Confio no seu juízo, Pedro. Mas há casos em que é difícil…
Vamos acompanhando, estou curiosa
Não defendo o derrube de estátuas, Cristina. Aliás, sou contra. Como já escrevi aqui. Devemos assumir a história, com as suas luzes e sombras. Como é próprio da natureza humana. Só assim colhemos lições do passado. Se ocultarmos o passado e fizermos de conta que nunca existiu, não colhemos lição alguma.
Nada mais ridículo do que olharmos para a história como se fosse um filme da Walt Disney, cheio de criaturas fofinhas e sempre com um final feliz.
Esta série limita-se a dar ideias àqueles fanáticos “reconstrutores da História” que se dedicam a derrubar ou conspurcar estátuas de gente tão diversa como Colombo, Padre António Vieira, Churchill e Gandhi. Como noutros tempos outros fanáticos conspurcavam (por exemplo) a estátua do Eça em Lisboa, só porque estava acompanhado de uma moçoila nua.
Se são anti-estátuas, ao menos comecem por ser contra as estátuas de tiranos sanguinários, com pulsão totalitária e genocida.
Admira-me esta estátua na Finlândia. Em sítios recônditos da ex-União Soviética, como a que publicou do Estaline, não me admira tanto. Mas, na Finlândia, não percebo mesmo.
Há meses, li no PT-Post (jornal português na Alemanha) que um jovem procurava, na antiga RDA, estátuas destas personagens. Interessava-lhe saber se tinham sido todas destruídas. E não foram, ele encontra algumas, em arrecadações e armazéns antigos.
A “minha” que isto da liberdade vale até a “minha” pessoa não ser desafiada :-)))
Desculpa, mas desde que soube que a Lena D’Água foi considerada a melhor artista feminina nos “Play” ainda não recuperei do quase AVC que tive.
Passa pelo Alterne. Gostava de saber a tua opinião sobre a “Imigração”. Abraço
Quando, na idade da inocência, militava no PS, ofereceram-me (verdadinha!!) um busto bibelot do Lenin parecido com este, que na altura me deixou 9rgulhosa e comovida. Creio que ainda o tenho num caixote da arrecadação. Para o lixo não foi. Já não funcionava com a decoração minimalista.
Tenho muitas dificuldades com a idade da inocência… Durão Barroso era do MRPP e escreveu (de memória) que era inevitável o dr. Arnaldo de Matos conquistar o poder e impor a ditadura do proletariado. Dirigiu o PSD e hoje está na nata da alta finança internacional. Também se dizia que para ser um bom socialista era preciso ter sido comunista na juventude (Soares, Sampaio, etc., etc.). E quem começa pelo PS, até onde chega?
Olhe Francisco de Almeida, chega a ” isto” , uma espécie de encruzilhada numa terra de ninguém, queimada até ao âmago, com a dúvida primordia a desbravar caminho por entre o restolho carbonizado. Como duvidar é pensar, posso então ter a certeza que penso?
Estou, digo, sou demasiado velho para angústias existenciais; e estava à espera de uma resposta mais prosaica, tipo chega ao Chega; ou então o inverso, uma afirmação ofendida pela sugestão (que estava veladamente na pergunta).
Eu não duvido que penso. Há muitos anos houve um filósofo que disse “Penso, logo existo!”. Mas eu lembro-me do conselho de uma sábia senhora que num qualquer programa de TV aconselhava um (uma?) jovem a arriscar e fazer o que tinha na vontade sem pensar muito porque se pensasse, não fazia. E acrescentava a sábia senhora que de nada se arrependia do que tinha feito na vida mas tinha imenso desgosto pelo que não tinha feito. Desde aí que eu adoptei parafrasear Descartes: Penso, logo hesito! Como também tenho errado muitas vezes, situo-me nos antípodas de Cavaco, o que me faz logo sentir melhor e adormecer depressa e sem ajudas, desejando apenas, tal como há mais de meio século na Guiné, acordar de manhã a mexer vinte dedos.
Descarte ainda não conhecia o cérebro humano. E daí o seu grande erro, Se conhecesse o cérebro humano, como agora o conhecemos, diria ‘ Penso, porque existo’. Obrigado pela lembrança de há meio século na Guiné, mas o desejo era bem mais simples, chegava acordar.
