dono)porque não tem nenhuma proposta politicamente inovadora e promete ser colaborante e duro opositor em simultaneo.
No fim de tudo isto, o que resta a um português que se sente inseguro quanto ao futuro? Zero!
Mas a culpa não é nem do primeiro-ministro nem do lider da oposição. A culpa é daqueles que por comodismo ou oportunismo, estão sempre com aqueles que não os obrigam a pensar ou a agir.
Os portugueses não têm que se queixar de ninguém a não ser da sua tendência para acreditar no “dom sebastião” e a falta de coragem para apostar nas roturas necessárias.
Portugal melhorou com a saída de Sócrates? Zero!
O PS tornou-se mais credível com Seguro do que seria com Assis? Zero!
Os partidos estão afastados do povo? Estão? Então porque rejeitaram os militantes do PS a proposta de Assis de dar voz aos simpatizantes na escolados candidatos?
Sócrates abandonou a liderança do País e do partido apenas há um mês. Apesar disso, você já concluiu que nada melhorou com isso – nem em Portugal nem no PS. É por causa dessa mentalidade que estamos como estamos: quando alguma coisa muda, logo há quem acorra a gritar que nada devia ter mudado.
teria acertado sim, se tivesse dito que o seguro seria o próximo secretário-geral do ps.
Você está inseguro, Carlos Cunha?
Seguro não é grande espingarda, muito soft e sem mínima oratória, viu-se na 1ª intervenção: Tó Zé de papelinho na mão parecia um novato e todo nervoso. Coelho facilmente lhe trocará os passos.
Meu caro: os socialistas, pelos vistos, estão fartos de oratória. Era já possível antever isso há 14 meses, como creio ter demonstrado.
Os socialistas e não só. Os portugueses em geral.
Temos Seguro no PS. Mas não temos um PS seguro. A avaliar pelas suas primeiras intervenções, querendo mostrar ser oposição, Seguro já mostrou que não está à altura daquilo que o PS precisa, muito menos do que Portugal precisa ter como opsição a este governo.
Para mim não é novidade. Seguro é muito «missinhas». Muito redondo. É daqueles que querem agradar à corrente, mesmo quando esta não corre normalmente…para o mar.
Quanto a mim, nem o beneficio da dúvida lhe concedo. Assis, apesar de alguma colagem (estratégica) a Sócrates era bem melhor. Para o PS e para o País.
Seguro vai estar pouco tempo seguro no partido,
CARLOS FONTES
Olhe que não. Quer apostar também um jantar comigo, Carlos Fontes?
Caro Pedro:
Apostas, só (e poucas) no Euromilhões. Mas continuo a pensar (e só «os burrios é que não pensam», diz o povo) que este Seguro não está muito tempo seguro no PS.
Mande sempre
CF
Penso o contrário. Mas tudo bem. Cá estaremos para ver quem tinha razão.
Com toda a sinceridade e nem é uma opinião a quente, ou determinada por qualquer preconceito contra a criatura, … é o resultado de um somatório de certezas e nalguns casos intuições, que fui construindo ao longo do tempo… Este senhor mostra de uma forma cristalina a desgraça e a miséria a que chegou o país em termos de quadros e de presumidas elites, … Este senhor é uma nulidade absoluta, … Não tem uma única qualidade. É burro, é profundamente inculto, é completamente destituído de capacidade criativa, … é um zero absoluto chegando a ser ridículo na sua atitude de pretender esconder o Sol com a peneira, isto é procurando aparentar aquilo que lhe falta pois a sua pobreza constitutiva é-lhe conatural. O país nunca teve um líder político tão destituído, … nem mesmo o social democrata de Gaia, … nem mesmo o Santana Lopes, … este é o produto mais completo do vazio insuflado pelo carreirismo e pela comunicação social, que é não tenhamos dúvidas tão rasca ou mais que a classe política. Este episódio Seguro versus Assis é brutal, na medida em que e já não é a primeira vez, sempre que se confrontam duas personalidades, a mais rasca, a mais destituída, aquela que não tem nada é a que ganha e com uma clareza preocupante. O Assis independentemente das características e das opções é em termos intelectuais e culturais um génio ao pé do Seguro. Se me permitem, e fui professor universitário toda a vida, o Assis vale entre 15 a dezassete enquanto o Seguro não vale mais do que onze ou doze, … O Seguro é confrangedor, … Nunca a vida pública portuguesa teve um tipo tão fraquinho envolvido numa função tão importante. É dramático que a vida política portuguesa já esteja num plano tal que um indivíduo como o Seguro possa ter ambições públicas. É dramático mas sintomático ao mesmo tempo.
Obrigado!
Conclusão: os militantes socialistas que lhe deram uma vitória muito expressiva são burros. É isso que pretende dizer?
