Porquê Amaro da Costa? O primeiro presidente do CDS foi Diogo Freitas do Amaral. Amaro da Costa nunca foi, ou sequer pretendeu ser, presidente do CDS. Isto parece-me um branqueamento da história, tipo estalinismo. Vai-se à história do CDS e apaga-se dela o nome Diogo Freitas do Amaral, substituindo-o (ainda por cima) por Adelino Amaro da Costa. Uma total mentira. Nem Estaline faria pior.
Porquê Amaro da Costa? Pois, por justiça. Embora Freitas do Amaral fosse filho de Duarte do Amaral (como sempre foi conhecido apesar de se chamar Duarte Pinto de Carvalho de Freitas do Amaral) um dos políticos mais influentes do Salazarismo, presidente do conselho de administração da SACOR, e “influencer” de opções económicas relevantes, essa natureza não era evidente e o seu aparecimento político causava muito menos anti-corpos do que Amaro da Costa, filho de um secretário de Estado de Salazar. Mas foi Amaro da Costa o pai, ideólogo e motor do CDS. No pré-lançamento do partido, publicou no finado “O Século” dois (ou três?) notáveis artigos doutrinários a definir histórica e politicamente o centrismo. Esses artigos terão atraído muitos quadros para o CDS. Como político, Freitas do Amaral não lhe chegava aos calcanhares.
Não discuto os méritos políticos relativos de Freitas do Amaral e de Amaro da Costa. Só me foco num facto objetivo e incontroverso: o primeiro presidente do CDS foi Freitas do Amaral, e Amaro da Costa jamais foi presidente do CDS. Pretender sugerir o contrário, como este post (e um anterior) faz, é lavar a história, como Estaline fez. É muito feio.
Analítico, foste precoce e literalmente lapidar, anunciando o óbvio desfecho há já dois anos, honra te seja feita. Eu, mais empirista, tive que observar no terreno para constatar esse falecimento, algo que constatei há apenas 14 meses: https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/a-morte-do-cds-12093871
A morte do CDS não será como a do Mark Twain? O CDS obteve por si (por ele) só 86 578 votos mais 79 154 em coligação tudo somado a caminho dos 200 000 votos. PAN = 82 250. Papoilas livres – 68 975. O CDS pela vontade dos eleitores teria dois deputados e as papoilas e os animais teriam zero, isto se a opinião, se a vontade, se a escolha de quem vota contasse para alguma coisa. Podemos discutir círculos eleitorais, métodos de contagem e tal, o que não podemos é contrariar os factos; o CDS teve mais votos que o PAN, muito mais que o Livre e ninguém fala no obituário dos animais e das papoilas. (Declaração de interesses: nunca votei em nenhuma das três agremiações em análise)
Que cálculos tão complicados. Isso equivale às vitórias morais no futebol. E no entanto os factos são teimosos. Facto: o CDS tem zero deputados. Nenhum.
Os factos são: o CDS teve mais votos que o PAN e que o Livre, os factos podem ser teimosos mas são o que são. A vitória do CDS sobre o PAN e sobre o Livre não é moral é real. Num campeonato de futebol o objectivo é conquistar mais pontos (mais votos) no campeonato das eleições republicanas o objectivo é ter mais pontapés de baliza (mais deputados) são as regras do jogo mas eu não concordo com elas.
Pode sempre haver quem queira inventar novas regras para tentar ganhar o jogo depois de ele ter terminado, mas aí já estamos no domínio da ficção, não da realidade.
Pedro, o CDS teve mais de 86 500 votos e não tem nenhum deputado, o Livre com menos de 69 000 votos tem um deputado, achas que estás regras estão certas, acreditas que é assim que se respeita a vontade dos eleitores, eu acho que não; penso que as regras estão erradas mas estou disponível para mudar de opinião se me provarem o contrário.
Pedro, as duas pedras angulares do sistema eleitoral português, nas legislativas, são a divisão por círculos distritais (no território continental) e o método de Hondt na conversão de votos em mandatos. Está errado? Está. Há muito defendo a mudança do sistema, com a adopção do que existe na Alemanha. Acontece que será muito difícil alterá-lo porque os dois partidos capazes de operar esta mudança, que exige alterações no próprio texto constitucional, são o PS e o PSD – precisamente os dois que mais beneficiam do que existe desde 1975.
