Eduardo Maximino faz aqui um bom diagnóstico do covidismo, começando por contar a história de um velho que foi incomodado pela polícia por estar sentado num banco de jardim a comer uma sanduíche.
O mesmo Eduardo chama hoje a atenção para esta reportagem do Correio da Manhã, com vídeo: um velho é detido por estar a beber na rua e resistir à ordem da polícia para ir para casa.
Nada de novo: aquando da primeira vaga circulou um vídeo em que uma velha sozinha numa rua de Guimarães destratava uns polícias que, sem vestígios de respeito, a intimavam para se fechar em casa. E são dezenas as notícias das pessoas que são incomodadas nos jardins, nas praias e nos calçadões, inúmeras acabando detidas por não evidenciarem os adequados sinais de veneração pela autoridade que muitos agentes estimam a farda lhes dever garantir.
A comunicação social noticia com satisfação, periodicamente, o número de detenções, mas não temos quase nunca direito a saber quem são as vítimas, o que fizeram, e quais as decisões dos tribunais, salvo no caso de prepotências mais escandalosas, como nos Açores, cujos autores ficaram, como sempre ficam, impunes.
Não há mistério nisto: os jornalistas, hoje, têm ainda mais falta de discernimento do que de gramática; e a denúncia, o protesto, não excedem os limites da luta partidária. Ora, esta quase não existe no âmbito da Covid: os partidos que se opõem ao delírio das medidas nem são veementes, nem convincentes, nem consistentes – têm medo da opinião do eleitorado. E este é condicionado pela exposição permanente a números descontextualizados, silenciamento das vozes desalinhadas, dramatização dos internamentos e mortes e promoção de “cientistas” cuja notoriedade depende exclusivamente de cavalgarem o susto epidémico, que querem prolongar para não regressarem à obscuridade de onde nunca deveriam ter saído.
A Covid é, entre outras coisas, uma pescada de rabo na boca: a comunicação social, falida pela maior parte, não hostiliza o Poder do qual depende para apoios e, exangue nos meios, publica notícias que vendem e são, invariavelmente, de copy/paste; o Poder não quer desagradar a uma população que está, ainda, aterrorizada, e, no caso português, conta com as costas largas do combate à Covid para explicar todos os desastres, os que ele mesmo provocou e os que já vinham de trás; os partidos não arriscam quebrar o consenso; e parte da população, a saber os que perderam o modo de vida em nome da quebra das cadeias de contacto, e que estão no mato sem cachorro, são a minoria que já percebeu que há algo de podre nesta história. A isto se soma a infelicidade, que seria desnecessária, de o mais alto magistrado da nação calhar ser um hipocondríaco da linha de Cascais, sem a mais remota noção da vida que têm os que estão na base da pirâmide social.
Quando vi o vídeo, acima referido, do velho algemado enquanto o filho gritava, comentei: A continuarmos a tolerar abusos é apenas uma questão de tempo até os polícias começarem a usar tasers, a americanização dos costumes é no que dá. Mas mesmo assim encontro-lhes desculpa: quando as leis torpedeiam elas próprias direitos constitucionalmente protegidos, as chefias se atribuem a missão de “educar” o cidadão, os autarcas se comportam como tiranetes, o “mais alto magistrado da Nação” é o mais alto hipocondríaco, e não faltam eleitores a subscrever mais poderes para as polícias e maiores rigores penais, não é razoável esperar que os agentes reprimam a sua pulsão para o autoritarismo.
Ingenuidade minha: logo Telmo Azevedo Fernandes, outro cidadão antissocial, veio informar que no site onde se listam contratos públicos figuram compras de tasers, como segue:
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Objeto do contrato |
Adjudicante |
Adjudicatário |
Preço contratual |
Publicação |
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Aquisição de acessórios e cargas para Dispositivos de Imobilização TASER e Coletes anti faca, para a Polícia Municipal de Lisboa |
Município de Lisboa |
Antero Lopes Lda |
48.553,55 € |
20/10/2020 |
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Aquisição de consumíveis para arma menos letal (Taser X2) |
Polícia de Segurança Pública |
ANTERO LOPES LDA |
9.400,00 € |
23/06/2020 |
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Aquisição de dispositivos eletrónicos de imobilização – Tasers. |
Município do Porto |
ANTERO LOPES LDA |
19.932,60 € |
27/01/2020 |
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Proc. 39/DPIE/2019 – Aq. Taser X2 para a GNR |
Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna |
Antero Lopes, Lda |
52.500,00 € |
29/10/2019 |
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Aquisição de 30 (trinta) Dispositivos de Imobilização TASER, com respetivas cargas e acessórios para a Polícia Municipal de Lisboa |
Município de Lisboa |
Antero Lopes, Lda |
62.592,60 € |
23/09/2019 |
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Há mais compras, e mais antigas, de modo que estou desactualizado, além de abananado. E é claro que a compra deste tipo de equipamentos para guardas pretorianas, como são as polícias municipais, virá a prazo a dar lugar a situações que seriam cómicas se não envolvessem a segura violação de direitos fundamentais: amanhã uma discussão sobre estacionamento, ou sobre uma chapada de cimento que um munícipe atirou a um muro, pode dar lugar à imobilização por disparo de taser. Vivam os Rambos e os filmes americanos.