Tem de explicar melhor quem é que lhe ofereceu, e complete a confidência com a razão da oferta.
Esse nem no México escapou a ser assassinado e foi dos poucos inimigos de Stalin não reabilitado postumamente por Khruschev. Mas talvez o animalzinho ternurento (rena do Pai Natal? … que não o Rudolfo pois não tem o nariz vermelho) aos pés da estátua tenha sido uma homenagem de uma criança inocente.
Não é fácil arranjar uma verdadeira estátua deste senhor, a maioria das esculturas da dócil figura são mais pequenas e maneirinhas, daquelas prontas a ornamentar as casas da esquerda caviar.
Sim, no México a golpe de picareta e depois da expurga familiar. Isto é tudo gente que se tratava com meiguice. E por falar na América Central e do Sul, é zona do mundo pródiga em ditadores capazes de figurar nesta rubrica do DO.
Agradeço a sugestão, Isabel, mas não vou segui-la. Qualquer vítima de Estaline (sobretudo alguém que ficou com o crânio desfeito com uma picareta assassina) merece a minha simpatia.
Simplificando ao máximo: quem depois de decidir pela formação compulsiva de um exército, manda fuzilar desertores não terá a minha compreensão (e não vale o argumento de que era a prática corrente à época). Estou longe da visão romantizada de Trotsky da nossa elite intelectual. Mas não percebo nada disto e estou certa que há batalhões de simpatizantes prontos a provar-me por A + B que estou errada. Como dizia o Herman: ‘eu é mais bolos’.
«o que pensariam os sobreviventes metralhados de Kronstadt»? Provavelmente que tiveram azar… que, eventualmente, esperavam não ser metralhados mas sim aré metralhar os que os metralharam.
O que eu adoro nestas pseudo discussões é que, como quem não quer a coisa, há sempre alguém que acha os bolcheviques uns criminosos e depois até se põem a dar exemplos de crimes cometidos por eles contra, por exemplo neste caso, os esquerdistas barricados no Kronstadt…
Ó “Anónimo” das 23:43, os “metralhados de Kronstadt” eram contra o governo bolchevique porque o achavam “burguês” demais: o que eles queriam era que mais sangue rolasse pelas ruas…
Cara Isabel Paulos, não fosse até porque o “post” que deu origem a toda esta miserável troca de impressões que se vê por aqui, de facto, surgiu a partir desse pressuposto que V. parece agora querer esconjurar («não vale o argumento de que era a prática corrente à época») mas apenas aplicado ao “romântico” de alguns anónimos, o Trotsky (e admito que até esteja errado no meu julgamento de que V., sem eu me aperceber, sempre defendeu o mesmo princípio… mesmo até para o padreco dito «imperador da nossa língua»!), e eu até deixaria passar em branco a sua afirmação de que V. está «longe da visão romantizada de Trotsky da nossa elite intelectual»… assim e claro, sem qualquer exigência de um compromisso da sua parte, é capaz de me elucidar a quem se refere dessa tal “nossa” (no caso, sua!) «elite intelectual»? Que parte da nossa “elite intelectual” tem uma «visão romantizada de Trotsky»?
Não será uma “visão romantizada” mas uma tentativa de branqueamento. Francisco Louçã, visto por José Milhazes https://observador.pt/opiniao/a-revolucao-russa-teria-um-fim-diferente-se-trotski-vencesse-estaline/
Mas o que se passou por lá foi uma guerra civil. Dê uma volta pelas guerras civis, comece pela dos EUA pra não ir mais longe, e dia qual foi aquela que ‘sim senhor aquilo é que foi uma coisa como deve ser’.
Não tenho ilusões do que é a guerra; a questão não e essa. O que me parece pernicioso, apesar de muito comum, é dividir o mundo entre déspotas bons, maus e assim-assim. A menos que seja por ironia, claro; aí cada um é livre de ter o seu tirano predilecto.
Esta série promete. Contudo gostava de saber quais os critérios para o derruir das estátuas.
Boa pergunta, Vorph
Defensores do racismo e do totalitarismo…
Pronto, mais uma estátua minha a ir abaixo por dizer “carago não, carago”.
Então, no final, vai sobrar muito espaço. Só uma pergunta : racismo e totalitarismo seguindo a definição de quem?
Minha.