Uma coisa é defendermos a mudança do sistema, outra é reconhecermos que este mesmo método e estes mesmos círculos permitiram ao CDS, em 2011, eleger 24 deputados concorrendo com sigla própria. Podia ter sido diferente agora? Não, como ficou à vista. Mas o CDS podia ter eleito deputados? Podia, se Rio tivesse aceitado a proposta de coligação pré-eleitoral que Santos lhe fez para listas conjuntas PSD-CDS. À luz do método de Hondt, isto potenciaria ambos os partidos na conversão de votos em mandatos permitindo-lhes eleger pelo menos seis ou sete deputados extra em conjunto, vencer distritos como Leiria ou Bragança e retirar a maioria absoluta ao PS. “Apenas” isto.
Como sabemos, com a sagacidade que o caracteriza, Rio deu nega a Santos: quis ir sozinho, com receio de que o CDS afugentasse os “eleitores de centro”. O resultado está à vista. Mas já não dá para rebobinar o filme.
“[o] sistema eleitoral (…) está errado? Está.” Pronto, é isto. Concordo com a restante análise que efectuas, “sagacidade” à parte. Não sou militante nem simpatizante do PSD mas se há líder legitimado, internamente, é ele. A haver falta de sagacidade foi de quem o elegeu três vezes (digo eu que estou de fora). Curiosamente tinha alertado num texto do Paulo que votar Iniciativa Liberal em Leiria, seria votar no Chega. Comprovou-se. Se os votos no partido Iniciativa Liberal em Leiria tivessem sido no PSD, o PSD teria tido mais dois deputados e o Chega e o PS menos um (se não fiz mal as contas); isto só dá razão ao que escreveste no teu comentário, temos de mudar no sistema eleitoral.
Tem razão. O CDS foi prejudicado por ter os seus votantes dispersos pelo país, ao contrário dos animais livres que estão muito concentrados em Lisboa e portanto têm mais facilidade em eleger. Porém, o facto é que o CDS, não tendo deputados, perde imensa visibilidade mediática, o que lhe tornará difícil voltar a levantar-se. Note por exemplo que as televisões este ano só fizeram reportagens sobre as campanhas eleitorais dos partidos que já tinham representação parlamentar; os outros caíram em total obscuridade mediática.
A culpa do CDS ter ZERO deputados é da televisão? Fantástico. As coisas que aprendemos com estes comentadores. Felizmente para o CDS, no tempo em que tinha 42 deputados no parlamento a televisão ainda não tinha sido inventada.
Nessa altura ainda o balio se chamava Luís Lavoura. Há que tempos isso foi.
É verdade, penso que nessa altura os animais livres ainda não estavam muito concentrados em Lisboa.
Verdade, Pedro Oliveira. Ainda há mais votantes no Franciscão que no PAN. Com a perda de representação correm o risco de cair na obscuridade mediática.
Quem andou com cara de Virgem Maria foi a Catarina Martins, entre genuflexões ao Papa Francisco. Receei até que recolhesse a um convento no fim da campanha.
O CDS não vai morrer. Vai simplesmente tornar-se uma espécie de novo PEV: um partido que aparece nas eleições legislativas sempre coligado ao PSD. Afora isso, manterá uma estrutura mais ou menos independente, e alguns autarcas. Desaparece um PEV, aparece outro, no outro extremo do espetro político.
O portismo, que elegeu VINTE E QUATRO deputados em 2011? Pensava eu que tinha sido o chiquismo, que elegeu ZERO deputados em 2022.
Já tínhamos aqui os mecos que passam o tempo a gritar que a culpa foi do Passos. Só faltava agora virem uns pândegos a clamar que a culpa foi do Portas.
Eu talvez fosse mais prudente em anunciar a morte do CDS. Tanto pode transformar-se num MRPP democrata-cristão como voltar à tona, até porque o Chega é tudo menos sólido.
Mais provável tornar-se num novo PPM. Que pela primeira vez desde 1975 não concorreu a uma eleição nacional. O líder cessante tem um futuro promissor. Como CEO da Servilusa.
