
Fecho os olhos e viajo até ao século passado, quando eu era um pedaço de mim, uma forma esguia que os anos foram moldando e continuam a moldar até alcançar o produto final, provavelmente deteriorado e longe da perfeição, mas o eu completo que me foi permitido encarnar.
Tinha dezasseis anos feitos de fresco há dois dias. Estava em Piccadilly Circus e lá estava ele.
Tocava e cantava o Yellow Submarine e creio que poucos havia que não acompanhassem aquela energia em lalala, humhumhum ou com letra e música até.
Era bizarro e estrondoso. Tocava uma panóplia de instrumentos ao mesmo tempo, mais ruído do que música, à qual somente o vocalizo conferia o reconhecimento necessário.
É uma recordação grata.
Na ultima semana nem sei porquê, tem morado na minha cabeça, apenas o ruidoso, o estrondoso, o barulhento. Não para de ribombar a sua desconjuntada filarmónica, acrescentando passos e batida stomp, que volteia , sapateia e faz guinchar um sonoro turbulento nas minhas trompas auriculares.
Latejo. É o bombo traseiro incessante na sua crepitosa batida …
o trompete protesta, ratatatata, ratatatata tarara, e quanto aos timbales , só têm dois sons : sol dó, dó sol, boom boom boom boom boom” …( dezasseis anos, quinze, talvez).
Será este o som das festas de Covid no número dez? Ou do matracar dos martelos pneumáticos nas novíssimas obras em casa?
O músico, multifacetado como é, está seguramente a tocar picareta. É preciso partir pedra para alargar o canal! Mas é uma metáfora? Hoje em dia, tudo é uma metáfora.
Com novo bater do bombo vem a debandada. É para continuar? Ele bem gostaria, mas o relaxamento inconsequente é assim mesmo.
Fecho os olhos cansados desta dor de cabeça residente nestes sonhos despenteados e penso no Boris. Se for Karloff, pelo menos é verde. Não, este não é verde, nem lhe percebo bem a cor. Não é da cor do inferno, bem pelo contrário, afigura-se-me um anjinho! Pode lá ser!

Se o Boris se penteasse não aparecia em sonhos.
Já sonhei com a Maria Antonieta, que curiosamente também ” perdeu a cabeça”.
Se gosta tanto de cabeças posso dispensar-lhe uma,como é militante do socialismo recomendo a de côr correspondente,a outra dificilmente aguentaria qualquer tipo de contacto consigo mas pode sempre tentar…
Basilio Xuxalhão
Sr. Basílio Parvalhão, obrigada pelo comentário e pelos impropérios. Não é de todo compreensível, mas com pessoas como o senhor a comentar, a malta vai-se habituando.
O Sr. Basílio Parvalhão anda muito inspirado…
nem parece parvalhão. 
Por vezes se parece é porque é, kika, talvez só lhe falte as penas.
Um Basílio Xuxalhão, anónimo?
Será Horta?
Se não for o Horta, poderá ser o Primo! Anónimo com o rabo de fora, Eça é que é Eça, António.
Mas que comentário mais ordinário para com uma Senhora!!
Típico de um macho porco, ressabiado e castrado de intelecto.
Odeio Homens!!!
Ana Sousa
Isso, ponha-os em sentido !
Então, respeitinho é muito bonito!
Exactamente
