Épocas ou 66,7% de pessimismo


escafandro,

Se a infância é a época em que a vida ainda não se conceptualiza e a hipótese de independência assusta, se a adolescência é a época em que se reivindica uma vida própria e se vai descobrindo quão insatisfatória ela afinal é, a idade adulta não passa da época em que debalde se tenta não pensar no assunto e se encaixa a insatisfação numa normalidade que pode chegar a parecer conforto. Presumo que a velhice seja a época em que a dependência volta a ser um factor inelutável, em que se aceita já não haver tempo para eliminar a insatisfação e em que o mistério se transfere definitivamente da vida para a morte. Com frequência, e talvez isso devesse alarmar-me mas acaba pacificando-me, sinto que, ao cumprir dois dos três critérios, já a atingi.

 

(É então que, numa espécie de recarga de baterias, revejo um filme do Lubitsch ou dos irmãos Marx.)

5 comentários em “Épocas ou 66,7% de pessimismo”

    1. Sim e não. Eu adoro os Monty Python mas a ironia deles tem frequentemente um cinismo cáustico. Nos filmes do Lubitsch ou dos irmãos Marx (e isto pode parecer um paradoxo mas, no que me diz respeito, não é) o cinismo é leve e optimista.

  1. Insatisfatória?
    Um bom vinho, uns aperitivos, um pouco do calor do Sol, ver o Mar, umas aves a cantar é mais que suficiente.

  2. Sinto-me insatisfeito por não ter casa a beira mar…sento.me pacificamente no meu sofá e fico ouvir a chuva a cair…(penso)….- para que quero casa à beira mar, a água cai mesmo aqui, felizardos daqueles que levam com ela nos olhos…..

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