A melhor notícia deste acto eleitoral! O fim dessa direita ultramontana, que desde início se apresentou encapotada como “centro” da democracia cristã a la Frei Tomás! E para além de Freitas, não se esqueçam do primo Basílio, que se voltou igualmente para outro “centro”. RP
Também me parece que é cedo para passar a certidão de óbito ao CDS. Pareece-me que é bem tempo de olhar para o nosso sistema eleitoral e ver como está errado e precisa de alterações, para evitar que muitos votos sejam desperdiçados/desconsiderados, em favor de pequenos Partidos Urbanos, que nem deviam ter lugar na AR, como é o caso do PAN e do Livre. Sejamos justos, se o PAN com 82.000 e o Livre com 69.000 elegeram um deputado cada, o CDS também deveria ter eleito um deputado. Se aceitarmos que o CDS não merece ter um representante na AR, o mesmo devia acontecer com aqueles dois Partidos. Não faz sentido um Partido estar representado, num órgão com a responsabilidade, apenas com um elemento. Declaração de interesses: não sou votante do CDS.
Com zero deputados em 230, algo que jamais tinha acontecido a este partido, o que é preciso para lhe passar certidão de óbito? Passar de zero a menos zero?
O Pedro sabe que isso só aconteceu porque os círculos eleitorais foram estabelecidos por Distritos que, em boa verdade, quase não existem como divisões administrativas, e são muito desiguais. Se fossem criados círculos mais homogéneos e um circulo nacional para garantir a distribuição proporcional dos deputados pelos Partidos, em função dos votos recebidos nas urnas, talvez todos estes Partidos tivessem zero deputados, mas, com o actual sistema eleitoral, “castigar” apenas o CDS, está mal – o CDS teve muitos mais votos do que o PAN e do que o Livre – isso não deve ser varrido para debaixo do tapete. Se assim for feito, é erro. Na minha opinião, claro.
A verdade é que esses círculos foram estabelecidos logo na primeira eleição, em 1975. Já existem há 47 anos. E já existiam quando o CDS elegeu um grupo parlamentar de 42 deputados em 1976 ou de 24 deputados em 2011. Se agora não elegeu nenhum, a culpa não é do sistema eleitoral, que se manteve inalterado. É do próprio CDS. E da irresponsabilidade de Francisco Santos, que asfixiou os opositores internos, recusou o debate, expurgou as listas eleitorais, eliminou as vozes discordantes no grupo parlamentar, impediu a realização de eleições no partido, adiou o congresso para depois das legislativas e andou a mendigar até ao limite a caridade de uma boleia do PSD. Em suma, acumulou erros atrás de erros, confundindo um partido político histórico da democracia portuguesa com uma associação de estudantes. Não era difícil prever o que iria acontecer, como eu já observava no texto que aqui publiquei fez agora dois anos, em Janeiro de 2020.
Não vim aqui defender o CDS, que teve um resultado muito mau, forçosamente pela incompetência da sua direcção actual, mas apenas chamar a atenção para o número de votos recolhidos pelo CDS, bem superior aos votos alcançados pelo PAN e pelo Livre, o que não deveria permitir que os dois últimos elegessem um deputado cada e o CDS se quedasse pelo zero. Com certeza que a enorme redução de votos no CDS terá justificação nos erros cometidos pela sua direcção, em especial pelo seu presidente, com saída anunciada. Mas essa constatação não retira valor ao meu argumento. Penso eu.
O voto do CDS é muito mais disperso pelo país, sobretudo em círculos do interior onde se tornou quase impossível eleger deputados excepto do PS e do PSD (o PCP acaba de perder o deputado por Évora). Os votos do PAN e do Livre foram mais concentrados em Lisboa, daí terem conseguido eleger um representante cada. É irrelevante a comparação entre os votos obtidos a nível nacional por estes partidos. Por não existir um círculo eleitoral nacional, excepto na eleição para Presidente da República.
“O voto do CDS é muito mais disperso pelo país”, mas os votos deviam ter o mesmo valor, tanto os recolhidos nos círculos do interior, como nos círculos dos grandes centros urbanos. Por isso é que eu defendo que, em paralelo com círculos mais pequenos (que podiam ser nominais), devia existir um círculo nacional para corrigir distorções do género que referi. E se assim fosse feito, não seria irrelevante a comparação da proporção de deputados com a proporção de votos obtidos pelos diversos partidos. Pelo contrário, essa relação devia existir sempre. Mesmo que o sistema viesse a beneficiar os maiores partidos, facilitando a constituição de maiorias no parlamento, evitar-se-ia o aparecimento de entorses como os que registei.
