«Não conheço nenhum escritor de nomeada que seja favorável a este acordo.»
Manuel Alegre
Acredito que os portugueses ainda se pronunciarão em referendo sobre o chamado “acordo ortográfico” de 1990, vigente desde 2011 no país oficial mas votado ao desprezo pelo país real. A esmagadora maioria dos portugueses não sabe escrever em acordês nem está interessada nisso.
Enquanto o referendo não se realiza, a opinião sobre o AO90 é emitida pelos nossos escritores – os mais qualificados utentes do idioma de Camões, Vieira, Camilo, Aquilino e Nemésio. Na sua esmagadora maioria, recusam exterminar as supostas consoantes mudas, recusando a ortografia acordística.
Interrogo-me: como é possível impor regras ortográficas que os escritores rejeitam em número tão expressivo?
São autores de várias gerações, diferentes tendências políticas e diversos estilos literários. Mas com este ponto em comum.
Aqui deixo os nomes deles, por ordem alfabética, prometendo alargar a lista à medida que alguém me for assinalando omissões – o que agradeço desde já:
Abel Barros Baptista
Abel Neves
Adília Lopes
Adolfo Luxúria Canibal
Afonso Cruz
Afonso Reis Cabral
Agustina Bessa-Luís
Alexandra Lucas Coelho
Alexandre Andrade
Alexandre Borges
Alice Brito
Almeida Faria
A. M. Pires Cabral
Ana Barradas
Ana Casaca
Ana Cássia Rebelo
Ana Cristina Silva
Ana Isabel Buescu
Ana Luísa Amaral
Ana Margarida Carvalho
Ana Marques Gastão
Ana Paula Inácio
Ana Sofia Fonseca
Ana Teresa Pereira
Ana Vidal
Ana Zanatti
André Gago
Anselmo Borges
António Araújo
António Carlos Cortez
António Barahona da Fonseca
António Barreto
António Borges Coelho
António Cabrita
António Costa Santos
António de Macedo
António Emiliano
António Feijó
António Guerreiro
António Lobo Antunes
António Louçã
António Manuel Venda
António Modesto Navarro
António Oliveira e Castro
António Pedro Ribeiro
António Salvado
António Tavares
António Victorino d’ Almeida
Armando Silva Carvalho
Arnaldo Saraiva
Artur Anselmo
Artur Portela
Artur Ribeiro
Baptista-Bastos
Beatriz Hierro Lopes
Bernardo Pires de Lima
Bruno Vieira Amaral
Carla Hilário Quevedo
Carlos Campaniço
Carlos Fiolhais
Carlos Loures
Carlos Querido
Casimiro de Brito
Célia Correia Loureiro
César Alexandre Afonso
Clara Pinto Correia
Cláudia R. Sampaio
Cristina Boavida
Cristina Carvalho
Cristina Drios
Daniel Jonas
David Machado
David Marçal
David Soares
Deana Barroqueiro
Desidério Murcho
Diogo Freitas do Amaral
Diogo Ramada Curto
Dulce Garcia
Dulce Maria Cardoso
Eduardo Cintra Torres
Eduardo Lourenço
Eduardo Paz Ferreira
Eduardo Pitta
Ernesto Rodrigues
Eugénia de Vasconcellos
Eugénio Lisboa
Fausta Cardoso Pereira
Fernando Alves
Fernando Alvim
Fernando Correia
Fernando Dacosta
Fernando Echevarria
Fernando Esteves Pinto
Fernando Paulo Baptista
Fernando Pinto do Amaral
Fernando Ribeiro
Fernando Venâncio
Filipa Leal
Filipe Nunes Vicente
Filipe Verde
Francisco Moita Flores
Francisca Prieto
Francisco Salgueiro
Frederico Duarte Carvalho
Frederico Lourenço
Frederico Pedreira
Gabriela Ruivo Trindade
Galopim de Carvalho
Gastão Cruz
Gonçalo Cadilhe
Gonçalo M. Tavares
Helder Guégués
Helder Moura Pereira
Helena Carvalhão Buescu
Helena Malheiro
Helena Sacadura Cabral
Henrique Manuel Bento Fialho
Hélia Correia
Inês Botelho
Inês Dias
Inês Fonseca Santos
Inês Lourenço
Inês Pedrosa
Irene Flunser Pimentel
Isabel A. Ferreira
Isabel da Nóbrega
Isabel Machado
Isabel Pires de Lima
Isabel Valadão
Ivone Mendes da Silva
Jaime Nogueira Pinto
