
A politização da justiça está a causar crises inesperadas. Os partidos religiosos de Israel queixam-se dos tribunais laicos e exigem uma reforma que obrigue os juízes a obedecerem ao poder político; um ex-presidente americano vai a tribunal por crimes menores, para escândalo de metade do país e júbilo da outra metade. Estes são apenas dois exemplos de histórias no seu início, que revelam tensão entre elites e povo, ou entre eleitos e não-eleitos. Há outros exemplos de politização acelerada em sistemas menos relevantes, como universidades, comunicação social ou entretenimento, nos quais se propagam sinais de entropia. A imprensa concentra-se em poucos grupos cujo financiamento nem sempre é transparente; as séries de TV, sobretudo no streaming, são hoje veículos de activismo militante, também pouco transparente. Às tantas, ninguém confia em coisa alguma. As pessoas deixam de acreditar na justiça e nas notícias, desconfiam de tudo, dos intelectuais e magistrados, dos jornalistas, da própria ficção. Na Europa medieval houve vários surtos de uma mania de dança que envolvia centenas ou até milhares de pessoas. Estas multidões não conseguiam parar de se mover; muitas vítimas caíam para o lado e morriam de cansaço. A população andava assustada com o repentino alvoroço. Foi histeria colectiva ou doença infecciosa? Ninguém sabe, mas há alturas em que toda a gente parece mover-se ao mesmo tempo, cada um para seu lado, numa agitação doida cujo único propósito é apenas o movimento. É nestes tempos de bailes alucinados que se multiplicam os falsos profetas.
imagem Night Café (IA)

Que venha eles, porque de profetas “verdadeiros” estou eu farto.
involução como na época medieval
La nave de los Locos o de los necios (en el original alemán, Das Narrenschiff, en su traducción latina, Stultifera Navis)
Sebastian Brant
‘Alguém ao falecer
disse a todos os mortais:
lixem-se tidos uns aos outros
que a mim não me lixam mais’
Tudo resulta da cultura.
Quando a todo o tempo se ouve e lê, o que é tudo e nada, que se diz saber e sabedoria, dançar de roda ou sapatear até à tontura parece uma razoável solução.
«construir uma universidade “pluridiversa, paritária, interseccional e emancipatória”, que “não receie o modus operandi feminista, na construção de pessoas libertas dos constrangimentos impostos por papéis e expectativas prescritivas de género, classe, raça, capacitismo ou preceitos culturais”. Isto é “uma universidade que rompa com a tradição (que vem de um lugar ‘de cátedra’ e não de escuta) da cultura dos ‘doutores’ e da reprodução dos patriarcas geniais e das elites”».
https://www.esquerda.net/artigo/academic os-manifestam-solidariedade-com-denuncia s-de-assedio-ces-suspende-visados/85953
Esse fenómeno da dança na idade média, ainda não tem explicação.
Com a fé para acabar a peste apareceu a dança, as pessoas em movimento alegre para afugentar a peste.
Este ponto de vista ‘dança para afugentar a peste’ parece representar um quadro de Bosch. A maneira de católicos dançar com os braços no ar a dar estalidos com os dedos, ou com castanholas, rodopiando será também com a ideia para afugentar. As danças minhotas, em particular a “Góta de Dem” são bem representativas dessa ideia.
A “Góta de Dem” (Dem, freguesia de Caminha (Viana do Castelo) é a dança mais espectacular do folclore português, com os homens a voar e as mulheres a quererem levantar voo.
José da Silva