Mas as regras são as mesmas desde que há eleições em Portugal. O CDS não pode queixar-se delas agora, que não elegeu ninguém, quando com o mesmo sistema eleitoral já conseguiu eleger 42 deputados. Nessa altura nada tinha a objectar.
Se agora querem queixar-se, lá no partido, só podem queixar-se de si próprios.
A menos que falam como aquela senhora do PSD, que já foi vice-presidente de Rio, que veio dizer que o povo falhou. Irritadíssima com os eleitores.
Com essa de chamarem o rapaz pela alcunha é que não consigo alinhar — um aumentativo também pode ser pejorativo. Neste caso é uma alusão à ruralidade da criatura.
Não posso concordar com a tua postura diminuidora do ex-líder demo-cristão (até porque o homem é sportinguista). Julgo que deverá ser conhecido por Zero Zero Chico
Se lhe juntarmos os resultados do regime de cúpulas, vulgo Bloco e da cúpula do regime, comumente PC, então o Chico não passa de um zero à esquerda. RP
O Chicão era tão obcecado com a “cultura do cancelamento” que acabou a ser cancelado pelos seus eleitores. O Chicão era tão obecado com a “ideologia de género” que acabou a eleger 0 homens e 0 mulheres. Em defesa dele, conseguiu que o seu partido tivesse igualdade de género no parlamento.
Porquê Amaro da Costa?
O primeiro presidente do CDS foi Diogo Freitas do Amaral. Amaro da Costa nunca foi, ou sequer pretendeu ser, presidente do CDS.
Isto parece-me um branqueamento da história, tipo estalinismo. Vai-se à história do CDS e apaga-se dela o nome Diogo Freitas do Amaral, substituindo-o (ainda por cima) por Adelino Amaro da Costa. Uma total mentira. Nem Estaline faria pior.
Porquê Amaro da Costa?
Pois, por justiça. Embora Freitas do Amaral fosse filho de Duarte do Amaral (como sempre foi conhecido apesar de se chamar Duarte Pinto de Carvalho de Freitas do Amaral) um dos políticos mais influentes do Salazarismo, presidente do conselho de administração da SACOR, e “influencer” de opções económicas relevantes, essa natureza não era evidente e o seu aparecimento político causava muito menos anti-corpos do que Amaro da Costa, filho de um secretário de Estado de Salazar.
Mas foi Amaro da Costa o pai, ideólogo e motor do CDS. No pré-lançamento do partido, publicou no finado “O Século” dois (ou três?) notáveis artigos doutrinários a definir histórica e politicamente o centrismo. Esses artigos terão atraído muitos quadros para o CDS.
Como político, Freitas do Amaral não lhe chegava aos calcanhares.
Não discuto os méritos políticos relativos de Freitas do Amaral e de Amaro da Costa.
Só me foco num facto objetivo e incontroverso: o primeiro presidente do CDS foi Freitas do Amaral, e Amaro da Costa jamais foi presidente do CDS.
Pretender sugerir o contrário, como este post (e um anterior) faz, é lavar a história, como Estaline fez. É muito feio.
Nunca ouviu falar no princípio da substância sobre a forma?
“apaga-se dela o nome Diogo Freitas do Amaral,”
É que este passou-se para o PS e Sócrates
Por algum motivo, o edifício onde ainda está a sede do CDS situa-se no Largo Adelino Amaro da Costa.
Analítico, foste precoce e literalmente lapidar, anunciando o óbvio desfecho há já dois anos, honra te seja feita. Eu, mais empirista, tive que observar no terreno para constatar esse falecimento, algo que constatei há apenas 14 meses: https://delitodeopiniao.blogs.sapo.p t/a-morte-do-cds-12093871
Bem observado. O CDS, apesar de tudo, merecia melhor cangalheiro.
A morte do CDS não será como a do Mark Twain?
O CDS obteve por si (por ele) só 86 578 votos mais 79 154 em coligação tudo somado a caminho dos 200 000 votos.
PAN = 82 250.
Papoilas livres – 68 975.
O CDS pela vontade dos eleitores teria dois deputados e as papoilas e os animais teriam zero, isto se a opinião, se a vontade, se a escolha de quem vota contasse para alguma coisa.