Jaime Oliveira Martins
Jaime Rocha
Joana Stichini Vilela
João Barreiros
João Barrento
João Céu e Silva
João David Pinto Correia
João de Melo
João Lobo Antunes
João Luís Barreto Guimarães
João Miguel Fernandes Jorge
João Morgado
João Paulo Borges Coelho
João Paulo Sousa
João Pedro George
João Pedro Mésseder
João Pedro Marques
João Pereira Coutinho
João Rasteiro
João Reis
João Ricardo Pedro
João Távora
João Tordo
Joaquim Letria
Joaquim Magalhães de Castro
Joaquim Pessoa
Joel Neto
Jorge Araújo
Jorge Buescu
Jorge Morais Barbosa
Jorge Sousa Braga
José-Alberto Marques
José Alfredo Neto
José António Almeida
José António Barreiros
José Augusto França
José Barata Moura
José do Carmo Francisco
José Fanha
José Gil
José Jorge Letria
José Manuel Mendes
José Manuel Saraiva
José Mário Silva
José Miguel Silva
José Navarro de Andrade
José Pacheco Pereira
José Rentes de Carvalho
José Riço Direitinho
José Viale Moutinho
Júlio Machado Vaz
Laurinda Alves
Lídia Fernandes
Lídia Jorge
Lourenço Pereira Coutinho
Luís Amorim de Sousa
Luís Carmelo
Luís Filipe Borges
Luís Filipe Castro Mendes
Luís Filipe Silva
Luís Manuel Mateus
Luís Naves
Luís Osório
Luís Quintais
Luísa Costa Gomes
Luísa Ferreira Nunes
Luiz Fagundes Duarte
Manuel Alegre
Manuel Arouca
Manuel da Silva Ramos
Manuel de Freitas
Manuel Gusmão
Manuel Jorge Marmelo
Manuel Marcelino
Manuel Tomás
Manuel Villaverde Cabral
Manuela Bacelar
Marcello Duarte Mathias
Marco Neves
Margarida Acciaiuoli
Margarida de Magalhães Ramalho
Margarida Fonseca Santos
Margarida Palma
Margarida Rebelo Pinto
Maria Alzira Seixo
Maria de Fátima Bonifácio
Maria do Carmo Vieira
Maria do Rosário Pedreira
Maria Elisa Domingues
Maria Filomena Molder
Maria Filomena Mónica
Maria Helena Serôdio
Maria João Avillez
Maria João Lopo de Carvalho
Maria Manuel Viana
Maria Saraiva de Menezes
Maria Teresa Horta
Maria Velho da Costa
Maria Vitalina Leal de Matos
Mariana Inverno
Mário Cláudio
Mário de Carvalho
Mário Zambujal
Marlene Ferraz
Miguel Cardoso
Miguel Esteves Cardoso
Miguel Gullander
Miguel Real
Miguel Sousa Tavares
Miguel Tamen
Nádia Carnide Pimenta
Nuno Amado
Nuno Camarneiro
Nuno Costa Santos
Nuno Júdice
Nuno Lobo Antunes
Nuno Markl
Nuno Rogeiro
Octávio dos Santos
Orlando Leite
Patrícia Baltazar
Patrícia Reis
Paula Morão
Paula Veiga
Paulo Assim
Paulo Castilho
Paulo da Costa Domingos
Paulo Guinote
Paulo Moreiras
Paulo Tunhas
Pedro Almeida Vieira
Pedro Barroso
Pedro Braga Falcão
Pedro Chagas Freitas
Pedro Correia
Pedro Eiras
Pedro Guilherme-Moreira
Pedro Lains
Pedro Marta Santos
Pedro Medina Ribeiro
Pedro Mexia
Pedro Paixão
Pedro Rolo Duarte
Pedro Sena-Lino
Pedro Tamen
Porfírio Silva
Possidónio Cachapa
Rafael Augusto
Raquel Nobre Guerra
Raquel Ochoa
Renata Portas
Ricardo Adolfo
Ricardo António Alves
Ricardo Araújo Pereira
Ricardo Paes Mamede
Rita Ferro
Rodrigo Guedes de Carvalho
Rosa Alice Branco
Rosa Maria Martelo
Rosa Oliveira
Rui Ângelo Araújo
Rui Cardoso Martins
Rui Cóias
Rui Herbon
Rui Manuel Amaral
Rui Miguel Duarte
Rui Pires Cabral
Rui Ramos
Rui Vieira Nery
Rute Silva Correia
Ruy Ventura
Sarah Adamopoulos
Sérgio Godinho
Soledade Martinho Costa
Susana Gaião Mota
Sylvia Beirute
Tatiana Faia
Teolinda Gersão
Teresa Salema Cadete
Teresa Veiga
Tiago Cavaco
Tiago Patrício
Tiago Rebelo
Tiago Salazar
Valério Romão
Valter Hugo Mãe
Viriato Teles
Vasco Gato
Vasco Luís Curado
Vasco Pulido Valente
Vítor Aguiar e Silva
Vítor Oliveira Jorge
Yvette Centeno
Texto originalmente publicado a 7 de Maio de 2016.