Pois sim, mas coitados dos socialistas: encarar o futuro com um líder tão cinzento requer doses de fé que não será fácil encontrar num partido que se diz laico. 🙂
Um partido que já teve Vítor Constâncio como líder não volta a ter outro tão “cinzento”.
Não vos parece uma embalagem plástica?
A mim parece-me!
A. Mendes: os políticos, tal como os melões, só se conhecem verdadeiramente quando chega a hora de passar da teoria à prática.
É verdade! foi eleito por uma esmagadora maioria!!!!
20000 (vinte mil) votos são suficientes para um aspirante a PM? A maioria tem deixar de ser silenciosa.
Votou quem quis votar: 68% dos militantes socialistas mostrou preferência por Seguro, não por Assis. De algum modo foi uma segunda derrota de José Sócrates.
ou diria assim: os politicos não têm o povo que merecem.
Os políticos são os que existem, não aqueles que gostaríamos que existissem.
As estrelas não escrevem coisa nenhuma, deixe-se de “clichés”!O jovem velho Inseguro é “cuspido e escarrado” dos velhos do Restelo que povoam e abocanham as distritais doi PS.Até quando o carreirismo imperará nos partidos políticos portugueses?
Com efeito, o velho-jovem Inseguro é mais do mesmo e o articulista é um bajulador armado em vidente.Acha que era difícil prever o resultado?
Você ficou mesmo nervoso. Perdeu alguma aposta?
parece que sim 🙂
O nervoso em mim é sinónimo de engenho e arte, é transformador, é a antecâmara do brilho e do génio.Mas não, não fiquei!Acontece que resolvi chamar os “bois pelos nomes” sem escrúpulos nem constrangimentos.Independentemente da partidocracia acho o Seguro Inseguro e um Jovem Velho ou um Velho Jovem.Sem ideologias nem preconceitos pelo meio, acredite!A Chama e a Inteligência, a Cultura e a Verve do Francisco Assis reduzem o Inseguro a pó de estrada.E como político, com uma perpectiva histórica contextualizada do País, Assis era bem-vindo.Eis a minha perspectiva.
Pois. Mas perdeu. Azar. Em democracia é assim. Nós, portugueses, temos o mau hábito de considerar que quem perde é sempre melhor do que quem ganha. Adoramos os coitadinhos, os infelizes, os derrotados.
O PS Porto também precisa de UM NOVO CICLO, A DECADENCIA DA LIDERANÇA DISTRITAL DO PS PORTO CAD VEZ È MAIOR, perante os últimos acontecimentos a tendencia natural é de mudança.
É isso mesmo que vai suceder, tanto quanto sei. No Porto e não só.
Sim, claro ente os 2, o sr. seguro é o boy mais indicado para a continuidade da “politica” do ps e do pinoquio do socrates e restante pandilha…
Por que é que não vais chamar pandilha à srª que te p?
calma boy…a tua hora está a chegar…o padrinho do pinoquio do socrates já partiu para paris…vai aprender a tocar piano e falar melhor francês…
Carissimos! Se o Sr.Seguro, for igual a alguns amigos que tem! então estamos…bem!!!
E com isso você pretendeu dizer… o quê?
Ola, boas, eu nao sabia que aqui, havia muitos videntes, ate estou entusiasmado, mas prontos todos adivinham mas ninguem adivinhou q no nosso país a uma canbada de corruptos, ladroes……………..nao falo mais se não nunca mais saio daqui.
“Falou” bem. Sobretudo quando escreveu ……………..
Esse AJ Seguro, se fosse um “Mestre escola”, todos os dias lhe enfiavam lagartixas nos bolsos pró ver pular de medo, tal é o ar de insonso que aparente.
Já você, «Sr. Augusto», tem ar de quem não se assusta com qualquer lagartixa.
Pode dar-me os próximos números do Euromilhões? Já que joga tão bem pelo Seguro, vamos a isto. Mas não me dê para coisa fraca, dê-me para aquelas semanas que vale a pena porque vem do acumulado .
Já agora, dou-lhe 10%, o que até não é nada mau em €200.0000.000
Até também lhe dou um periquito que não tenho mas que compro um para lhe dar.
Ah, a minha vizinha do andar de baixo tem um cão que me chateia de noite, assim aproveito e mando operá-lo às amígdalas (que raio de nome.
Obrigadinho.
Tenho ganho alguma coisa no Euromilhões, nas últimas semanas, mas nada de relevante: dá só para pagar uns pregos e umas imperiais no balcão do Gambrinus. Agradeço-lhe a oferta do periquito, que dispenso: já me basta aturar tantos papagaios em caixas de comentários. Estimo as melhoras dessas amígdalas (acho que é a primeira vez que escrevo esta palavra).