Podemos discutir círculos eleitorais, métodos de contagem e tal, o que não podemos é contrariar os factos; o CDS teve mais votos que o PAN, muito mais que o Livre e ninguém fala no obituário dos animais e das papoilas.
(Declaração de interesses: nunca votei em nenhuma das três agremiações em análise)
Que cálculos tão complicados. Isso equivale às vitórias morais no futebol.
E no entanto os factos são teimosos. Facto: o CDS tem zero deputados. Nenhum.
Os factos são: o CDS teve mais votos que o PAN e que o Livre, os factos podem ser teimosos mas são o que são.
A vitória do CDS sobre o PAN e sobre o Livre não é moral é real.
Num campeonato de futebol o objectivo é conquistar mais pontos (mais votos) no campeonato das eleições republicanas o objectivo é ter mais pontapés de baliza (mais deputados) são as regras do jogo mas eu não concordo com elas.
Pode sempre haver quem queira inventar novas regras para tentar ganhar o jogo depois de ele ter terminado, mas aí já estamos no domínio da ficção, não da realidade.
Pedro, o CDS teve mais de 86 500 votos e não tem nenhum deputado, o Livre com menos de 69 000 votos tem um deputado, achas que estás regras estão certas, acreditas que é assim que se respeita a vontade dos eleitores, eu acho que não; penso que as regras estão erradas mas estou disponível para mudar de opinião se me provarem o contrário.
Pedro, as duas pedras angulares do sistema eleitoral português, nas legislativas, são a divisão por círculos distritais (no território continental) e o método de Hondt na conversão de votos em mandatos.
Está errado? Está. Há muito defendo a mudança do sistema, com a adopção do que existe na Alemanha.
Acontece que será muito difícil alterá-lo porque os dois partidos capazes de operar esta mudança, que exige alterações no próprio texto constitucional, são o PS e o PSD – precisamente os dois que mais beneficiam do que existe desde 1975.
Uma coisa é defendermos a mudança do sistema, outra é reconhecermos que este mesmo método e estes mesmos círculos permitiram ao CDS, em 2011, eleger 24 deputados concorrendo com sigla própria.
Podia ter sido diferente agora? Não, como ficou à vista.
Mas o CDS podia ter eleito deputados? Podia, se Rio tivesse aceitado a proposta de coligação pré-eleitoral que Santos lhe fez para listas conjuntas PSD-CDS. À luz do método de Hondt, isto potenciaria ambos os partidos na conversão de votos em mandatos permitindo-lhes eleger pelo menos seis ou sete deputados extra em conjunto, vencer distritos como Leiria ou Bragança e retirar a maioria absoluta ao PS.
“Apenas” isto.
Como sabemos, com a sagacidade que o caracteriza, Rio deu nega a Santos: quis ir sozinho, com receio de que o CDS afugentasse os “eleitores de centro”.
O resultado está à vista. Mas já não dá para rebobinar o filme.
“[o] sistema eleitoral (…) está errado? Está.”
Pronto, é isto.
Concordo com a restante análise que efectuas, “sagacidade” à parte. Não sou militante nem simpatizante do PSD mas se há líder legitimado, internamente, é ele. A haver falta de sagacidade foi de quem o elegeu três vezes (digo eu que estou de fora).
Curiosamente tinha alertado num texto do Paulo que votar Iniciativa Liberal em Leiria, seria votar no Chega.
Comprovou-se.
Se os votos no partido Iniciativa Liberal em Leiria tivessem sido no PSD, o PSD teria tido mais dois deputados e o Chega e o PS menos um (se não fiz mal as contas); isto só dá razão ao que escreveste no teu comentário, temos de mudar no sistema eleitoral.
Tem razão. O CDS foi prejudicado por ter os seus votantes dispersos pelo país, ao contrário dos animais livres que estão muito concentrados em Lisboa e portanto têm mais facilidade em eleger.
Porém, o facto é que o CDS, não tendo deputados, perde imensa visibilidade mediática, o que lhe tornará difícil voltar a levantar-se. Note por exemplo que as televisões este ano só fizeram reportagens sobre as campanhas eleitorais dos partidos que já tinham representação parlamentar; os outros caíram em total obscuridade mediática.
A culpa do CDS ter ZERO deputados é da televisão?
Fantástico. As coisas que aprendemos com estes comentadores. Felizmente para o CDS, no tempo em que tinha 42 deputados no parlamento a televisão ainda não tinha sido inventada.
