De tempos a tempos, mal renasce das trevas a estafada discussão sobre a lei do aborto e os direitos das mulheres e blá, blá, blá, fico sempre a pensar que nunca vi ninguém a discutir os direitos dos homens, neste caso concreto, dos pais dos fetos.
Então e os pais?
tralhasdavida,

Há muito tempo que penso nisso… não só do ponto de vista social, mas também jurídico. E convenhamos, é uma questão complicada, mas que, sem dúvida, merece discussão!
Aplaudo. Sou homem, discordo da penalização do aborto mas sempre me confundiu o facto de que se eu combinar com uma mulher fazermos um filho e
ela, mais tarde, quebrar a combinação unilateralmente e resolver abortar eu nem sequer serei ouvido. Não sei qual deva ser a solução.
escolher melhor as mulheres com quem planeia ter filhos?
Tal e qual! Uma vergonha.
Pode ser até algo injusto, mas como quem pare é sempre a fêmea e nunca o macho… a palavra final será sempre desta, parece-me inevitável e óbvio.
(estando o fedelho cá fora ou mesmo a partir de um avançado estado de gestação, a história já será outra)
Francisca, ainda hoje tinha pensado nisso. E os meus pensamentos levaram para uma conclusão conhecida: viver é um direito e não uma obrigação.
Quero com isto dizer que quem não pode decidir não pode estar sujeito a arbitrariedades (o feto). Mas quem pode decidir que se mate a si mesmo.
Já aqui tinha dito que o direito do homem tornou-se um factor de discriminação. E porquê? Porque nós, os gajos, andamos a armar em evoluídos e ficamos calados. E a mulher, que conta com o apoio destes feministas, sente-se em roda livre.
Vejo boas alterações nas novas formas de discutir os direitos(tolerancia melhorada) mas não rejeito a ideia que se anda a complicar o que é simples, linear e que a natureza comanda :
A maternidade cria um elo entre o novo ser e a mãe que me parece superfluo trazer para a discussão mais outros actores. Não faz mal ao mundo discutir mas perante a beleza que a natureza nos brinda com a veiculo do nascimento e ligação mae-filho é desperdiçar não o apreciarmos, realçarmos,saborearmos afastando-nos para aspectos secundarissimos.
Caro Cristof, não me parece um aspecto muito secundário que um pai biológico não tenha uma palavra a dizer sobre o seu filho ser abortado. É evidente que em 99% dos casos não há homem que se queira ver a braços com a criança, mas do ponto de vista jurídico é relevante que um homem possa impedir que “matem” o feto que viria a ser seu filho.
Já nem falo de encontros casuais, mas vamos imaginar um casal que tem um par de filhos e se separa no início de uma terceira gravidez. Não lhe parece relevante que o pai possa querer ficar com este terceiro bebé? Que tenha forma de de proteger e de, por lei, evitar esse aborto ?
Faz-me um bocado de confusão, confesso-lhe.
Realçando estes pontos tenho que concordar consigo. Ligeiramente respondi a 1ª afirmação mais baseado na pratica diaria – em que nas reunioes de encarregados de educão estava paulatinamente rodeados por duzentas mulheres e dez ou quinze homens, bem como nas lojas de roupas ,brinquedos ou livros em que a cenario era identico.
Este assunto não é assim tão simples… É fácil para um homem falar de direitos enquanto progenitor do feto, mas ele não tem que passar 1% do que a mulher sofre, desde alterações hormonais, mudanças físicas acentuadas, possibilidade de perda de emprego (já todos sabemos que é ilegal, mas que acontece na mesma) e o terror do parto.
Se colocarmos isto numa balança de pratos, quanta deve ser considerada a opinião do potencial pai?
Há já um estudo jurídico, publicado, que problematiza a questão do direito do homem a não querer ser pai… O seu autor chama-se Jorge Martins Ribeiro é juiz do Tribunal de Familia de Braga.
Lá está. Em vez de uma violência estaríamos perante duas. Uma contra o feto, outra contra a mulher!
Suponho que do meu comentário ao post, que refere nunca ter visto ninguém discutir o direito dos pais, indicando eu um autor que já o fez, pode ter resultado a impressão que a formulo a questão dessa forma ou que adiro aos argumentos do direito dos pais sobre a decisão da vida dos filhos. Gostava de deixar claro que considero o direito à vida do feto um direito absoluto, ilimitado e inquestionável que se sobrepõe completamente ao direito dos pais ( do homem e da mulher).
A discussão sobre o aborto não pode ser uma discussão sobre os direitos dos pais.
Independentemente de qualquer conclusão sobre o aborto, se for consagrado o direito dos pais a se pronunciarem então só à mulher pode caber esse direito. O de ser ou não ser mãe. O homem submete-se à decisão da mulher. Não pode ser de outra forma, senão um homem podia obrigar uma mulher a abortar.