Confio no seu juízo, Pedro. Mas há casos em que é difícil…
Vamos acompanhando, estou curiosa

Não defendo o derrube de estátuas, Cristina. Aliás, sou contra. Como já escrevi aqui.
Devemos assumir a história, com as suas luzes e sombras. Como é próprio da natureza humana. Só assim colhemos lições do passado. Se ocultarmos o passado e fizermos de conta que nunca existiu, não colhemos lição alguma.
Nada mais ridículo do que olharmos para a história como se fosse um filme da Walt Disney, cheio de criaturas fofinhas e sempre com um final feliz.
Esta série limita-se a dar ideias àqueles fanáticos “reconstrutores da História” que se dedicam a derrubar ou conspurcar estátuas de gente tão diversa como Colombo, Padre António Vieira, Churchill e Gandhi.
Como noutros tempos outros fanáticos conspurcavam (por exemplo) a estátua do Eça em Lisboa, só porque estava acompanhado de uma moçoila nua.
Se são anti-estátuas, ao menos comecem por ser contra as estátuas de tiranos sanguinários, com pulsão totalitária e genocida.
Admira-me esta estátua na Finlândia. Em sítios recônditos da ex-União Soviética, como a que publicou do Estaline, não me admira tanto. Mas, na Finlândia, não percebo mesmo.
Há meses, li no PT-Post (jornal português na Alemanha) que um jovem procurava, na antiga RDA, estátuas destas personagens. Interessava-lhe saber se tinham sido todas destruídas. E não foram, ele encontra algumas, em arrecadações e armazéns antigos.
A “minha” que isto da liberdade vale até a “minha” pessoa não ser desafiada :-)))
Desculpa, mas desde que soube que a Lena D’Água foi considerada a melhor artista feminina nos “Play” ainda não recuperei do quase AVC que tive.
Passa pelo Alterne. Gostava de saber a tua opinião sobre a “Imigração”. Abraço
Quando, na idade da inocência, militava no PS, ofereceram-me (verdadinha!!) um busto bibelot do Lenin parecido com este, que na altura me deixou 9rgulhosa e comovida. Creio que ainda o tenho num caixote da arrecadação. Para o lixo não foi. Já não funcionava com a decoração minimalista.
Tenho muitas dificuldades com a idade da inocência…
Durão Barroso era do MRPP e escreveu (de memória) que era inevitável o dr. Arnaldo de Matos conquistar o poder e impor a ditadura do proletariado. Dirigiu o PSD e hoje está na nata da alta finança internacional.
Também se dizia que para ser um bom socialista era preciso ter sido comunista na juventude (Soares, Sampaio, etc., etc.).
E quem começa pelo PS, até onde chega?
Olhe Francisco de Almeida, chega a ” isto” , uma espécie de encruzilhada numa terra de ninguém, queimada até ao âmago, com a dúvida primordia a desbravar caminho por entre o restolho carbonizado. Como duvidar é pensar, posso então ter a certeza que penso?
Estou, digo, sou demasiado velho para angústias existenciais; e estava à espera de uma resposta mais prosaica, tipo chega ao Chega; ou então o inverso, uma afirmação ofendida pela sugestão (que estava veladamente na pergunta).
Eu não duvido que penso.
Há muitos anos houve um filósofo que disse “Penso, logo existo!”. Mas eu lembro-me do conselho de uma sábia senhora que num qualquer programa de TV aconselhava um (uma?) jovem a arriscar e fazer o que tinha na vontade sem pensar muito porque se pensasse, não fazia. E acrescentava a sábia senhora que de nada se arrependia do que tinha feito na vida mas tinha imenso desgosto pelo que não tinha feito. Desde aí que eu adoptei parafrasear Descartes: Penso, logo hesito!
Como também tenho errado muitas vezes, situo-me nos antípodas de Cavaco, o que me faz logo sentir melhor e adormecer depressa e sem ajudas, desejando apenas, tal como há mais de meio século na Guiné, acordar de manhã a mexer vinte dedos.
Descarte ainda não conhecia o cérebro humano. E daí o seu grande erro,
Se conhecesse o cérebro humano, como agora o conhecemos, diria ‘ Penso, porque existo’.
Obrigado pela lembrança de há meio século na Guiné, mas o desejo era bem mais simples, chegava acordar.
Tem de explicar melhor quem é que lhe ofereceu, e complete a confidência com a razão da oferta.