A lista foi muito ampliada, mencionando agora 325 nomes

![17196719_e7v7g[1].jpg 17196719_e7v7g[1].jpg](http://5.fotos.web.sapo.io/i/B8a08ec7b/19579901_Iztdv.jpeg)
Caro Pedro:
Eu, sinceramente lhe confesso, não tenho nem esperança no referendo nem que o Acordo Heterográfico (este é que é o nome que corresponde ao efeitos que ele produziu na escrita da Língua Portuguesa, apregoando que queria unificar grafias mas desunificando-as) seja revertido por um acto de coragem e bom senso dos responsáveis políticos.
Afinal, vivemos um tempo de irracionalidade sem limites, por que carga de água a racionalidade apareceria a propósito deste assunto?
—————-
P. S. Roubei o nome Acordo Heterográfico a um artigo do Henrique Monteiro, ontem no Expresso-Diário. Ele, que é um defensor acrisolado do dito, defesa que faz da forma mais irracional e teimosa que se possa imaginar (é a favor porque é bom, ponto), haveria de o rebaptizar com o nome mais apropriado possível.
As voltas que o mundo dá.
1) Se a etimologia fosse um valor a preservar a todo o custo, não haveria sequer lugar a reformas ortográficas, como as de 1911 e 1945, em que se verificou, tanto numa como noutra, uma aproximação tendencial entre grafia e fonia (ainda deveríamos escrever “philosophia”, “addição” ou “auctor”, etc., se este critério fosse levado à risca);
2) A ortografia, ou forma correta de escrever, é um esforço para encontrar uma norma, o menos ambígua possível, de registar graficamente os sons da fala; como tal, implica convencionalidade e até um certo grau de arbitrariedade. Ora, parece-me ser desejável uma relação tão clara e inequívoca quanto possível entre a(s) letra(s) e os sons que pretendem transcrever, e penso que no caso da supressão das consoantes mudas se faz um avanço nesse sentido
3) A análise de algumas palavras que são por certas pessoas articuladas com “c” ou “p” (e por outras não: ex.: característica vs. caraterística, sectorial vs. setorial, corrupção vs. corrução) mostra que estamos perante uma mudança linguística (fonética) ainda em curso, que tem vindo a ocorrer provavelmente desde o princípio do século XX. A nova norma trazida pelo AO dá conta dessa mudança, que não é ainda completa, pelo que admite, com as desvantagens referidas, a possibilidade de uma dupla grafia (em muito poucos casos, diga-se, e com tendência a desaparecer).
4) O argumento de que a ausência de consoante “c” ou “p” para abrir a vogal precedente não colhe. Quem apresenta este argumento, cita habitualmente palavras como setor, receção, aspeto, porque poderão vir a ser confundidas, respetivamente com s´tor (abreviatura de Sr. Dr.), recessão e espeto (o substantivo, não o verbo). E não sabe que este argumento não é totalmente fiável (por exemplo, nas palavras tactear ou exactidão o c não abre a vogal).
Helena Topa, professora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa
“1) Se a etimologia fosse um valor a preservar a todo o custo, não haveria sequer lugar a reformas ortográficas, como as de 1911 e 1945, em que se verificou, tanto numa como noutra, uma aproximação tendencial entre grafia e fonia (ainda deveríamos escrever “philosophia”, “addição” ou “auctor”, etc., se este critério fosse levado à risca);”
Exactamente, era assim que devia ser. O erro começou em 1911. Aliás, em 1910 (quod erat demonstrandum)
Caro Manuel: essa designação constitui uma enorme contradição do Henrique Monteiro, feroz adversário das “consoantes mudas”. Não há consoante mais muda do que o h. Por isso deveria designar-se Acordo Eterográfico (de éter).
