Estas coisas têm de ficar escritas


Sérgio de Almeida Correia,

Para se respeitar alguém não é necessário partilhar as mesmas ideias.

Quando alguém com o percurso político, profissional e partidário de Henrique Neto se apresenta como candidato presidencial está no seu legítimo direito. As candidaturas presidenciais são candidaturas individuais e independentes dos partidos e estes têm sido os primeiros a aguardar, com ou sem manobras de bastidores, que os candidatos avancem para depois se posicionarem. Por que razão teria ele de receber a bênção do PS? Por que razão estaria impedido de apresentar a sua candidatura? Gente com a frontalidade e a seriedade de Henrique Neto escasseia em Portugal, mais ainda na política, e o facto da candidatura ser politicamente inoportuna para a direcção do seu partido não autoriza ninguém a tratá-lo com a insolência com que alguns merdosos que sempre viveram à sombra do partido e dos compadrios políticos e empresariais criados à sua sombra a ele se referiram.

Não conheço Henrique Neto de lado nenhum. E não faço à partida tenção de apoiá-lo porque aos setenta e oito anos já não se devia eleger ninguém para cargos tão exigentes como uma Presidência da República (não é o exemplo do actual titular ter transformado o cargo numa espécie de secretariado de uma junta de freguesia mais pomposa que lhe retira dignidade). Mas tenho pena que não apareça por aí um outro Henrique Neto, republicano, com menos quinze anos, socialista e de uma seriedade à prova de bala, e podem ter a certeza que eu votaria nele. Com ou sem a bênção do partido. 

0 comentários em “Estas coisas têm de ficar escritas”

  1. Pois eu nunca votei no PS, e se as alternativas forem as que têm sido referidas vou votar no Henrique Neto: sem hesitações!

  2. Concordo em grande parte, Sérgio. Excepto na questão da idade.
    Os mandatos são de cinco anos: quem começa aos 78 termina aos 83. E a expectativa de vida, felizmente, é cada vez maior em Portugal.
    Comparado com Adriano Moreira, que tem 92 anos e continua a revelar-se em excelente forma, Henrique Neto é quase dos “juvenis”.

    E não te esqueças que os dois melhores (e mais populares) presidentes italianos eram bem mais velhos: Sandro Pertini, que foi chefe do Estado dos 81 aos 88 anos (entre 1978 e 1985), e o recém-saído Giorgio Napolitano, presidente dos 80 aos 89 anos (entre 2006 e 2015).
    http://it.wikipedia.org/wiki/Sandro_Pertini
    http://it.wikipedia.org/wiki/Giorgio_Napolitano

    Nem falo do Papa Francisco, que tem precisamente 78 anos…

    1. Aí tens razão, Pedro, e o exemplo de Napolitano, por quem tenho grande admiração, prova-o. Se não fosse ele nunca teria entrado no Quirinale.
      Mas se pudéssemos evitá-lo e encontrar gente mais nova, penso que todos tinham a ganhar, sem prejuízo de aos mais “experientes” serem reservados outros papéis.
      Em todo o caso, à falta de melhores alternativas a idade será sempre um factor a desvalorizar. A seu tempo se verá.

  3. Achei piada ao eixo do mal de ontem. Numa primeira abordagem consideraram que que era necessário um candidato com mais rodagem política, e então lembrei-me de Sócrates. Num segundo momento a propósito da longa, e no entender deles asfixiante carreira politica de Cavaco Silva mudaram de agulha defendendo o não prolongamento de carreiras politicas, como o salto, com intervalos retemperadores de membros do governo para a presidência. Aquilo mais parece uma chiadeira das antigas que os condutores de carros de bois resolviam aplicando umas untadelas nos eixos com sabão macaco.

  4. Não são os 78 anos que lhe vão tirar capacidades pois o Manuel de Oliveira é a prova disso. Tem-se revelado uma pessoa íntegra e bem lúcida o que não interessa a muitos. Os comentários feitos a seu respeito são de todo vergonhosos, principalmente os de José Lelo, Augusto Santos Silva e António Costa.

  5. Concordo inteiramente com o dito…
    Menos a condição que alude de ser “socialista!
    Presumo que se for um independente com as qualidades que protagoniza, não leva o seu voto…Será?

    Saudações

    1. Neste momento crítico da nossa democracia a qualidade mais importante será a seriedade. E isso só se consegue com gente transparente. Se for da mesma área política melhor, mas as pessoas estão cansadas de ser enganadas e cada vez mais desconfiadas.

  6. Por este andar,Barreto não me parece que se candidate,estou a ver que é mesmo
    neste Neto dos 78 em quem vou votar.Contra as leladas que só servem mesmo
    para isso—lelar e mais nada se lhes esprema.Mas não só,acima de tudo pela independência que tem tido desde o pantanal do amigo dos lelos.E por não fugir às questões com evasivas ou com milagres com o dinheiro dos contribuintes.

  7. Concordo em absoluto com o post. E, como alguém lá mais acima, também raramente votei no PS e respectivos candidatos, mas se as alternativas forem Marcelos, Santanas, Vitorinos e Marinhos (e mesmo o nubloso Guterres e o tíbio Rio), votarei, de caras e sem hesitação, em Henrique Neto. E estranho o argumento das idades quando, feitaa a média aos últimos dois candidatos oficiais do PS (na data das eleições, claro), Alegre e Soares, dá a idade de Neto.

  8. O país político e jornalístico está a tratar Henrique Neto como uma ‘novelty’, um elemento de pitoresco, com uma condescendência a que não é alheio algum snobismo em relação a quem vem de fora, da “província”, do sistema manhoso. Resultados:

    1) HN não está a ser levado a sério, o que é mau, pois poderá ter um contributo a dar à democracia;

    2) O PS de António Costa está a revelar-se nas suas verdadeiras cores, o que é bom: quanto mais cedo os lobos perderem a pele de ovelha, melhor para os eleitores.

  9. Para já – e para mim – é de longe o melhor candidato. Se calhar não terá o melhor perfil “político” para a coisa, mas traz algo que faz muita falta: seriedade e independência a toda a prova, um percurso de vida e profissional exemplar (no sentido de poder ser exemplo para outros) e a perspectiva de que quer o melhor para o País como um todo em vez de apenas para alguns.

    Eu, que voto à direita e nunca votei (nem me parece que votarei) PS na vida terei todo o gosto em depositar este, se tal se vier a verificar. Ao contrário do que diz o Sérgio, o Henrique Neto não é um candidato “socialista”, é um candidato que pode ser transversal a toda a sociedade.

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