Quando o CDS tinha 42 deputados no parlamento o Chicão ainda não era nascido, veja lá ao tempo que isso foi.
Nessa altura ainda o balio se chamava Luís Lavoura.
Há que tempos isso foi.
É verdade, penso que nessa altura os animais livres ainda não estavam muito concentrados em Lisboa.
Verdade, Pedro Oliveira. Ainda há mais votantes no Franciscão que no PAN.
Com a perda de representação correm o risco de cair na obscuridade mediática.
Chamar-lhe Franciscão é tudo menos lisonjeiro. Por motivos eufónicos, desde logo.
Olhe que o Diogo não vai apreciar esse comentário.
O Béu Béu?
O CDS pensava que conquistava o povo com cara do Chicao de virgem Maria
Quem andou com cara de Virgem Maria foi a Catarina Martins, entre genuflexões ao Papa Francisco.
Receei até que recolhesse a um convento no fim da campanha.
O CDS não vai morrer. Vai simplesmente tornar-se uma espécie de novo PEV: um partido que aparece nas eleições legislativas sempre coligado ao PSD. Afora isso, manterá uma estrutura mais ou menos independente, e alguns autarcas.
Desaparece um PEV, aparece outro, no outro extremo do espetro político.
Sim, é uma hipótese.
O portismo pós euro matou o CDS.
WW
O portismo, que elegeu VINTE E QUATRO deputados em 2011?
Pensava eu que tinha sido o chiquismo, que elegeu ZERO deputados em 2022.
Já tínhamos aqui os mecos que passam o tempo a gritar que a culpa foi do Passos. Só faltava agora virem uns pândegos a clamar que a culpa foi do Portas.
Eu talvez fosse mais prudente em anunciar a morte do CDS. Tanto pode transformar-se num MRPP democrata-cristão como voltar à tona, até porque o Chega é tudo menos sólido.
Mais provável tornar-se num novo PPM. Que pela primeira vez desde 1975 não concorreu a uma eleição nacional.
O líder cessante tem um futuro promissor. Como CEO da Servilusa.
A melhor notícia deste acto eleitoral! O fim dessa direita ultramontana, que desde início se apresentou encapotada como “centro” da democracia cristã a la Frei Tomás! E para além de Freitas, não se esqueçam do primo Basílio, que se voltou igualmente para outro “centro”.
RP
Faltou-lhe o i das iniciais, RIP.
Também me parece que é cedo para passar a certidão de óbito ao CDS. Pareece-me que é bem tempo de olhar para o nosso sistema eleitoral e ver como está errado e precisa de alterações, para evitar que muitos votos sejam desperdiçados/desconsiderados, em favor de pequenos Partidos Urbanos, que nem deviam ter lugar na AR, como é o caso do PAN e do Livre. Sejamos justos, se o PAN com 82.000 e o Livre com 69.000 elegeram um deputado cada, o CDS também deveria ter eleito um deputado. Se aceitarmos que o CDS não merece ter um representante na AR, o mesmo devia acontecer com aqueles dois Partidos. Não faz sentido um Partido estar representado, num órgão com a responsabilidade, apenas com um elemento.
Declaração de interesses: não sou votante do CDS.
Com zero deputados em 230, algo que jamais tinha acontecido a este partido, o que é preciso para lhe passar certidão de óbito? Passar de zero a menos zero?
O Pedro sabe que isso só aconteceu porque os círculos eleitorais foram estabelecidos por Distritos que, em boa verdade, quase não existem como divisões administrativas, e são muito desiguais. Se fossem criados círculos mais homogéneos e um circulo nacional para garantir a distribuição proporcional dos deputados pelos Partidos, em função dos votos recebidos nas urnas, talvez todos estes Partidos tivessem zero deputados, mas, com o actual sistema eleitoral, “castigar” apenas o CDS, está mal – o CDS teve muitos mais votos do que o PAN e do que o Livre – isso não deve ser varrido para debaixo do tapete. Se assim for feito, é erro. Na minha opinião, claro.
A verdade é que esses círculos foram estabelecidos logo na primeira eleição, em 1975. Já existem há 47 anos. E já existiam quando o CDS elegeu um grupo parlamentar de 42 deputados em 1976 ou de 24 deputados em 2011.