E o Henrique deveria passar a chamar-se Enrique. Agá para quê?
Tem toda a razão. H para quê? Não é utilizado em italiano, a mais bela das línguas latinas. Parece que não lhes faz falta. E não consta que a Itália seja propriamente um país primitivo e inculto…
Ou Enrique, em castelhano
E que tal “Enriqe” no lugar de “Enrique”?
Cada vez melhor. Perfeito.
E para quê o último E? Que falta de economia, cavalheiros.
Ora pois. Não faz falta.
Deveriam abrir um abaixo/assinado.
Já aqui fica, José Manuel.
Honestamente, dou mais valor às 250.000 assinaturas de um abaixo-assinado que a assembleia nacional (com letra minúscula) ignorou. Por oposição ao facto de não ter ignorado as pouco mais de 300 contra o piropo dos homens das obras, a maior evidência da fractura entre a política e a sociedade. Espero que “os escritores de nomeada” estejam também entre os que assinaram o maior abaixo-assinado de sempre a que o parlamento não quis ligar.
V, se reparar na lista que Pedro Correia publicitou estão lá os nomes desses grandes escritores Pedro Chagas Freitas, herdeiro da veia camoniana, e Margarida Rebelo Pinto, discípula de Jane Austen. Pergunto-me se Alexandra Solnado terá assinado também o dito manifesto?
Não sei quem é a Alexandra Solnado mas aposto que é do Benfica e tem uma colecção de mochos.
O que Jesus me ensinou. 15º ano com Jesus. Neste seu mais recente livro, Alexandra Solnado sintetiza tudo o que aprendeu com Jesus ao longo de 15 anos de conexão espiritual. Desde os 7 grandes ensinamentos em que se baseia o projeto que Jesus lhe pediu que criasse e desenvolvesse – o Projeto Terapia da Alma – até uma diversificada série de 50 lições de espiritualidade, que abrangem todas as áreas da nossa vida diária. Os 7 grandes ensinamentos destes 15 anos de conexão de Alexandra Solnado com Jesus são:
• Criança Interior
• Saudades de Mim – Essência
• Vidas Passadas
• Karma
• Limpeza Espiritual e Cura
• Eu Superior
• O Futuro Ideal
Ou seja, tudo foi contemplado e resumido para que todas as pessoas, independentemente do seu grau de compromisso, possam entender, acompanhar e evoluir. As 50 lições de espiritualidade diversificam-se por temas do quotidiano, em que tudo, mesmo tudo, é explicado pela lógica do céu. Um autêntico manual espiritual, escrito numa linguagem acessível, recheado de histórias ilustrativas
Você é agente literário da Alexandra Solnado?
Não sou decerto o seu intermediário.
Ainda bem que lê Alexandra Solnado em vez de um jesuíta horroroso que fazia juramentos escabrosos como o Padre António Vieira!
Engana-se. Adoro Padre Vieira. Sobretudo a parábola dos Achigãs e das Percas.
Não sou escritor.
Mas lecionei português durante 40 anos redondos no 2º e 3º ciclos.
De forma empenhada e refletida.
Preparei a última aula com o mesmo entusiasmo e abertura de espírito com que preparei a primeira.
Participo assiduamente em espaços especializados como, por exemplo, o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa.
Apesar disso, ou talvez por causa disso, não consigo livrar-me da convicção de que a guerra por causa do AO, como qualquer guerra, é muito mais um choque de paixões do que uma troca de argumentos inteligentes.
Por exemplo, um dos pontos mais atacados pelos detratores é a questão das novas palavras homógrafas… mas como é possível tal assanho, se palavras homógrafas sempre existiram sem a oposição de ninguém?!
A minha posição continua a ser esta: o AO, linguisticamente falando, repito, linguisticamente falando, não justifica nem tanta tinta nem tanta saliva.
Como professor, fui obrigado a adotá-lo.
Como cidadão escrevente, adotei-o, sem reservas, porque, tendo a língua sido, durante tantos anos, simultaneamente instrumento e objeto da minha função, a grafia, para mim, resulta mais fácil, porque mais económica e mais adequada à fonética.
João de Brito
Caro, João! E salivam passados já quase 20 anos?! Isso é que me espanta. O que fizeram os opositores durante estes quase 20 anos, agora que já o ensinam na escola??
