«Essa»


Pedro Correia,

 

«Essa».

Foi nestes elegantíssimos termos que Rui Rio se referiu ontem à ex-ministra da Justiça e ex-dirigente social-democrata Paula Teixeira da Cruz, respondendo a uma pergunta de Miguel Sousa Tavares no Jornal das 8 da TVI.

Para não haver dúvidas, transcrevo a frase na íntegra: «Acho que essa até disse “tirano”, salvo erro, ahahah…»

Há pormenores que definem uma pessoa. Às vezes basta uma palavra. Um simples pronome demonstrativo, como é o caso. Rio definiu-se nesta palavra com que brindou em directo, num dos principais telediários portugueses, uma senhora – sua companheira de partido.

Como se estivesse lá em casa. Ou no café.

 

21 comentários em “«Essa»”

  1. As pessoas deixaram de ter respeito por elas próprias .
    A linguagem utilizada nas nossas 📺 são do mais baixo
    nível. O que mais me choca são os diálogos nos programas
    para os mais novos , para que nenhuma minoria fique ausente
    desta salganhada, até vão desencantar a linguagem de rua dos toxicodependentes.
    O propósito dessas tendências são para mim um ” mistério “.
    A última vez que fui a Lx. fui almoçar com o filho de um dos meus primos, que
    também adoptou essa linguagem. Conversei de imediato com o pai que me explicou que eu não faço ideia do que se passa nas escolas. Tudo ou quase tudo
    é permitido. Decididamente nunca me poderia integrar num país tão moderno como o nosso.

    1. Duas entrevistas à TVI (a anterior tinha sido em Maio), ambas desperdiçadas. Um desastre comunicacional.

      Rio não acerta uma. Vê-se bem que vai para estas coisas sem a menor preparação, ao contrário do que o mais elementar bom senso recomendaria.

      Veremos se mais algum vice-presidente do PSD fica pelo caminho até às legislativas. Não me admirava nada.

  2. Pergunto; uma ex-ministra pode chamar Tirano e a correção do comentário já é um crime?
    Como se trocam os papéis!

    1. Uma deselegância enorme. Tão grande como entrar em casa de alguém, sem ser convidado, e não ter sequer a decência de se apresentar ao anfitrião.
      Por sinal, algo que você acaba de fazer.

    2. Pode! Uma ex-ministra, ministra, uma dona de casa ou uma empregada doméstica, pode chamar tirano, se entender que o é, mesmo que o não seja.
      Não pode; ou melhor! pode mas não deve é ofender pela retórica da depreciação quem quer que seja.
      Chama-se a isso boa-formação e aceitação da civilidade.

  3. Mais do que deselegância, Rui Rio que nem nisso pensou, foi o sentido de inferioridade que se manifestou enfatizando bem o “essa”, muito normal naqueles que em suas casas não mandam nada.
    Depois, vem-se para fora e são “homens.”

      1. É?! Pode-se vir para o centro, para dentro, para cima e para os lados.
        Quando muito “vem-se para fora ” podem ser duas coisas.
        Precaução não terá ela esquecido de a tomar, ou ele de o comprar.
        O que bem vistas as coisas são duas situações para definir uma.

          1. A liderança fluvial do PSD é palafita. Na falta de melhor ‘hortografia’ referencia-se admiração, talvez culto, pelo tal ‘pai da democracia’, cassando, até, a apreciação pelas donas de casa bem sucedidas.

            Depois queixam-se dos bastardos abstencionistas.

            Smoreira

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