É quase injurioso equiparar Paris à ilha do Corvo para efeitos de “direito ao subsídio de transporte”, ainda por cima em nome da “igualdade estatutária dos deputados”. Que isto venha plasmado num despacho do presidente da Assembleia da República – segunda figura da hierarquia do Estado – para justificar as deslocações semanais à Cidade-Luz da deputada que figurou em terceiro lugar na lista do Partido Socialista por Lisboa torna o caso ainda mais extraordinário.
Avisa desde logo Jaime Gama que a inédita doutrina agora estabelecida “não faz jurisuprudência”, revelando assim o incómodo que lhe causa o seu próprio despacho. Ironia do destino: coube-lhe a ele, um açoriano de gema, equiparar Paris ao Corvo – pelo menos ao nível das ajudas de custo. Falta tudo o resto – da Torre Eiffel aos croissants. Mas por algum lado se havia de começar.
ADENDA: António Filipe tenta esclarecer a questão. Sem o conseguir.


Se a senhora andasse em companhias “lacoste” seria muito menos oneroso para o estado pagar viagens de Paris do que do Corvo.
Lacoste? Acho que não. A senhora tem medo de crocodilos.
Que outro desfecho se esperava? O problema é sempre justificar os sapos depois com um mínimo de consistência, sobretudo para alguém com a craveira e o prestígio de Jaime Gama. Desta vez, só conseguiu acrescentar ridículo ao injustificável.
Gama não descobriu o caminho marítimo para a Índia. Descobriu a via aérea para Paris, ida e volta, em primeira classe. Cobrando aos contribuintes.
Ora bem. E ofereceu a descoberta, galante, à bela Inês. À nossa custa, claro.
Isto dava um filme.
Um filme negro.
Como diria André Villas-Boas,por outros motivos, uma palhaçada.
abr e boa semana
Abraço, Pedro.
Vocês são uns maledicentes e bota-abaixistas !! Primeiros, o que seria o parlamento sem uma deputada de profissão “autora” ! Segundos, as Flores são um pecadicinho mais a ocidente do que o Corvo…e terceiros podem não ter a Torre Eiffel e croissants mas vá lá arranjar cracas e “lírios” ou “abróteas” daquelas em Paris…
foguetabraze, descalcinho !!
E afinal o que vem a ser um avião com ‘cachet’, Fernando?
Pronto, assim com pinta,patine,classe,aplomb…
E há tantos…
Também me pareceu que seria isso. A sua sugestão (no outro ‘post’) é curiosa, mas sabe que há alguma coisa na blogosfera sobre velhas aeronaves, não sabe? Alguma coisita até já apareceu no DO em tempos (na série «Passado presente», creio).
Pois na blogosfera não estou a ver e velho estou eu a ficar e ainda me crescerão asas…com rebites !!
Levo quase 31 anos de Portela e ainda me deslumbro com o percorrer uma pista no silêncio de uma noite de Verão,numa altura de pausa de vôos, 3 ou 4 da manhã, o alcatrão está morno,há um cheiro a borracha,jet A-1,as cores das diferentes luzes de pista dão a tudo um ar algo irreal e espera-se o momento em que parece haver uma voz que diz it´s show time e lá recomeça o pandemónio organizado…
Não era este que eu procurava, mas dê uma vista de olhos: allery?794
http://www.centercomp.com/cgi-bin/dc3/g
Em vez do Corvo ou das Flores podia ser as Selvagens. Ficam um bocadinho mais longe, já quase junto às Canárias. Deve justificar o pagamento de viagens a quem viva em Varsóvia ou mesmo em Moscovo.
Eu não sabia. Não sabia que o problema desta (e de outras) legislatura não é a ausência de decisões sobre legislação que faça funcionar a justiça, que corrija gritantes enormidades do Código de Processo Penal, que limite a corrupção . Pensava que fosse a falta de regulamentação de leis há muito aprovadas, e por aí. Fico a saber que o que faz o poder legislativo cair em descrédito é o facto de ter sido dado como solução atribuir a uma deputada um subsídio de transporte tendo como limite o ponto mais distante do território nacional…
Desculpem o mau feitio. Ou então, deixem lá. Não desculpem…
Os blogues seriam inúteis se não aprendêssemos alguma coisa com eles. É bom que isso seja reconhecido.