Nadinha que agradecer.
Alguns dos boys já se começaram a pirar. Acham que este P.S já deu o que tinha a dar. Até a Maria saiu de Belém para a Cruz Quebrada.
O ultimo que sair que apague a luz e feche a porta. Pode ser que o Largo do Rato ainda dê para Museu.
No PS, é fim de ciclo. Após a derrota no País, Sócrates é derrotado no partido. Nada que não fosse previsível há 14 meses.
É minha convicção que Tozé ganhou por falta de alternativa. Que não a houve. E Assis nunca foi.
A maior parte das pessoas – socialistas e não só – quando ouvem o nome de Assis relembram o episódio do saco plástico e pouco mais…
De Tozé Seguro nem isso.
Faz-me impressão ver atribuir-se-lhe algo que pertenceu a muito mais gente, gente que, talvez, o tenham eleito para Secretário Geral mas que poderão não votar nele para Primeiro Ministro. A não ser que, uma vez mais, não haja melhor escolha.
Há casos de sucesso (???) desses na política portuguesa. Há aqueles que enquanto vices passaram a pre e nunca mais dali saíram… (vide exemplo da Presidente da Câmara de Almada)… mas são eles o melhor ou simplesmente administradores de um deserto de vontade para mudar o estado das coisas?
O tempo o dirá.
Mas já diz o povo “Atrás demim virá quem de mim bom fará”. A seguir a Guterres os desagradados viram-se e desejaram na alternativa… e a seguir a Sócrates?!
É Seguro prever que alguma coisa mudará.
Este seguro não me inspira seguranca nenhuma, ainda assim prefiro o PPC a este troca tintas. O discurso dele é barato demais. Mete muita palha e cheira-me a oportunista
Dá-lhe insegurança?
O Mundo está a mudar, como tal, também as mentalidades!
Por isto é que já saímos da Idade Média há muitos anos, embora continuemos a demonstrar temperamentos ferozes, impacientes e a pisar o próximo sem olhar para o lado.
Mas o Mundo está mesmo a mudar e quem não acompanhar a mudança vai ficar só olhando o vazio.
Tal como nós que nascemos e morremos e por este trânsito passamos por imensas metamorfoses, também o modo de politica muda e os políticos também.
E mais mudanças irão acontecer, estamos cá para ver.
Plenamente de acordo: já saímos da Idade Média há muitos anos.
pedro, caríssimo vidente,
concordo contigo na leitura que fazes, Seguro era seguro na liderança, para quem soubesse olhar… daí que tiro o chapéu a essa compreensão cósmica que revelas e que eu nem suspeitava que possuias.
agora confesso que estou curioso por saber mais sobre essa tua avaliação do novo secretário geral socialista… anda, diz-me que tipo de postura e atitude podemos e devemos esperar deste lider tão cuidadosamente incubado nas entranhas do partido para um dia servir Portugal, dizem… eu não sei, mas tu, que dizes?
abraço-te
rvn
Desafio aceite, meu caro Rui. Estou já em reflexão.
Um abraço.
gente de pouca palavra e tudo
??
olá. Para além de como sabes ainda recentemente socrates foi esmagadoramente reeleito, partindo do principio que os militantes são os mesmos ….Esta curiosidade, se bem ouvi hoje na rádio: no porto seguro ganhou por 1 ou 6 votos. Não sei se quando do teu prognostico (seguro era o unico opositor ao socrates. E ana gomes estava com socrates) a base foi lisboa. PS: ainda não sei os resultados de lisboa. ::::::Portugal amou cavaco, até guterres, e socrates. Poderá até vir a amar seguro
Seguro ganhou em todas as federações distritais do PS. Foi uma vitória indiscutível. Eu sempre estive Seguro de que ele venceria.
O PS nunca foi mesmo nada…
Francisco Assis era, de facto, o candidato favorito do aparelho socrático – esse mesmo aparelho que, imagine-se, em Abril de 2011, no congresso aclamativo de Matosinhos, na voz do seu líder, uma “lição de unidade”. Em Abril!! … estamos em Julho!!!
Eu sei que “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, mas… tão depressa??!!
A política portuguesa vive a uma velocidade vertiginosa.
Esta vitória de Seguro não pode (nunca) significar o fim do APARELHO, dos NOSTÁLGICOS e/ou, principalmente, dos BOYS cujo promiscuo desempenho na vida politica e económica do país deixaram envergonhados milhares de militantes e simpatizantes socialistas por esse país fora.
Muitos deles “seguraram-se” e a verdadeira luta interna de Seguro será o medir de forças com os agentes (mais ou menos) secretos dessas forças ocultas do PS.
O congresso de Setembro será como que um semáforo : veremos que sinal acenderá.
???