Equidistâncias


Sérgio de Almeida Correia,

O Presidente da República quer manter-se rigorosamente equidistante em relação aos partidos. Tão equidistante que numa altura de crise se limita a gerir silêncios e a brincar no Facebook e na página da Presidência. Os partidos vão-se mantendo equidistantes entre si.  Da direita à esquerda querem todos manter as equidistâncias. O país mantém-se equidistante dos partidos. Os políticos equidistantes dos portugueses. A política equidistante da realidade.

 

Um dia chegará o tempo em que os portugueses estarão equidistantes de si próprios. Quando isso acontecer estaremos todos equidistantes da vida. Vegetando.

2 comentários em “Equidistâncias”

  1. Percebo o que quer dizer. Mas espero que nunca chegue o dia em que tenhamos nostalgia deste culto da equidistância. A democracia é algo de muito difícil e rendilhado e, como tal, fragilíssimo. Eu prezo estes rituais, enquanto forem substantivos.

    1. A dificuldade, cara Laura, como hoje se vê, está em conseguir conciliar esse rendilhado que faz o dia-a-dia da democracia com as exigências da própria vida. Isso tem de significar alguma coisa, não pode ser, como hoje é e se viu durante toda a tarde na Assembleia da República, puro rendilhado sem sentido.

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