Quando perguntamos a cada um qual o clube preferido recebemos habitualmente um (ou mais) nome(s). Essa resposta será igual qualquer que seja a altura em que se faça a pergunta. O clube escolhe-se relativamente cedo e raramente (não conheço um único caso) muda para o resto da vida.
Aquilo que é curioso é que ninguém é realmente capaz de explicar de forma objectiva porque razão é desse clube. Há as influências habituais dos pais, irmãos, amigos ou sucessos em determinadas alturas. Isso explica as origens da preferência, mas quando se pede a explicação para o porquê de essa preferência se manter, a resposta tende a ser quase igual em todos os casos: «os adeptos são os melhores do mundo», «somos um clube diferente», «este clube representa o/a/um povo/cidade/classe/região/mentalidade/etc [à escolha]» entre outras. Raramente são justificações intemporais, ou seja, que sejam verdade tanto hoje como há 20 anos ou dentro de 30.
Vejo o meu caso: sou adepto (cada vez mais passivo) do Benfica. É um clube que precisou de uma Assembleia Geral para aprovar a contratação do primeiro jogador estrangeiro mas que entretanto já teve jogos em que nem um terá jogado. O FC Porto representou, sem qualquer margem para dúvidas, o Porto e a região do norte do país, mas no plantel actual só se encontram 5 jogadores portugueses e apenas um joga com regularidade. Isto não pretende menorizar estas equipas, apenas fazer notar que as identidades são mutáveis ao longo do tempo. Os casos mais claros vêm de Inglaterra, onde os clubes eram uma forma de unificar comunidades locais e são hoje em dia essencialmente veículos de merchandising futebolístico.
Por isso preferi fazer um exercício diferente. Em vez de dizer qual a “minha” equipa (Benfica desde pequeno por influência do pai, Académica por ter estudado em Coimbra) prefiro referir equipas que me marcaram no seu período temporal. Exemplos seriam (para ir para uma altura em que não era nascido) o Ajax de 1970-73; o Real Madrid de 1956/60 ou a Wunderteam austríaca de Sindelar e Meisl dos anos 30 (não posso invocar estas equipas porque não as vi jogar a não ser, no melhor dos casos, em pequenos clips no YouTube). Vou referir umas quantas equipas que me fizeram sonhar. Equipas com as quais criei algum tipo de laço emocional por uma razão ou outra, mesmo que não compreenda como surgiu. Nalguns casos poderão ser adversárias do Benfica, mas tentarei não deixar que isso me distraia.
Deixo ainda uma sugestão: se os nossos comentadores quiserem fazer o mesmo exercício, que cada um me faça chegar um texto e tentarei publicá-lo. Este tipo de actividade em torno das memórias é normalmente mais agradável quando em grupo.
A seguir aqui.

Para mim o Milan, parecia que tinham um jogador a mais.
«o porquê de essa preferência se manter»?
Necessitamos das nossas referências de infância. É uma maneira de nos sentirmos seguros, de acreditar que o mundo faz sentido, o desejo de manter pedra sobre pedra. Se negarmos, ou pusermos em dúvida, o que aprendemos na infância (bom ou mau), o nosso mundo rui. Por isso, temos todos a sensação de que tivemos uma infância feliz, mesmo que não o tenha sido.
Por acaso, conheço um caso de mudança de clube, o do meu próprio irmão. Sendo o nosso pai sportiguista, eu ainda o sou e serei sempre. O meu irmão mudou de clube durante a tropa! Somos do Norte, morámos, desde cedo, em Vila Nova de Gaia e, quando o meu irmão teve de ir para os Açores, durante o serviço militar, disse-me que as saudades do lar tinham sido tantas, que mudou para o F. C. Porto!
Quanto a equipas que me marcaram, também o Ajax, o Schalke 04 de fins de 70 e princípios de 80, o Arsenal, o Man United. Sempre gostei de equipas inglesas. Já as espanholas não me seduzem, tenham o sucesso que tiverem.
Desafio interessante, houve várias equipas que, pontualmente, deslumbraram. As que mais me marcaram, talvez pela idade que tinha na época, foram, a Selecção Brasileira de 1982 e o Liverpool de finais de 70 e inícios de 80. O Liverpool ainda hoje é a minha segunda equipa, aquele futebol dos tempos de Ray Clemence e depois Bruce Grobelaar, Souness, Kevin Keegan, Ian Rush, Kenny Dalglish, Mc Dermott….etc, marcou-me para sempre. Ainda por cima, deu-se a coincidência de a minha Banda preferida de sempre, também ser oriunda de Merseyside.
Cumprimentos