Gostava de saber a sua opinião sobre os programas de português que hoje são lecionados aos miúdos do secundário..
Cumprimentos,
Caro Einstürzende Neubauten:
Só o grande desconhecimento sobre o Acordo Heterográfico o leva a só ver saliva da parte dos opositores.
E a dos apoiantes?
O que quer que se faça senão protestar contra tamanha aberração?
Foi apresentado como unificador das grafias, desunificou mais do que havia anteriormente.
Qualquer alteração desta dimensão devia ser coerente, revela uma incoerência gritante.
Que quer mais?
Manuel qualquer mudança, “revolução” implica resistências, sobretudo dos que se habituaram (como eu) ao velho mundo.
Existem nomes respeitadíssimos que embora não concordem, totalmente, com o AO o defendem.
Mas quais as mudanças sociais, etc, que foram “impostas” por unanimidade?
Caro Einstürzende Neubauten:
Lá porque todo o mundo é composto de mudança, como dizia o grande Camões, não temos de engolir toda a mudança que nos querem enfiar pelas goelas abaixo.
E, ainda por cima, ficar caladinhos e agradecidos.
Tanto mais que nos prometeram que o AO era para unificar a grafia mas revelou-se um verdadeiro AH (Acordo Heterográfico), desuniu mais do que já existia.
E é incoerente no sua aplicação: trata de maneira diferente casos semelhantes.
Estes dois aspectos tanto me bastaram para, à medida que fui conhecendo o que propunha, me ter tornado um feroz opositor deste verdadeiro Aborto Ortográfico.
Se reparar, nenhum dos grandes mentores ou defensores já o defende às claras com muita convicção: só os peões de brega ainda terçam armas por aquilo.
E os poderes políticos também, devido aos compromissos que assumiram.
Por onde anda o Malaca Casteleiro, o seu grande mentor, progenitor, parteiro e babysitter?
Muito boa tarde!
Teria muito a dizer sobre o assunto proposto por Vossa Excelência.
Talvez o faça, se e quando ele for aqui postado expressamente.
Entretanto, sempre vou adiantando que, por exemplo, o Funcionamento da Língua (Gramática) dos referidos programas foi também decretado pelo Dicionário Terminológico, que ninguém questiona, nem os professores, mas que, esse sim, é um verdadeiro atentado à nossa inteligência.
Só a título de exemplo:
“ (…)
E o assunto desembocou, em forma de lei (como se o raciocínio se decretasse!), nesta obra-prima do já famoso Dicionário Terminológico, onde é definido assim o nome predicativo do sujeito: «Função sintática desempenhada pelo constituinte que ocorre em frases com verbo(s) copulativo(s)…» Definição de verbo copulativo: «Verbo que ocorre numa frase em que existe um constituinte com a função sintática (…) de predicativo do sujeito.» A isto chama-se círculo vicioso!” (Extrato de um texto meu, publicado no Ciberdúvidas da Língua Portuguesa)
Mas há muito mais e pior!
Ao lado disto, o AO é um menino de coro.
No entanto…
João de Brito
Obrigado, João de Brito, pela resposta!
Bom fim de semana
Bom comentário.
Caro João,
Estas são as “mesmas” pessoas que diziam que o José Saramago escrevia mal, antes de José Saramago ganhar o prémio nobel.
O AO apesar de obrigatório em documentos oficiais, para os escritores não o é, portanto é um pouco estranho que seja esta classe a mais revoltada.
Que “estranho” praticamente nenhum escritor ter “adotado” o desacordo ortográfico, bem acolhido por marceneiros, canalizadores, subsecretários de Estado e técnicos oficiais de contas!
Porque será?
Curioso referir Lobo Antunes. O que pensarão os linguistas sobre a sua fraseologia?
Ou da de Saramago? Escreve mal, querem ver…
Não. É simplesmente uma xaropada bestial com estilística de casa de banho. Escreve “cheiro a merda” e fica logo tudo mais contemporâneo. Enfim… mais um retornado. Produzem muito. Gente mesmo excepcional é assim.
…professores, médicos, engenheiros, cientistas, contabilistas…
Eu continuo a achar que o Saramago escreve mal. Embora agora hesite depois de meia dúzia de gajos (que sabem mais de português do que eu) lá na Suécia tirem dito que ele era bom.
O achismo tornou-se um passatempo nacional. Praticado por tudólogos.
Está no seu direito e no meu de discordar de si.
O anónimo afinal era você?