Se agora não elegeu nenhum, a culpa não é do sistema eleitoral, que se manteve inalterado. É do próprio CDS. E da irresponsabilidade de Francisco Santos, que asfixiou os opositores internos, recusou o debate, expurgou as listas eleitorais, eliminou as vozes discordantes no grupo parlamentar, impediu a realização de eleições no partido, adiou o congresso para depois das legislativas e andou a mendigar até ao limite a caridade de uma boleia do PSD. Em suma, acumulou erros atrás de erros, confundindo um partido político histórico da democracia portuguesa com uma associação de estudantes.
Não era difícil prever o que iria acontecer, como eu já observava no texto que aqui publiquei fez agora dois anos, em Janeiro de 2020.
Não vim aqui defender o CDS, que teve um resultado muito mau, forçosamente pela incompetência da sua direcção actual, mas apenas chamar a atenção para o número de votos recolhidos pelo CDS, bem superior aos votos alcançados pelo PAN e pelo Livre, o que não deveria permitir que os dois últimos elegessem um deputado cada e o CDS se quedasse pelo zero.
Com certeza que a enorme redução de votos no CDS terá justificação nos erros cometidos pela sua direcção, em especial pelo seu presidente, com saída anunciada. Mas essa constatação não retira valor ao meu argumento. Penso eu.
O voto do CDS é muito mais disperso pelo país, sobretudo em círculos do interior onde se tornou quase impossível eleger deputados excepto do PS e do PSD (o PCP acaba de perder o deputado por Évora).
Os votos do PAN e do Livre foram mais concentrados em Lisboa, daí terem conseguido eleger um representante cada.
É irrelevante a comparação entre os votos obtidos a nível nacional por estes partidos. Por não existir um círculo eleitoral nacional, excepto na eleição para Presidente da República.
“O voto do CDS é muito mais disperso pelo país”, mas os votos deviam ter o mesmo valor, tanto os recolhidos nos círculos do interior, como nos círculos dos grandes centros urbanos.
Por isso é que eu defendo que, em paralelo com círculos mais pequenos (que podiam ser nominais), devia existir um círculo nacional para corrigir distorções do género que referi. E se assim fosse feito, não seria irrelevante a comparação da proporção de deputados com a proporção de votos obtidos pelos diversos partidos. Pelo contrário, essa relação devia existir sempre. Mesmo que o sistema viesse a beneficiar os maiores partidos, facilitando a constituição de maiorias no parlamento, evitar-se-ia o aparecimento de entorses como os que registei.
Mas as regras são as mesmas desde que há eleições em Portugal.
O CDS não pode queixar-se delas agora, que não elegeu ninguém, quando com o mesmo sistema eleitoral já conseguiu eleger 42 deputados.
Nessa altura nada tinha a objectar.
Se agora querem queixar-se, lá no partido, só podem queixar-se de si próprios.
A menos que falam como aquela senhora do PSD, que já foi vice-presidente de Rio, que veio dizer que o povo falhou. Irritadíssima com os eleitores.
Com essa de chamarem o rapaz pela alcunha é que não consigo alinhar — um aumentativo também pode ser pejorativo. Neste caso é uma alusão à ruralidade da criatura.
Acabaram-se os diminutivos e os aumentativos. A partir de agora fica conhecido por Chico Zero.
Não posso concordar com a tua postura diminuidora do ex-líder demo-cristão (até porque o homem é sportinguista). Julgo que deverá ser conhecido por Zero Zero Chico
O meu nome é Cado, For-cado
E chamam a isto democracia. Guerra Junqueiro tem razão.
Se lhe juntarmos os resultados do regime de cúpulas, vulgo Bloco e da cúpula do regime, comumente PC, então o Chico não passa de um zero à esquerda.
RP
Você tem tendência para repetir-se.
E se lhe juntarmos os resultados do regime de cúpulas, vulgo Bloco e da cúpula do regime, comumente PC, então o Chico não passa de um zero à esquerda.
Zero à esquerda não. Ele é de direita.
O Chicão era tão obcecado com a “cultura do cancelamento” que acabou a ser cancelado pelos seus eleitores. O Chicão era tão obecado com a “ideologia de género” que acabou a eleger 0 homens e 0 mulheres. Em defesa dele, conseguiu que o seu partido tivesse igualdade de género no parlamento.