O referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia promete ser um evento dramático e perigoso. Da luta pela liderança no Partido Conservador pode resultar uma crise política interna. Por isso, vamos ouvir argumentos tontos, emotivos, parciais e demagógicos, mas o grande risco é que a campanha se transforme numa simplificação exagerada da complexa relação entre o Reino Unido e a União Europeia, levando o eleitorado britânico, geralmente lúcido, a dar um improvável tiro no pé.
O Brexit é uma perspectiva de pesadelo que introduz incertezas económicas para o Reino Unido e que teria um impacto devastador na economia europeia. Fora da UE, o Reino Unido teria menos comércio externo, uma moeda mais fraca, uma praça financeira mais irrelevante, e seria uma potência mundial de segunda classe. Os defensores da saída usam argumentos vagos e dizem que o Reino Unido pode permanecer no mercado único (ninguém será tão louco para dizer que isso não interessa), mas a ideia não passa de uma ilusão, pois Londres teria de aceitar a legislação comunitária sem participar na sua definição, situação bem pior do que a existente. A alternativa, não aceitar a legislação da UE, equivale a dizer que se está fora do mercado único.
Em caso de Brexit, a Escócia aproveitava para sair do Reino Unido e Londres teria de negociar uma rede de novos tratados comerciais com dezenas de países, dos quais beneficia por pertencer à UE. As complicações legais seriam assombrosas, por exemplo, para os dois milhões de britânicos que vivem em países da União Europeia e cujos interesses não podiam ser negociados caso a caso. Concluindo um tratado de saída, o Reino Unido poderia dispensar políticas comuns, por exemplo, na agricultura ou pescas, evitando legislação de segurança, ou social, ambiental, de energia, mas a negociação tem tudo para correr mal, pois esse eventual tratado exigiria a unanimidade dos 27 países que se mantinham na UE. O exemplo da Islândia, Noruega ou Suíça deveria fazer pensar os defensores da saída: estes países têm de aceitar legislação comunitária que não negoceiam, mas o seu estatuto só existe por serem pequenos, além de que manter a relação actual será cada vez mais difícil, devido ao tempo que demora a transposição das directivas e à irritação que isto causa em Bruxelas.


Penso que o Luís Naves exagera muito as complicações. Tal como corretamente diz, há outros países (Noruega e Suíça) que estão fora da União Europeia; esses países aceitam a legislação europeia e não necessitam de fazer tratados bilaterais nem de exigir a unanimidade dos 27 membros da União para nada. Também, os seus cidadãos que vivem na União não sofrem pelo facto de não serem cidadãos da União (a Suíça até pertence à Zona Schengen).
É claro, é tudo uma questão de boa-vontade. Se o Reino Unido sair da União de forma conflituosa, a União pode decidir fazer-lhe a vida negra. Mas não há a priori motivo nenhum para que tal tenha que suceder.
os bifes continuam a pensar em termos coloniais como os da Rainha Vitória
Sr. Luís Naves:
É curiosa a sua condescendência para com esta irresponsabilidade do «grande» líder Cameron.
Nenhuma crítica explícita, nem sequer implícita, apenas uma reflexão (lamentosa) sobre as perdas e ganhos desta irresponsabilidade a toda a prova.
É curioso como as cumplicidades ideológicas vão muito para além das fronteiras.
Com o cepticismo instigado nos britânicos desde há 40 anos e, actualmente, 6 ministros e o influente mayor de Londres, Boris Johnson, a favor do Brexit, é bem possível que a queda no abismo aconteça.
E que a seguir a Escócia faça o que tem a fazer.
Depois tudo ficará mais claro.
A chantagem permanente de se querer, permanentemente, o melhor de dois mundos é intolerável.
Fim à chantagem.
Uns chatos, estes ingleses, e de vistas curtas ainda por cima.
Já , in illo tempore, um grande, grandessíssimo europeísta lhes chamou, com verve e irónico brilhantismo, nação de lojistas.
Na mesma senda, outro europeísta, tão grande ou ainda maior que o outro ( depende da margem do Reno onde se situe o observador…) tentou literalmente tudo para os convencer…e nada .
Casmurros e pouco inteligentes, aguentaram-se sózinhos com a que lhes caía em cima – enquanto outros, de inteligência mais que rápida, ràpidamente ergueram os braços…
Sabemos como essa “pouco esclarecida” teimosia acabou ( claro, claro, que a “peripécia” japonesa foi determinante, mas a base do lado de lá do canal não o foi menos).
Resumindo : aqueles “lojistas” , paradoxalmente, antepõem a História à mercearia…
Sempre com medo dos caminhos diferentes que os outros fazem ou podem fazer.