Não, a minha resposta era a esse comentário por lapso terei carregado em responder ao seu pelos vistos. Acho que Saramago conseguiu algo que poucos conseguiram, que foi passar a língua falada para a língua escrita de uma forma exímia.
No entanto, isso não era bem visto pelos seus colegas e hoje em dia é poucas vezes recordado.
adotei-o sem reservas porque a grafia resulta mais fácil, porque mais económica e mais adequada à fonética
Exatamente. É também a minha posição!
É “… resulta mais facilitada”. Folgo muito que já não ande a ensinar os erros que andou a ensinar este tempo todo.
…
Não direi o mesmo das modificações ortográficas, que não estou disposto a adoptar, continuando a escrever como me ensinaram, embora a minha prosa apareça nêste jornal mascarada com a ortografia que repudio, com todas as silabas de acento grave às três pancadas ou com o guarda-chuva do circunflexo, e vítima do racionamento de consoantes, que agora são tabeladas. Meus amigos, sou do tempo do Amigo Banana, que, como se sabe,
escrevia Cartaxo com x
e chouriço com c cedilhado
e não estou disposto a que me aconteça o que sucedeu há um ano a um velho como eu, que teimava em escrever à moderna, e levantando o nariz do papel, disse a um colega:
– Esta história das consoantes dobradas umas vezes e singelas outras, põe-me a cabeça em água. Olhe lá, burro escreve-se com dois rr ou com um?
E o outro, com ar de lastima:
– Coitado, nem já sabe fazer a assinatura!…
ABC 16 de dezembro de 1920
Como é que ainda se fala num assunto (AO) que foi decidido há quase 20 anos, e que há um par de anos já se ensina nas escolas?
Deixem-se disso e discutam, hoje, a “mastondice” que são os programas de português adoptados nas Escolas Secundárias, inclusive na Área das Ciências. Uma autêntica aberração. Meio caminho andado para os miúdos fazerem do português uma das suas disciplinas de “ódio de estimação”, ultrapassando, aquela, já a matemática.
Tudo isto é caricato! Só vejo incompetência em ambas as partes – defensores e proponentes do AO
Foi decidido? Por quem?
Atenção. O Acordo foi feito para que os estrangeiros aprendessem mais facilmente. Os estrangeiros, é sabido, são pouco inteligentes e ficavam baralhados com os acentos e não conseguiam aprender. Mas agora só se encontra gente a falar português quando vamos para fora. “Para para descansar” é muito melhor do que “pára para descansar”. Então os ingleses e americanos quando viam o risquinho por cima do a e pára desistiam imediatamente da língua.
Tumba! Mesmo na pássara!
Quando os políticos se metem onde não devem dá nisto (asneira da grossa), como se fosse possível mudar a língua por decreto…
Pior: manter o AO é deixar um precedente perigosíssimo, pois se daqui amanhã vierem com uma novilingua à la 1984 depois não se queixem.
A língua não se muda por decreto, mas a escrita sim. Prova: isso já foi feito várias vezes e em várias línguas.
Até no chinês: em 19 e quarenta e tal simplificaram extraordinariamente muitos caracteres. Claro que também houve resistência (atentado à cultura chinesa, etc. e tal). Em Macau, Hong Kong e Singapura recusaram-se a adoptar a mudança. Na China adoptaram.
Os chineses façam o que quiserem com a língua deles. Eles também comem cão, gato e outras cenas maradas, vamos nessa?!
Não suporto esta idiotice de fazer porque os outros fazem… Que falta de auto-estima e amor pelo que é nosso.
E como se fosse possível dissociar a escrita da língua! É com cada disparate com que uma pessoa se topa…
Não se trata de fazer porque os outros fazem mas sim de mostrar que a escrita se pode mudar por decreto.
Os alemães também o fizeram não há muito tempo. Os franceses idem. O turco até mudou de alfabeto e há mais exemplos.
Isto mostra que se pode mudar mas é claro que não demonstra que nós tenhamos de mudar.
A propósito: já estive dezenas de vezes na China a acho (e longe de ser o único) a comida deles excelente incluindo coisas maradas. E é possível dissociar a escrita da língua. Possível é mas não temos que o fazer.
Por vezes raciocinar em vez de chamar nomes resulta.
Entre o poder e o dever vai uma enorme distância. Faço uma declaração de intenções: como liberal gostaria que os políticos mantivessem as suas mãozinhas longe daquilo que não lhes compete (como o AO).