Eduardo acabava o seu texto assim: “… hoje somos condicionados a ver a liberdade como sendo egoísmo”.
Uma boa definição de um Estado de Direito ferido – um dano colateral da Covid, como os doentes que deixaram de ser assistidos por o SNS ter sido mobilizado quase em exclusivo para sossegar as pessoas.

O que me entristece não é o idoso apanhar multa por não ter máscara, o que me entristece também não é o outro idoso ser detido de forma humilhante, o que me entristece mesmo é as pessoas não se aperceberem que estão a ser estupidamente manipuladas por quem detém o poder a nível nacional. E quem detém o poder a nível nacional ser estupidamente manipulado por quem detém o poder a nível internacional.
Custa-me a aceitar que as pessoas não desconfiem deste embuste quando um dirigente europeu afirma que a Europa vai atingir a imunidade de grupo no dia 14 de Julho de 2021. Porque não no dia 13 ou no dia 15? Será que uma doença do aparelho respiratório agora já não é agravada pelo estado do tempo? Será que o Covid é indiferente ao frio e ao calor? Será que o clima do norte da Europa agora é igual ao do sul da Europa?
Isto não tem nada a ver com saúde, nem com o bem-estar dos portugueses. É criminoso o que estão a fazer com as crianças, e é criminoso o que estão a fazer ao país.
um dirigente europeu afirma que a Europa vai atingir a imunidade de grupo no dia 14 de Julho de 2021. Porque não no dia 13 ou no dia 15?
O dirigente europeu que disse isso é francês e estava a ser entrevistado por um órgão da comunicação social francesa. E o dia 14 de julho é o dia nacional da França (“dia da tomada da Bastilha”). Tão simples como isso.
Biden já disse o mesmo em relação ao 4 de julho (dia nacional dos EUA).
Se cada dirigente disser por sua auto recriação, uma data para a imunidade de grupo, se calhar é melhor obrigar já a malta a tomar Fortimel para atingirmos a imunidade de grupo no dia 25 de Abril, não?
Recentemente apareceram milhares de especialistas em virulogia e epidemiologia. Entre eles o senhor Carlos Sousa.
Infelizmente também apareceram milhares de pessoas anónimas e sem opinião própria, mas que precisam dos comentários dos outros para esconder a sua ignorância.
Não me surpreendem essas previsões ao detalhe. Desde o início desta novela sempre me pareceu que estávamos na presença de um vírus particularmente bem informado e consciencioso. Se lá nos primórdios da coisa o vírus andaria apenas com fita métrica e relógio, penso que agora, para fazer face ao cumprimento de tantas directivas, as famosas novas variantes andarão equipadas com smartphone com GPS.
Deve ser por vir equipada com smartphone com GPS, que a variante portuguesa ainda não apareceu.
Já ouvi dizer é que se a variante portuguesa aparecer é melhor esconder o álcool gel, não vá o diabo tecê-las e apanharmos um surto.
Excelente post. Concordo com tudo.
O que mais me repugna é, nem sequer terem a coragem de chamar a coisa pelo seu nome: “É o Regime Abrilista”.
Não conseguem.
Dobra-se-lhes a língua, engasgam-se, entram em pânico.
Censuram, perseguem, ofendem, acusam. Desculpam-se com o Passado. Como se o passado desculpá-se o presente.
Em suma, acobardam-se.
Enquanto não tiverem a coragem de denunciar a causa, de dizê-la pela boca para fora, nunca melhoraremos.
Não há luta mais importante pela Democracia e pela Liberdade hoje, em Portugal, do que pôr fim e denunciar este pútrido “Regime Abrilista”.
Este sim, é que é o verdadeiro Delito de Opinião.
Olhe, a sua ultima frase é a cereja no topo do bolo. O meu marido teve atendimento recusado pelo nosso centro de saúde, com um teste de covid negativo feito 24h antes. Que não podiam…Teve ele de ir para um atendimento central, para o medicarem para uma infecção bacteriana e lhe passarem baixa. A médica de família recusa-se a marcar consulta a pedido para o meu filho de 8 anos que sofre de vários problemas de desenvolvimento. Que não, já o viu no inicio de 2020…