Então… foi o Partido através do “meu núcleo” , porque eu distingui-me como militante, ora essa.
Pois é…
Só falta este para o triunvirato: ess.com/2014/04/trotsky-e1397497062182.j pg
https://littleearlblog.files.wordpr
Esse nem no México escapou a ser assassinado e foi dos poucos inimigos de Stalin não reabilitado postumamente por Khruschev.
Mas talvez o animalzinho ternurento (rena do Pai Natal? … que não o Rudolfo pois não tem o nariz vermelho) aos pés da estátua tenha sido uma homenagem de uma criança inocente.
Não é fácil arranjar uma verdadeira estátua deste senhor, a maioria das esculturas da dócil figura são mais pequenas e maneirinhas, daquelas prontas a ornamentar as casas da esquerda caviar.
Sim, no México a golpe de picareta e depois da expurga familiar. Isto é tudo gente que se tratava com meiguice. E por falar na América Central e do Sul, é zona do mundo pródiga em ditadores capazes de figurar nesta rubrica do DO.
Agradeço a sugestão, Isabel, mas não vou segui-la. Qualquer vítima de Estaline (sobretudo alguém que ficou com o crânio desfeito com uma picareta assassina) merece a minha simpatia.
Parece que foi com um picador de gelo.
Porquê, Isabel? Que mal fez Trotsky? Lenine queria-o no lugar do georgiano.
Simplificando ao máximo: quem depois de decidir pela formação compulsiva de um exército, manda fuzilar desertores não terá a minha compreensão (e não vale o argumento de que era a prática corrente à época). Estou longe da visão romantizada de Trotsky da nossa elite intelectual. Mas não percebo nada disto e estou certa que há batalhões de simpatizantes prontos a provar-me
por A + B que estou errada. Como dizia o Herman: ‘eu é mais bolos’.
A picareta não se deseja a ninguém mas não sei o que pensariam os sobreviventes metralhados de Kronstadt .
«o que pensariam os sobreviventes metralhados de Kronstadt»? Provavelmente que tiveram azar… que, eventualmente, esperavam não ser metralhados mas sim aré metralhar os que os metralharam.
O que eu adoro nestas pseudo discussões é que, como quem não quer a coisa, há sempre alguém que acha os bolcheviques uns criminosos e depois até se põem a dar exemplos de crimes cometidos por eles contra, por exemplo neste caso, os esquerdistas barricados no Kronstadt…
Ó “Anónimo” das 23:43, os “metralhados de Kronstadt” eram contra o governo bolchevique porque o achavam “burguês” demais: o que eles queriam era que mais sangue rolasse pelas ruas…
Cara Isabel Paulos, não fosse até porque o “post” que deu origem a toda esta miserável troca de impressões que se vê por aqui, de facto, surgiu a partir desse pressuposto que V. parece agora querer esconjurar («não vale o argumento de que era a prática corrente à época») mas apenas aplicado ao “romântico” de alguns anónimos, o Trotsky (e admito que até esteja errado no meu julgamento de que V., sem eu me aperceber, sempre defendeu o mesmo princípio… mesmo até para o padreco dito «imperador da nossa língua»!), e eu até deixaria passar em branco a sua afirmação de que V. está «longe da visão romantizada de Trotsky da nossa elite intelectual»… assim e claro, sem qualquer exigência de um compromisso da sua parte, é capaz de me elucidar a quem se refere dessa tal “nossa” (no caso, sua!) «elite intelectual»? Que parte da nossa “elite intelectual” tem uma «visão romantizada de Trotsky»?
Não será uma “visão romantizada” mas uma tentativa de branqueamento. Francisco Louçã, visto por José Milhazes o-russa-teria-um-fim-diferente-se-trotsk i-vencesse-estaline/
https://observador.pt/opiniao/a-revoluca
Mas o que se passou por lá foi uma guerra civil.
Dê uma volta pelas guerras civis, comece pela dos EUA pra não ir mais longe, e dia qual foi aquela que ‘sim senhor aquilo é que foi uma coisa como deve ser’.
Não tenho ilusões do que é a guerra; a questão não e essa. O que me parece pernicioso, apesar de muito comum, é dividir o mundo entre déspotas bons, maus e assim-assim. A menos que seja por ironia, claro; aí cada um é livre de ter o seu tirano predilecto.