Chamar nomes?? Você é anónimo, como é que lhe vou chamar nomes?? E continuo a acreditar que é uma idiotice a tentativa de justificação só porque os outros o fazem.
Acho sempre imensa graça aos anónimos que se indignam por lhes “chamarem nomes”.
Pensando bem, até tem alguma lógica.
Para acabar com a conversa: chamo-me António Santos Anónimo.
Conheço alentejanos com sobrenomes piores.
Disse a verdade, calei a boca a todos.
Com esse nome penso que ficaram abertas!
Se é alentejano devia ser Anónime e não Anónimo, pela mesma lógica (ou falta dela) que leva agora todo o careta a escrever “cante” em vez de canto.
Ena tanto Socialista nessa lista que se farta de clamar que o Estado tenha muito Poder …. Agora queixa-se do Poder que o Estado tem…
Aprenderam alguma coisa? Claro que não.
Luck, cá para nós, que ninguém nos ouve a escrita e o alfabeto são invenções socialistas. Com a letra escrita vieram os contratos comerciais (c/origem na Mesopotâmia), mas também a burocracia, que mantinha a estabilidade e a homogeneidade das cidades-estado, através das estelas – veja-se o código de Hamurabi.
Com a escrita veio também uma assimetria do poder. Entre os que sabiam e os qua não sabiam escrever/ler. Esquematicamente; Controlo da informação – uso da informação – Mentira/ocultação – subjugação – Sozialismo!
E.N. è o grau de poder para criar Estado Social que permite um colossal poder sobre a língua.
Pela sua lógica um bom Cunilíngus deriva de um forte Estado Social?
O lucklucky é especialista em Cunilingus. Eu que o diga.
Não sei qual é o critério de inclusão, mas eu também subscrevo.
O critério fundamental de inclusão é ter pelo menos dois livros publicados sem acordês, João. Já estás, a partir de agora.
O segundo, se estou correcto, com prefácio de J. Rentes de Carvalho (de quem me confesso devoto, desde a comoção que foi ler “Ernestina” – mas sem que isso signifique cego e acrítico seguidor – e de quem acabo a leitura, por estas horas, d’ “A Ira de Deus sobre a Europa”).
Sem menosprezo algum pelo autor, basta isso para que seja compra próxima.
Costa
Felicito-o, caro Pedro Correia, por dar-se ao trabalho na defesa da língua contra o aleijão do acordo burro.
Isabel Valadão não adoptou tal coisa.
Aceite os meus cumprimentos.
Obrigado. Acabei de incluir o nome de Isabel Valadão nesta lista.
Há uma iniciativa de referendo em curso, é assinar e dar a assinar: https://referendoao90.wordpress.com/docu mentos-para-recolha-de-assinaturas/
Lembra bem, Susana.
Já fiz isso (enviar docs assinados) há dois ou três anos.. E creio que não deu em nada?? Não vi evolução nenhuma deste movimento. Até já me perguntei se não se trate de um “Miguel Abrantes” desenhado só para atrapalhar. Nunca se esqueçam que a moeda política daquela gente é a endrómina e a batota (endrómina é o termo refinado para nós, batota é o termo simplificado para eles perceberem).
Cerque-se o Parlamento…ninguém gosta de ser sequestrado.
Pelas barbas da virgem: jamais ficaria ali de pé a guardar aquela corja. É mais preso quem guarda.
Mais alguns nomes: Pedro Correia (inclua-se!), Vasco Graça Moura, Maria Elisa Domingues, Manuela Bacelar, Carlos Loures, Viriato Teles, Manuel Simões, João Paulo Borges Coelho, António Pedro Ribeiro, Daniel de Sá, José Manuel Mendes, Alexandra Lucas Coelho, Luís Amorim de Sousa, Nuno Miguel Guedes, Sophia de Mello Breyner Andresen, Helder Moura Pereira, Luísa Dacosta, Rosa Alice Branco, Maria Isabel Barreno, Manuel António Pina, Galopim de Carvalho, Carlos Pinto Coelho, Laurinda Alves, José António Almeida, Fernando Ribeiro, Helena Carvalhão Buescu, Adolfo Luxúria Canibal, Vitor Silva Tavares.
Agradeço-lhe a lembrança, Susana. Aproveitarei para juntar alguns nomes mencionados a esta lista já tão vasta. Mas embora admirando imenso a obra de Sophia, Manuel António Pina, Vasco Graça Moura e outros nomes grandes da nossa literatura que com tanta clareza e tanto desassombro se opuseram ao AO90, esta é uma lista de escritores vivos. Isto não invalida que nos esqueçamos dos mortos, sobretudo daqueles cuja obra permanece bem viva.
