O relógio mostra e garante o massacre do tempo, a impossibilidade de gerir melhor a vidinha, os horários, as obrigações, por isso, perto das dez da manhã, o homem pensou que já tinha subido o Everest. A saber: acordou os filhos, deu-lhes pequeno-almoço, levou-os à escola, foi ao dentista e rumou ao emprego com a cara ainda dormente. Em surdina, só para si, olhando para o relógio castigador, lamentou a estupidez de não conseguir paralisar os segundos. Ele? Estava anestesiado, só não conseguia parar de pensar que estava atrasado. Estúpido, concluía.
estás tão atrasado, estúpido
Patrícia Reis,

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