Isso de dizer que a língua “fica mais económica” (J de Brito) e que há demasiados sinónimos (Lavoura) tirou-me o sono. Como é que podemos ir a algum lado com gente que argumenta com falácias absurdas, chavões e banalidades — que provam bem o tipo de razões por trás dos impulsos acordistas e socialistas: tem a ver com tudo menos com a Língua. Dizer que uma língua deve ser simplificada é totalmente descabido quando essa não é a sua trajectória natural, os sinónimos e a gramática são riqueza e cultura e por as patas socialistas na língua produz ainda mais erros, inconsistências e exageros (como as páginas de universidades que têm “contatos” em vez de contactos) que estão bem à vista e não podem, de modo algum, ser defendidas por critério nenhum. Pelo menos por nenhum critério honesto ou vagamente científico ou minimamente inteligente. E não me venham com os “ph” e as consoantes dobradas porque uma coisa é fazer substituições (ph por f) e retirar elementos que efectivamente são formas duplicadas nas contracções (ad-d > d) e outra completamente diferente é fazer uma razia com uma regra que não respeita étimos nem derivações nem coisa nenhuma mas apenas a forma como falam os lisboetas mais incultos e a malta da SIC.
Depois da caça à consoante, a caça ao sinónimo. Farinha do mesmo saco.
Pensava que Eduardo Pitta era socialista-acordista. Vou tirá-lo da minha lista de alvos preferenciais.
Mas socialista ainda deve ser. É melhor ficar.
Eduardo Pitta já se pronunciou várias vezes a favor do AO. Mas depois não o usa…
Adopto aqui a tese do São Tomás: interessa pouco o que diz, interessa mais o que faz.
Interessa, mais que o resultado, a intenção da acção
Pedro, podes acrescentar o nome de dois poetas (publicados) que, por serem meus amigos, posso assegurar serem contra o AO: Paulo Assim e José-Alberto Marques.
É para já, Rui. Com todo o gosto.
Quem Assim Como?
Não vale inventar nomes!!
Adolfo Luxuria Canibal??
E conseguiram que o Vasco Pulido Valente vos abrisse a porta?!
Não acredito!
Já estive uma tarde em casa dele. Mas não foi ele que me abriu a porta.
Use o Google, por vezes dá jeito. Já agora, nem Blixa Bargeld o atura…
Foi o que fiz. Só encontrei Adolfo de Macedo.
Quanto ao Blixa, só conheço o BlixaKrieg
Deus nos valha, o Malaca no Observador! 80 anos. Se fosse meu pai punha-o num lar num T2 da Amadora e queimava o L123. Para inveja do Neuesturjão Baldio já saí de Lx há uns anos. Ainda existem estes passes ou a loja do Arco do Cego está sempre fechada porque eles ainda são meio funcionários públicos? Too many questions, I know.
O V, (de varrasco?) é um autêntico papa – reformas. Já deve ter enterrado meia dúzia. Também já saí dessa Sodoma há uns anos. Vim para o Norte. Que diferença bestial
Coimbra, aposto. A origem de tudo o que está mal. Ok ok, excepto o Quim dos Leitões.
Caro Pedro,
Gostei bastante deste “apanhado” de escritores anti-acordistas.
Vou publicá-lo no meu Blogue. Mas tive a ousadia de acrescentar à lista (pois vi que a lista está em actualização) , o meu nome uma vez que tenho 8 livros publicados, e considero-me uma autora portuguesa anti-AO90.
Espero que não se importe. Se se importar diga, que eu retiro o meu nome. Obrigada.
Um abraço.
Faz muito bem, Isabel. Vou acrescentar o seu nome à lista.
Muito obrigada, caro Pedro Correia.
Prezado Pedro
Poder-se-iam acrescentar outros nomes de pequenos e micro escreventes.
Eu próprio, com dois livros de poesia publicados.
E Helder Guégués.
E Marco Neves.
E Pedro Braga Falcão.
Quiçá outros nomes de pessoas não propriamente escritores mas do mundo académico e com livros de carácter académico.
Abraço
Rui Miguel Duarte
Obrigado pelas dicas, Rui. Irei acrescentar os nomes que indica – começando pelo seu, naturalmente.